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O que é parada cardiorrespiratória, causa da morte de Maradona? Saiba como prevenir

Médico cardiologista Edgar Pessoa de Melo explica como acontece uma parada cardiorrespiratória e faz destaca importância das atividades físicas como prevenção

Gabriela Máxima
Gabriela Máxima
Publicado em 26/11/2020 às 12:04
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JAVIER SORIANO / AFP
Diego Maradona, de 60 anos, jogador internacional argentino, faleceu em novembro - FOTO: JAVIER SORIANO / AFP
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O ídolo argentino Diego Maradona morreu aos 60 anos vítima de uma parada cardiorrespiratória no início da tarde da quarta-feira. O ex-jogador apresentou ao longo da vida histórico com problemas de saúde, consumo elevado de álcool e cocaína. De acordo com o cardiologista Edgar Pessoa de Melo, a causa exata da morte ainda não foi definida ou revelada, mas o histórico de Maradona pode ter ajudado no agravamento do quadro de anemia, desidratação e abstinência. Consequentemente resultou em arritmia e morte súbita. 

Em entrevista ao Passando a Limpo com Geraldo Freire, na Rádio Jornal, o cardiologista explicou que anemia, desidratação e abstinência resultam na ativação do sistema nervoso simpático, o que pode ser irreversível. "Todos nós morreremos um dia de parada cardíaca seguida de parada respiratória. Primeiro para o coração e depois para a respiração. O que levou Maradona a isso não está muito definido. Anemia, desidratação e abstinência leva a um quadro de desarrumação e ativação do sistema nervoso simpático, adrenalina se eleva muito no sangue e em consequência da abstinência isso pode resultar em arritmia e morte súbita", explicou.

Maradona precisou realizar no último dia 3 de novembro uma cirurgia de urgência para tratar uma hemorragia no cérebro. O procedimento foi um sucesso, mas no pós-operatório Maradona apresentou quadro de anemia, desidratação e abstinência. Ele ficou oito dias internado em observação e depois voltou para se recuperar em casa.

Cerca de 15 dias depois, ele sofreu a parada cardiorrespiratória e morreu. O médico Edgar Pessoa de Melo disse que a morte não teve ligação com a cirurgia pelo período que separa os eventos médicos. "É um procedimento neurologicamente simples para os grandes cirurgiões neurológicos", pontuou.

O cardiologista explicou como acontece uma hemorragia no cérebro e quais as consequências. Eu estava lendo a causa da morte de Maradona e a primeira coisa que vi é que há uns 15 dias ele apresentou um quadro de hemorragia subdural. A dura-máter é uma membrana que envolve todo o cérebro e a pessoa pode ter hemorragia extradural, que é só fora da dura-máter, e subdural, dentro da dura-máter, entre a dura-máter e o cérebro. O que levou a esse hemorragia a imprensa não divulgou, os médicos não divulgaram. Mas provavelmente foi um pico hipertensivo. A pressão arterial se eleva subitamente e rompe um vaso. Quando rompe dentro do cérebro é aquilo que a gente chama de AVC hemorrágico e que muitas vezes levam a morte súbita. Evoluiu. O hematoma foi drenado. Ele evoluiu com desidratação e anemia. E esse quadro foi agravado pela abstinência do álcool. Ele vinha bebendo muito álcool, todos os dias, e foi agravado por esse quadro de abstinência", esclareceu.

Saúde e prevenção com vida ativa 

Profissionais da área de saúde alertam para os benefícios das atividades físicas desde a infância até a terceira idade, entre pessoas idosas. Praticar exercícios físicos com regularidade pode prevenir doenças crônicas como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares.

O cardiologista falou sobre a importância de combater o sedentarismo especialmente em um período marcado pelo isolamento da pandemia da covid-19. Ele chama atenção para a prática de atividades em todas as idade, mas falou com mais ênfase para os idosos.

"Uma das coisas que estou vendo com frequência em meu consultório são pessoas idosas que antes iam ao consultório caminhando e hoje chegam em cadeira de rodas. Primeiro por causa a idade, depois o aumento de peso em decorrência do confinamento. E consequentemente depois de quatro, cinco e seis meses sem caminhar. Esses idosos ficam sem caminhar, perdem a força dos membros inferiores e aumentam o peso e tornam incompatível com a força muscular das pernas e perde a mobilidade", comentou o médico cardiologista, que completou.

"Nas pessoas mais jovens que passam quatro, cinco meses sem fazer atividade física...elas perdem completamente o condicionamento físico e a volta exige uma avaliação cardiológica, cardiorrespiratória para que a pessoa possa voltar à atividade. Atividade física mais intensa sem a orientação de um professor de educação física e de um médico é de extremo risco para as pessoas terem doenças coronárias, infarto que  levar até a morte", concluiu sobre a necessidade do acompanhamento especializado. 

 

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