MERCADO DE TRABALHO

Pernambuco renova marca e tem a pior taxa de desocupação do Brasil

Números da PNAD Contínua do terceiro trimestre apontam que crescimento da ocupação no Estado foi insuficiente para melhorar a fotografia do mercado de trabalho local

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 30/11/2021 às 10:35
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LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
DESEMPREGO Pandemia agravou situação fragilizada do mercado de trabalho, com mais gente procurando vagas - FOTO: LEO MOTTA/ACERVO JC IMAGEM
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Pernambuco renovou a marca de estado brasileiro com maior taxa de desocupação. O feito negativo, já alcançado no segundo trimestre de 2021, voltou a figurar nas estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do terceiro trimestre deste ano. Embora, na comparação entre trimestres, tenha havido uma redução do percentual, o Estado segue com o mercado de trabalho em situação crítica. Do total da população em idade de trabalhar, 19,3% estava desempregada, contra 21,8% no 2º trimestre deste ano.

No País, a taxa ficou em 12,6%, atingindo 13,5 milhões de pessoas, o que representa um recuo de 2,2 pontos percentuais frente ao terceiro trimestre de 2020 (14,9%). A média nacional veio bem abaixo do registrado em Pernambuco. Por aqui, mesmo com avanço da informalidade e de empregados no setor privado, o Estado não conseguiu reverter o quadro de estagnação da desocupação. 

Em relação ao trimestre imediatamente anterior, houve uma redução, que ainda assim não foi suficiente para retirar o Estado do papel de protagonista do desemprego. Em números absolutos, 806 mil pernambucanos procuraram emprego entre julho, agosto e setembro e não encontraram, uma redução de 11%, ou cem mil desempregados a menos em relação ao trimestre anterior.  No terceiro trimestre do ano passado, a taxa de desocupação havia sido a mesma do terceiro trimestre desse ano: 19,3%. J

Já o número de pessoas ocupadas em Pernambuco subiu de 3, 259 milhões pessoas no 2º trimestre deste ano para 3,374 milhões trabalhadores no terceiro trimestre, o que equivale a um aumento de 3,6%, ou 116 mil pessoas a mais. Em relação ao mesmo período de 2020, o avanço da população ocupada, seja formalmente ou informalmente, foi de 13,6%.

De acordo com o IBGE, há no Estado um número de pessoas maior voltando a procurar emprego, o que contribui para um aumento substancial da taxa de desocupação. Os desalentados, aqueles que desistiram de buscar uma vaga no mercado de trabalho, apresentaram uma redução de 15,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Em relação ao terceiro trimestre de 2020, a queda foi de 19%, no período do ano passado o número de desalentados de 408 mil pessoas. Agora, são 329 mil. 

A população desalentada está fora da força de trabalho e não realiza busca efetiva por trabalho pelas seguintes razões: não conseguir trabalho, ou não ter experiência, ou ser muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho em sua localidade e que, se tivesse encontrado trabalho, estaria disponível para assumir a vaga. Esse contingente foi justamente o que reduziu no Estado, elevando, por sua vez, o número de pessoas em busca de vagas - os desocupados. 

Mesmo para quem está inserido no mercado de trabalho, Pernambuco ainda não mostra uma amadurecimento da recuperação de postos. O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos das pessoas ocupadas em Pernambuco foi de R$ 1.715, o menor desde 2018. No 2º trimestre de 2021, essa renda havia sido de R$ 1.878. Já no 3º trimestre de 2020, o valor era maior ainda: R$ 1.964.

O número de empregados do setor privado cresceu 7,3% no acumulado de julho, agosto e setembro frente ao trimestre anterior, chegando a 1,5 milhão de pessoas, um saldo de 103 mil pessoas a mais. O maior impacto no mercado de trabalho ficou com os trabalhadores sem carteira assinada, que aumentaram 11,3% entre o segundo e o terceiro trimestres de 2021, chegando a 546 mil pessoas. A atividade econômica que mais absorveu esses trabalhadores foi o comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, cujo contingente de trabalhadores aumentou 11,6%, passando de 648 mil para 724 mil pessoas.

Seguindo o mesmo embalo, a taxa de informalidade avançou e continua a atingir mais da metade da população ocupada no Estado. No terceiro trimestre, o percentual foi de 52,2%, quando no trimestre imediatamente anterior o resultado havia sido de 51,2%. O percentual atual equivale a 1,760 milhão de pessoas, colocando o Estado em oitavo lugar nacional no ranking dos informais. O Brasil, por sua vez, tem uma taxa de informalidade mais de dez pontos percentuais mais baixa: 40,6%.


 

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