Investimentos

Conclusão das obras da Refinaria Abreu e Lima consolida Suape como o porto movimentador de combustíveis

Além da movimentação portuária aguardada para o pós-conclusão, geração de empregos e movimentação econômica vão dinamizar o Estado

Adriana Guarda
Adriana Guarda
Publicado em 26/11/2021 às 18:38
DIVULGAÇÃO/SUAPE
Com as novas certificações alcançadas, o Porto de Suape busca o caminho investimentos que assegurem seu crescimento. - FOTO: DIVULGAÇÃO/SUAPE
Leitura:

A conclusão das obras da Refinaria Abreu e Lima, que vai receber US$ 1 bilhão (quase R$ 5 bilhões) do Plano de Negócios das Petrobras, vai consolidar Suape como um porto de movimentação de combustíveis. Em 2020, das 25 milhões de toneladas de cargas movimentadas, 17 milhões (68%) foram dos chamados granéis líquidos (combustíveis e óleos). Com a finalização do segundo trem, a unidade de refino vai dobrar sua capacidade de produção e turbinar a movimentação de Suape. Segundo a Petrobras, o investimento no Estado vai representar a geração de 10 mil empregos. Apesar da notícia, os trabalhadores da construção pesada receberam a notícia com cautela. 

O presidente do Porto de Suape, Roberto Gusmão, comemora a complementação do investimento da Petrobras na Refinaria, que vai se somar a outros já engatilhados para o complexo. "O Plano de Negócios da Petrobras, aprovado pelo Conselho, torna obrigatório o investimento. Para Suape é extremamente importante porque vai dobrar a capacidade de movimentação de granéis líquidos, consolidando o porto entre os três mais importantes do Brasil. Isso só com a medida da Petrobras, sem contar os outros empreendimentos previstos. Fora isso, você terá uma retomada importante do emprego, com uma presença forte da construção dentro do complexo, que vai acarretar um volume de negócios importante para esse momento de retomada da economia", destaca. 

Gusmão diz que os combustíveis fósseis ainda terão importância na matriz energética mundial, a médio prazo, e a Refinaria terá sua importância. O presidente de Suape observa, ainda, o avanço ambiental com a conclusão da obra. Ele lembra que o pacote de investimento da Petrobras para a Rnest prevê a construção da obra da Snox (unidade de abatimento de gases na atmosfera), que vai melhorar a qualidade do ar. A obra é parte do primeiro trem da Refinaria e é aguardada há anos. Segundo a Petrobras, a licitação está em andamento e o nome da empresa vencedora será divulgado em breve. 

Suape tem investimentos previstos da ordem de R$ 35 bilhões, que incluem projetos como os do hidrogênio verde, Transnordestina, terminal de regaseificação e outros. Outra resolução que vai garantir fôlego a Suape é o reequilíbrio do contrato com o Terminal de Contêineres (Tecon Suape), que passará a ter preços mais competitivos no mercado nacional. O projeto do Tecon 2 está em stand by e voltará a ser discutido quando a demanda voltar a ficar aquecida ou quando Suape se tornar um hub regional, com volume de cargas suficiente para justificar a existência de dois terminais.

Trabalhadores cautelosos 

Os trabalhadores da construção pesada em Pernambuco receberam com cautela a notícia de retomada das obras da Refinaria, com previsão de gerar 10 mil empregos nos próximos 4 anos. Não se trata de pessimismo, mas de receio com a proximidade do ano eleitoral. Outro motivo é o histórico nas relações das empreiteiras contratadas pela Petrobras com os operários. De acordo com o Sindicato da Construção Pesada em Pernambuco (Sintepav-PE), existem menos de 10 mil trabalhadores atualmente no setor, em função do grande número de obras paralisadas no Estado (1.754).

"Recebemos esta notícia com muita cautela, porque apesar de ser uma noticia verdadeira pode ter a intenção de criar uma expectativa e, com isso, conseguir votos em 2022. Agora se realmente vier será ótimos, porque Pernambuco está precisando muito de empregos e de investimentos", diz o presidente do Sintepav-PE, Aldo Amaral, ponderando a apreensão dos trabalhadores sobre a intenção do governo Federal de vender a Petrobras. 

Além do receio de capitalização política do investimento, os trabalhadores também recordam as relações turbulentas entre as empresas contratadas pela Petrobras e as relações com os operários. Muitas deixaram o Estado com débitos trabalhistas e fizeram encher a Justiça de processos e o Ministério Público do Trabalho (MPT) de denúncias. Um dos exemplos mais conhecidos foi o da Alusa, que faliu e saiu da obra da Abreu e Lima, deixando os trabalhadores sem receber suas verbas rescisórias. 

Iniciado em 2014, o processo com a Alusa se estende até hoje, com o parcelamento das verbas rescisórias dos trabalhadores. Aldo diz que, com a atuação do Sindicato, a expectativa é que todos os ex-funcionários da Alusa recebam até o final de 2022. Isso significa 8 anos de espera. "Torcemos para que os empregos existam, porque as pessoas estão perdendo a esperança e o trabalho traz dignidade às pessoas", afirma Aldo.  

 

Comentários

Últimas notícias