Presidente do Sri Lanka deve renunciar na próxima quarta-feira (13)

Centenas de milhares de pessoas se reuniram desde a manhã em Colombo, a capital, para exigir que o presidente, Gotabaya Rajapaksa, assuma a responsabilidade pela crise econômica
Ana Maria Miranda
Publicado em 09/07/2022 às 18:00
Manifestantes chegaram a tomar banho em piscina do palácio presidencial Foto: AFP


Da AFP

O presidente do Sri Lanka anunciou neste sábado (9) que renunciará na próxima quarta-feira, após uma multidão enfurecida o obrigar a fugir de sua residência, levando a seu ápice a crise desencadeada pelo colapso econômico do país.

Centenas de milhares de pessoas se reuniram desde a manhã em Colombo, a capital, para exigir que o presidente, Gotabaya Rajapaksa, assuma a responsabilidade pelos desequilíbrios financeiros que arruinaram esse país insular do sul da Ásia.

Centenas deles forçaram sua entrada no palácio presidencial, o que levou Rajapaksa a deixar o local às pressas.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram os invasores vagando pelos corredores do prédio e alguns deles tomando banho na piscina do local.

"O presidente foi escoltado para um lugar seguro", disse uma fonte militar à AFP. "Ele segue sendo o presidente e está sob a proteção de uma unidade militar", acrescentou.

Para garantir sua evacuação, os militares tiveram que disparar vários tiros para o alto, mantendo a multidão afastada.

AFP - Manifestantes na área do palácio presidencial do Sri Lanka

Pouco depois, os gabinetes da presidência, no distrito administrativo, também caíram nas mãos dos manifestantes.

Além disso, a residência privada do primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, foi atacada e incendiada.

À noite, o presidente do Parlamento anunciou na televisão que "para garantir uma transição pacífica, o presidente disse que apresentaria sua renúncia em 13 de julho".

Primeiro na linha de sucessão, o primeiro-ministro Wickremesinghe convocou uma reunião de emergência com líderes de outros partidos e afirmou que estava disposto a renunciar para permitir a formação de um governo de unidade nacional.

Nas últimas semanas, as manifestações para exigir a renúncia do governo tiveram uma grande aderência.

Rajapaksa é apontado como o principal responsável pela maior crise desde a independência do país em 1948, que combina uma inflação galopante com uma grave escassez de combustível, eletricidade e alimentos.

A ONU estima que cerca de 80% dos 22 milhões de cingaleses não consigam fazer todas as refeições.

Segundo economistas, o colapso deve-se à pandemia de covid-19, que privou a ilha dos rendimentos do setor de turismo e foi agravada por más decisões políticas.

Em abril, o Sri Lanka se declarou em suspensão dos pagamentos de sua dívida pública de 51 bilhões de dólares e iniciou negociações de resgate financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Porém, analistas temem que o programa imponha aumentos de impostos e alimente a ira popular.

De acordo com informações médicas, três pessoas ficaram feridas por arma de fogo quando as forças de segurança tentaram dispersar o protesto no setor administrativo de Colombo e 36 receberam atendimento devido aos efeitos do gás lacrimogêneo.

Na sexta-feira, as forças de segurança impuseram um toque de recolher na tentativa de dissuadir os manifestantes de irem às ruas.

No entanto, esta medida foi levantada depois que partidos da oposição, ativistas de direitos humanos e a ordem dos advogados ameaçaram processar o chefe de polícia.

Segundo as autoridades, cerca de 20 mil soldados e policiais foram enviados a Colombo para proteger o presidente.

No entanto, o toque de recolher foi ignorado e alguns manifestantes até mesmo obrigaram as autoridades ferroviárias a levá-los de trem para Colombo para participar da marcha.

Em maio, nove pessoas foram mortas e várias centenas ficaram feridas nos distúrbios.

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