Greve dos caminhoneiros

"Consumidor não deve correr para os postos", alerta presidente do Sindicombustíveis sobre caminhoneiros

Postos têm estoques para abastecer o consumo por até três dias, além da facilidade de reposição, em caso de uma pouco provável greve dos caminhoneiros, planejada para esta segunda (1º)

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 31/10/2021 às 14:36
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A partir desta segunda (1º) valor médio dos combustíveis definido pelo governo do Estado aumenta - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Não precisa correr para os postos de combustíveis, achando que vai ficar com o tanque do carro vazio, por conta de uma pouco provável greve dos caminhoneiros. A orientação é do presidente do sindicato que representa os empresários dos postos de combustíveis em Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos. Na avaliação dele, a greve programada para acontecer nesta segunda-feira (1º), não terá adesão suficiente para ocorrer. Neste caso, gerar demanda por combustíveis sem necessidade só vai atrapalhar e poderá gerar um desabastecimento momentâneo. O melhor a fazer a manter a normalidade.

De acordo com o Sindicombustíveis-PE, os postos têm estoques para atender o consumo do Estado por até três dias, sem falar na rápida condição de reabastecimento, graças a proximidade com o Porto de Suape, onde estão concentradas as distribuidoras de combustíveis. 

GUGA MATOS /ACERVO JC IMAGEM
Num momento em que o governo do Estado pede sacrifício pra toda a sociedade, arrebenta pra quem está produzindo e tem que pagar as contas", criticou Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco - GUGA MATOS /ACERVO JC IMAGEM

"Toda a vez que a Petrobras aumenta os valores dos combustíveis a gente volta a falar sobre este greve dos caminhoneiros. Eu, particularmente, não acredito que ela venha acontecer. Em alguns pontos deve ter alguma movimentação, mas que não vem atrapalhar o abastecimento de ninguém. Os postos estão abastecidos e Suape é muito próximo, oferecendo condições de a gente abastecer o Estado todo de forma rápida. Sobre aumentar a demanda, a gente pede que as pessoas não façam isso, porque se houver essa movimentação pode trazer, momentaneamente, algum desabastecimento", observa Ramos. 

Pernambuco tem aproximadamente 1.600 postos de combustíveis em funcionamento, sendo 200 só no Recife e 455 na Região Metropolitana do Recife. Os estoques nos estabelecimentos não são altos, mas são suficientes para atender os clientes por dois ou três dias. Como existe a comunidade de reabastecimento rápido em Suape não há necessidade de ter custo para manter os estoques altos. 

Insatisfeitos com os constantes aumentos nos preços dos combustíveis, a expectativa é que os caminhoneiros autônomos parem os veículos nesta segunda. Apesar do descontentamento da categoria, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirmou, em nota divulgada sexta-feira (29), que após realizar uma consulta aos sindicatos, que "não há adesão para qualquer movimento de paralisação ou greve e que uma paralisação neste momento impactaria negativamente ainda mais a vida do caminhoneiro autônomo, além de trazer reflexos nefastos para a sociedade e para a economia do País", diz a entidade, por meio de nota.   

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A Justiça também já se antecipou ao movimento e proibiu o bloqueio das estradas no País. A decisão beneficia os acessos ao Porto de Santos (SP), ao Porto de Suape (PE), além de rodovias de São Paulo, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

A decisão da juíza federal substituta Marina Sabino Coutinho, da 1ª Vara de São Vicente, estabeleceu uma multa diária de R$ 10 mil para pessoas físicas e R$ 100 mil para pessoas jurídicas caso as estradas e rodovias que ligam o Porto de Santos a cidades de Santos e São Vicente sejam bloqueados por caminhoneiros durante a paralisação do dia 1º e nos sete dias seguintes.

AUMENTAR PARA DEPOIS CONGELAR 

Nesta segunda-feira também começa a valer o novo preço médio dos combustíveis em Pernambuco. O governo aumentou em cerca de R$ 0,09 o valor da gasolina, em R$ 0,05 o diesel e em R$ 0,02 o etanol. Após anunciar o aumento, os secretários da fazenda de todo o País decidiram, por unanimidade, congelar o valor do preço médio por Estado, durante um período de 90 dias. A aprovação da medida aconteceu, na quinta-feira (28), durante reunião virtual do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).   

"Como o mercado é livre, os empresários têm a opção de repassar o reajuste ao consumidor ou não. Vale salientar que em relação ao mercado internacional, os combustíveis no Brasil ainda estão com uma defasagem grande de US$ 0,28 no diesel e perto de US$ 0,15 na gasolina. Isso quer dizer que a qualquer momento pode disparar outro gatilho da Petrobras e resultar em novos aumentos", destaca Ramos.

O presidente do Sindicombustíveis-PE critica a guerra de narrativas entre o governo do Estado e o governo Federal e acredita que o cenário ainda vai continuar tenso para o setor. "Se o governo estadual defende que não aumenta o imposto e o que aumenta é a política da Petrobras, para que o congelamento (do preço médio)? Antes da pandemia,  durante dois anos o governo congelou a pauta fiscal em um alto patamar. A gente prevê dias com dificuldade para o setor. O acirramento político faz com que as reformas não sejam aprovadas e isso tem efeito sobre o dólar. Sem falar que no mercado internacional a Opep diminuiu a extração de petróleo durante a pandemia e não retornou aos patamares anteriores com a retomada, o que também afeta o mercado global", observa Ramos. 

Na prática, infelizmente, o consumidor não deve esperar queda nos preços dos combustíveis no curto prazo.       

  

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