Covid-19

Representantes do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco queixam-se de prorrogação das medidas restritivas

Comissão de Desenvolvimento Econômico da Alepe promoveu reunião nesta quarta-feira (2) para discutir medidas restritivas em Pernambuco e impacto no Polo de Confecções

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 03/06/2021 às 10:02
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EDMAR MELO/ACERVO JC IMAGEM
As feiras do Polo de Confecções do Agreste estão inclusas nestas restrições e não poderão funcionar nos sábados, domingos e segundas-feiras - FOTO: EDMAR MELO/ACERVO JC IMAGEM
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A prorrogação das medidas restritivas em Pernambuco e os impactos para o Polo de Confecções do Agreste foram discutidos na reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) desta quarta-feira (2). Na ocasião, representantes do setor produtivo queixaram-se da prorrogação das restrições no agreste até 13 de junho. Também apresentaram algumas sugestões para o combate à pandemia na região e algumas flexibilizações. 

Participaram da reunião os membros da comissão, a secretária-executiva de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Ana Paula Vilaça e representantes de organizações como a Associação dos Sulanqueiros de Caruaru, Parque das Feiras de Toritama, Associação Comercial e Empresarial (Acic) de Caruaru e Associação Pernambucana de Atacadistas de Tecidos, Artigos de Armarinho e Confecções (Apatec).

Na 2ª macrorregião de Pernambuco, que contempla as 4ª e 5ª Geres, com sedes em Caruaru e Garanhuns, respectivamente, e em 12 municípios da Zona da Mata, as atuais medidas restritivas foram prorrogadas até o próximo dia 13 de junho pelo Governo de Pernambuco.

Na região, apenas as atividades chamadas de permitidas podem funcionar, como supermercados, padarias, mercadinhos, postos de gasolina e farmácias. Os restaurantes só poderão atuar no esquema de delivery. 

As feiras do Polo de Confecções do Agreste estão inclusas nestas restrições e não poderão funcionar nos sábados, domingos e segundas-feiras. Pelo fato da Feira da Sulanca funcionar nas segundas-feiras, o Delivery Sulanca foi reativado. 

"As medidas restritivas causam grande impacto econômico e afetam também o Governo, pois reduzem a arrecadação. A gente vem tentando dialogar e apoiar os setores econômicos por meio de linhas de crédito e prorrogação de impostos. É uma missão difícil, para garantir o atendimento no sistema público de saúde" afirmou Ana Paula Vilaça.

A secretária apresentou os números da pandemia da covid-19 no Agreste. O governo estadual entrou em estado de alerta a partir do crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) no mês de abril.

De acordo com ela, na primeira semana de março (7 a 13 de março), a Semana Epidemiológica nº 9, houve 129 registros, enquanto que na segunda semana de maio (9 a 15 de maio), a Semana Epidemiológica nº 20, o número subiu para 430 notificações. 

Neste mesmo período, as solicitações por leitos de UTI subiu de 122 para 365. "O patamar que a gente atingiu neste ano é extremamente superior ao que vivemos em 2020. Chegamos a um pico que provocou uma fila por vagas, o que queríamos evitar", afirmou a secretária.

No final de maio, apesar da interrupção da aceleração da covid-10 na região, com indicadores de casos e solicitação de leitos estáveis, a região ainda continua com muitas internações que acabam pressionando o sistema de saúde. "A gente atingiu uma estabilidade na alta, um platô na alta, e esses números não vem caindo. Por isso que a gente não consegue ainda no momento flexibilizar", disse Ana Paula. 

Ana Paula Vilaça reafirmou que o Plano de Convivência com a Covid-19 está passível de revisão a qualquer momento, a depender dos números da pandemia em cada região. "A gente tenta conciliar os interesses sociais e econômicos com as medidas restritivas. Fecha primeiramente só no final de semana, faz restrições de horário durante a semana até chegar ao que o agreste está vivendo que é, digamos, esse fechamento quase que total por conta desses números", disse.

 

Discussão

O conselheiro da Associação Comercial e Empresarial (Acic) de Caruaru Luverson Ferreira solicitou o escalonamento dos horários das atividades econômicas e a descentralização das restrições, para que não fiquem concentradas apenas em uma região.

"Falando sobre a Macrorregião 2, são 2,5 milhões de habitantes, o que dá mais ou menos 26% da população do estado de Pernambuco. Você fechar uma região que equivale a 26% do estado vai responder ou dar minimamente um ganho na área das UTIs, um desafogo no sistema em detrimento por exemplo a macrorregião que Recife está incluindo, que são 6 milhões de habitantes que dá 65%, então a gente tem aqui o agreste fechado e tem a região Metropolitana aberta. Eu não vejo que seja uma medida até, sem entrar no âmbito técnico da saúde, mas da parte racional e lógica que é um pouco que a gente entende por sermos empresários da região", disse Luverson. 

Ele defendeu também que os shoppings centers cumprem todas as medidas sanitárias e, por isso, poderiam funcionar normalmente. 

"É uma região de alta informalidade, mas, no final das contas, apenas o setor formal fica fechado. Em 2020, ficamos 60 dias fechados sem motivo técnico que justificasse", afirmou Luverson. 

Já o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindloja) de Caruaru, Manoel Santos, cobrou a adoção de planos preventivos pensados em parceria com a prefeitura e a população. "As pessoas não estão dando sua contribuição, que é fazer distanciamento social e usar máscaras", disse.

"Estamos fechando estabelecimentos que cumprem protocolos e deixamos abertos os que não cumprem", disse o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caruaru, Adjar Soares.

O diretor da Associação Comercial e Industrial de Toritama (Acit), Antônio Manzarra, e o presidente da Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe (Ascap), Josivan Oliveira, pediram reforço na vacinação no agreste.

O síndico do Moda Center de Santa Cruz do Capibaribe, João Gomes Filho queixou-se do fato de outros polos têxteis concorrentes em outros estados estarem funcionando, como em Fortaleza (CE), Goiânia (GO) e São Paulo (SP). 

Segundo João Cândido da Costa Filho, da Associação Pernambucana de Atacadistas de Tecidos, Artigos de Armarinho e Confecções (Apatec), o setor de confecção do Agreste emprega 300 mil pessoas.


Ela sugeriu uma nova reunião na próxima semana para reavaliar a situação.  

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