Combustíveis

Promulgação da nova lei do gás poderá aumentar concorrência com a Petrobras e reduzir preços

Empresas apostam na concorrência para mostrar que poderão ser mais competitivas que a estatal. Em Pernambuco, Shell será concorrente fornecendo para a Copergás

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 07/04/2021 às 21:52
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REPRODUÇÃO/SHELL
Shell e OnCorp são parceiras no projeto de gás em Suape, que vai fornecer para a Copergás - FOTO: REPRODUÇÃO/SHELL
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Os recorrentes aumentos no preço do gás natural anunciados pela Petrobras, reforçam a necessidade da promulgação da nova Lei do Gás para aumentar a competitividade do setor. O projeto já foi votado na Câmara e no Senado e está desde março na mesa do presidente Jair Bolsonaro para sanção. Nesta quarta-feira (7), durante a posse do novo diretor-geral brasileiro de Itaipu, ele chamou de "inadmissível" o reajuste de 39% anunciado pela companhia e que entra em vigor no dia 1° de maio. Bolsonaro disse que enviou um projeto de lei à Câmara dos Deputados para dar transparência a política de preços dos combustíveis e que deverá ser pautado em 15 ou 20 dias. 

Enquanto isso, o setor também aguarda a nova regulamentação do mercado de gás, que terá o poder de tirar o monopólio das mãos da Petrobras. No Estado, a Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) se antecipou ao processo e realizou uma chamada pública para contratar outra fornecedora de gás além da Petrobras para 2022 e 2023. A vencedora foi a Shell, que será responsável pelo suprimento de gás, enquanto a holding brasileira OnCorp, controlada por acionistas norte-americanos radicados no País, será responsável pela operação do terminal de gás. 

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A chamada pública foi concluída em dezembro e a expectativa é que o contrato entre a Copergás e a Shell seja assinado ainda em abril. A Shell vai fornecer 750 mil m³ de gás em 2022 e 1 milhões de m³ em 2023. A companhia vai atuar com Gás Natural Liquefeito (GNL), que será importado dos Estados Unidos, Trindad Tobago e África em navios e será regaseificado em um terminal estruturado no Porto de Suape. No terminal ele voltará a forma gasosa e entrará nos dutos para ser distribuído. 

Segundo informações de mercado, o GNL é mais barato do que o gás produzido pela Petrobras, porque o produto da estatal tem origem nos campos do pré-sal, que é mais caro. Além disso, a petrolífera detém o monopólio do gás até que a nova regulamentação seja sancionada.   

"A promulgação da lei vai ajudar a destravar o mercado. A Copergás, por exemplo, fez um movimento importante e vanguardista, contratando gás a uma nova empresa e deixando de ficar 100% dependente da Petrobras. Acreditamos que com a entrada em vigência do contrato da Shell, em 2022, a estatal não poderá mais realizar reajustes tão bruscos, sob pena de sepultar suas chances de concorrer", observa o diretor da OnCorp, João Mattos. 

O executivo também adianta que a empresa está participando de concorrendo a chamada no Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará, com volumes combinados de mais de 1 milhão de metros cúbicos por dia. A intenção é distribuir o GNL para os estados nordestinos a partir de Suape.  

INDÚSTRIA

O projeto da Shell em Pernambuco é o primeiro da companhia fora do eixo Rio-São Paulo. A expectativa é que o contrato represente 40% do suprimento da Copergás. Com a maior concorrência, a proposta também é alavancar o fornecimento de gás para a indústria e contribuir para turbinar o desenvolvimento econômico.  

"São players que querem ter um acesso maior ao gás natural, mas não conseguem porque não existe volume suficiente ou porque o preço é muito alto. A partir da utilização do gás é possível aumentar a produção industrial, além de estimular outros projetos de energia a custo mais baixo e menos poluentes (termelétricas). O gás natural pode virar a chave de um crescimento industrial regional e nacional", defende João Mattos. 

Em Pernambuco, por exemplo, o parque industrial conta com 15 mil empresas, mas apenas 106 utilizam o gás natural, sobretudo as grandes e as exportadoras. 

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