MERCADO IMOBILIÁRIO

Startup chega ao Recife com serviço de aluguel de imóveis para morar por dias ou até anos

Housi gerencia aluguel de imóveis por dia ou até anos, com serviços inclusos e promessa de maior rentabilidade ao investidor

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 27/09/2020 às 7:30
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Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
Prédios residenciais na Zona Sul do Recife - FOTO: Foto: Guga Matos/Acervo JC Imagem
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O dinamismo da tecnologia e novo estilo de vida das pessoas, até mesmo na habitação, ganhará forma no Recife com o primeiro empreendimento imobiliário administrado pela startup Housi na cidade. A empresa paulista chega à capital pernambucana com a proposta de aluguel residencial sob demanda, indo de um dia até quem sabe anos, e promessa de contratação online e simplificada. Enquanto por um lado a empresa apresenta facilidades para os clientes, em outra ponta a ideia é potencializar o rendimento dos investidores. No histórico, estão retornos de até 40% acima do que é pago com a locação tradicional, mas à frente há o desafio de conseguir ampliar a rentabilidade no mercado local.

O primeiro empreendimento administrado pela Housi no Recife será o Tolive I, da incorporadora pernambucana Tolive, a ser lançado em outubro de 2020 e entregue no mesmo mês de 2021. A empresa local constrói e comercializa a partir de imobiliárias o empreendimento, que conta com 120 unidades de 22m² até 40m². Essa primeira parte do negócio mira nos potenciais clientes investidores. O imóvel é comprado a fim de gerar renda, que é trazida pela Housi a partir da locação.

"Somos uma plataforma na qual prestamos o serviço para o investidor e proprietário. Administramos o imóvel alugado, gerando rentabilidade. Para o usuário, geramos experiência e solução de moradia flexível, por assinatura (serviço on demand), e sem burocracia”, explica o presidente da Housi, Alexandre Frankel.

Divulgação
Alexandre Frankel, da Housi - Divulgação

Ao comprar o imóvel, o investidor deixa sob os cuidados da Housi todo o processo de locação, assim como fica sob responsabilidade da empresa a administração do condomínio. “Como trabalhamos com dados, nossa ideia é trazer nossa expertise para vender melhor e mais rápido. A Housi quando se associa a um incorporador busca ajudá-lo a obter melhores resultados e conhecimento dos dados para ser assertivo com o cliente”, acrescenta Frankel.

Em período de silêncio por conta do planejamento de seu IPO, a Housi não fala sobre os números, porém a startup já contabilizou mais de nove mil locações e 20 mil usuários desde que foi criada, em 2019. O valor de mercado dos imóveis geridos em sua plataforma ultrapassa os R$ 3,5 bilhões, com pretensão de alcance dos R$ 10 bilhões até o fim do ano.

Ao assumir o papel de uma “imobiliária sob demanda”, a startup cobra um taxa administrativa em cima do valor da locação. Para garantir maior rentabilidade, estão no leque dos empreendimentos uma gama de serviços como mobília, assinatura de aplicativos, lavanderia e horta compartilhada, coworking, coliving, mercado de conveniência e a flexibilidade para locação, podendo ser de um dia até anos, mesmo tratando-se de imóveis residenciais.

“O investidor recebe o apartamento completamente mobiliado e cheio de serviços inclusos. Entregamos com tudo pronto e depois a startup faz a gestão para os investidores. Resolve várias dores do nosso cliente, que no caso do Tolive I deverão ser, sobretudo, as pessoas que fazem o chamado turismo médico, quem vem de estados próximos para resolver algo na cidade, como no consulado ou funcionários de empresas que demandam estadia por temporada”, afirma o engenheiro e sócio da Tolive, Felipe Pacífico.

Sendo erguido no bairro da Ilha do Leite, área central do Recife, o empreendimento da Tolive tem Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 25 milhões. Cada unidade varia entre R$ 200 mil e R$ 450 mil. Os valores para locação dependerão do período contratado, mas segundo as empresas, seguem em linha com o que é cobrado no mercado. A incorporadora estuda ter todos os seus empreendimentos em parceria com a Housi. A meta até o fim do ano é ter lançado algo em torno de 350 unidades.

Teresa Maia
Felipe Pacífico, da Tolive - Teresa Maia

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Segundo dados do Fipezap de agosto, no último mês o Recife apresentou a maior variação de rentabilidade dos imóveis (razão entre o preço médio de venda e locação) dentre as cidades pesquisadas. Na capital pernambucana, a rentabilidade foi 0,51% ao mês em agosto. A média das capitais foi de 0,40%. O Recife acumula uma variação de 2,11% no preço de alugueis este ano, com preço médio de R$ 30,63 por m².

“Os operadores enxergam a chegada da Housi como mais um player, um modelo de negócio com a ideia de remunerar melhor. A única questão é sobre a remuneração ser melhor se tiver um grande fluxo. A demanda deles é calcada em mobilidade, então vai depender muito do fluxo”, salienta o vice-presidente do Secovi-PE e diretor da ncora Imobiliária, Luciano Novaes.

Sobre o mercado como um todo, a avaliação do Secovi-PE é de que com a redução da taxa de juros, o investimento em imóveis tem se tornado mais atrativo no Recife. “Com a taxa de juros a 2%, a aplicação financeira deixou de ser uma coisa muito interessante, e o imóvel passou a ser a bola da vez, porque tem valorização patrimonial e o rendimento - aluguel muito superior à Selic, chegando a quase 250% do CDI, então muita gente está comprando imóvel para renda, e estamos começando a perceber esse movimento”, comemora.

Na última pesquisa do Secovi, em julho, o preço do m² de imóveis residenciais (apartamentos) usados para locação no Recife variava entre R$ 14,69 e R$ 51,97.

Teresa Maia
Felipe Pacífico, da Tolive - FOTO:Teresa Maia
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Alexandre Frankel, da Housi - FOTO:Divulgação
Teresa Maia
Felipe Pacífico, da Tolive - FOTO:Teresa Maia

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