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Veja como a obesidade pode agravar os casos de covid-19

Obesidade pode ser combatida com a prática de exercícios físicos e alimentação saudável

JC
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Publicado em 10/12/2020 às 10:47
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Doença crônica que afeta milhares de pessoas no Brasil e no mundo, a obesidade foi tema do 34ª Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia de 2020, que abordou a relação do sobrepeso com os sintomas e consequências do novo coronavírus. De acordo com o endocrinologista Marcio Mancini, do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da USP, cerca de 50% das internações graves por covid-19 são de pessoas obesas. Há, porém, elevada subnotificação nesse tipo de informação, o que dificulta o desenvolvimento de pesquisas sobre a doença.

Mancini apresenta dados sobre internações e mortes de pacientes obesos pela covid-19 e ressalta a importância da obesidade ser descrita no documento de alta do paciente, assim como no atestado de óbito. "Temos um problema grande de subnotificação de obesidade nesta pandemia. Muitos médicos que não são da área, na hora de preencher as informações, tanto de alta como de óbito, só colocam o código usado para pessoas obesas, quando elas têm 150 quilos ou mais. Mas pessoas obesas também são aquelas que têm mais de 90 quilos ou IMC superior a 30. Isso dificulta na hora das pesquisas. Sabemos que nesta pandemia as internações graves, mais de 50%, são de pessoas obesas”, revela Mancini.

Ainda segundo o médico, no corpo de pessoas obesas, o vírus se comporta de maneira diferente. "O vírus entra na célula do corpo humano através de um receptor muito presente no tecido adiposo. As pessoas com obesidade acabam tendo quantidade maior de vírus circulante, pois a gordura vira um reservatório para o vírus. Além disso, a obesidade confere ao indivíduo uma inflamação subclínica, que não é dolorosa e não causa sintomas. Isso se junta à inflamação causada pelo vírus e leva a um quadro inflamatório grave que atinge vários órgãos e leva ao óbito”, explica o endocrinologista. 

Combatendo a obesidade

Obesidade é confirmada quando há maior ingestão de alimentos calóricos e menor gasto energético, culminando no excesso de gordura corporal. Sedentarismo e consumo de produtos ultraprocessados são hábitos que podem levar uma pessoa a ter sobrepeso ou se tornar obesa. Vale destacar que obesidade é porta de entrada para outras doenças crônicas como diabetes, hipertensão, depressão, entre outras. 

Profissionais da área de saúde recomendam a prática de exercícios físicos e alimentação saudável para reduzir o risco de desenvolvimento da obesidade, além de acompanhamento médico para não cometer exageros nos treinos ou restrições na alimentação. 

Ainda de acordo com o Mancini, pessoas acima do peso precisam estar atentas à imunidade e alimentação saudável. Isso porque comer muito não significa fortalecimento do sistema imunológico. Alimentação rica em nutrientes, com comida natural, trará mais benefícios do que a ingestão de ultraprocessados. O doutor explicou. "Existe um pensamento de que quanto mais se come, mais o sistema imune se fortalece. Isso não vale para pessoas que já são obesas. Pelo contrário, na pandemia é fundamental que esses pacientes intensifiquem a dieta para reduzir tecido adiposo e com isso diminuir os riscos, caso haja uma possível infecção", concluiu.

Índice de massa corporal e obesidade

Sobrepeso - entre 25 e 29,9 kg/m²

Obesidade grau I - entre 30 e 34,9 kg/m²

Obesidade grau II - entre 35 e 39,9 kg/m² 

Obesidade grau III - 40 kg/m²

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