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'Investigação e esclarecimento devem acontecer no prazo mais breve possível', diz governador de Pernambuco sobre morte de Miguel

De acordo com Paulo Câmara, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado já entrou em contato com a família da criança e vai acompanhar o caso

JC
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Publicado em 04/06/2020 às 23:17
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GOVERNADOR Para abrir espaço para aliados do PSB, Câmara não poderá concorrer ao Senado em 2022 - FOTO: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM
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Atualizada às 12h30 do dia 5 de junho

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), manifestou-se na noite desta quinta-feira (4) sobre a morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, 5 anos, que caiu do nono andar do prédio onde sua mãe trabalhava como empregada doméstica, no Centro do Recife, na terça-feira (2).  Em mensagem divulgada nas redes sociais, o gestor afirmou que a investigação e esclarecimento do caso “devem acontecer no prazo mais breve possível”.

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De acordo com Paulo Câmara, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado já entrou em contato com a família da criança e vai acompanhar o caso. 

“A morte do pequeno Miguel Otávio, trágica perda para a família, consterna a todos nós. Estamos tristes e comovidos, neste momento de luta pelo respeito à vida. Manifestamos aos familiares nossa solidariedade e profundo pesar. Mais do que isso, colocamos à disposição a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, que contactou a família e vai acompanhar o caso. Investigação e esclarecimento devem acontecer no prazo mais breve possível”, escreveu o governador.

O menino era filho de Mirtes Renata Santana de Souza, empregada doméstica de um dos apartamentos do edifício. A patroa dela, Sarí Côrte Real, esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), foi presa em flagrante e liberada, após pagamento de fiança, por ter deixado Miguel sozinho dentro do elevador do prédio. Ao sair, a criança caiu de uma altura de 35 metros. O fato aconteceu na tarde da última terça-feira (2), quando Mirtes deixou o filho sob a responsabilidade da patroa e desceu para passear na rua com o cachorro da família. Ao voltar para o prédio, ela se deparou com o filho praticamente morto. Miguel ainda foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos provocados pela queda.

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Acervo pessoal
Miguel Otávio tinha apenas 5 anos - Acervo pessoal

 

O delegado Ramón Teixeira não nega que a responsabilidade legal pela criança naquele momento era da proprietária do apartamento, mas entende que isso não é suficiente para classificar como um homicídio com dolo eventual. E admite que o envolvimento da moradora só começou a ser investigado porque parentes afirmaram que a mãe da criança tinha deixado o filho aos cuidados da patroa e de uma manicure antes de descer para passear com o cachorro. “Foi por isso que resolvemos investigar os passos do garoto até o momento em que ele entra no elevador, chegando à responsabilidade da moradora”, disse.

Na videocoletiva para a imprensa, a Polícia Civil explicou que o garoto, já dentro do elevador, seguiu sozinho até o sétimo andar. A porta abriu, mas ele não desceu. No nono andar, decidiu sair. Tudo comprovado por imagens do circuito de TV do condomínio. “A perícia detalha que a criança sai do elevador de serviço e caminha pelo corredor até uma janela. Consegue passar pela janela, escalando uma altura de 1,2 metro, e cai na área onde ficam os exaustores dos equipamentos de ar-condicionado dos apartamentos daquele andar. Acredita-se que, lá de cima, ele possa ter visto a mãe passeando com o cachorro na rua. Então sobe no parapeito de alumínio, que não suporta o peso e quebra, fazendo com o garoto seja lançado a uma altura de 35 metros”, detalhou o delegado.

O corpo de Miguel foi enterrado nessa quarta-feira (3), em Bonança, distrito do município de Moreno, na Região Metropolitana do Recife. 

Os moradores do Edifício Píer Maurício de Nassau, no bairro de São José, Centro do Recife, onde ocorreu a morte do menino, lamentaram a tragédia. Em nota de pesar enviada à imprensa nesta quinta-feira (4), o grupo afirmou que, desde o ocorrido, se colocou à inteira disposição das autoridades, “sempre prestando todas as informações solicitadas para a elucidação do caso”, e se solidariza com a família da criança.

Entidades realizam protesto

Um protesto será realizado por movimentos sociais, nesta sexta-feira, às 15h, em frente às Torres Gêmeas, como é conhecido o Condomínio Píer Maurício de Nassau, onde Miguel morreu. A concentração acontecerá em frente ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, situado na Praça da República, bairro de Santo Antônio, às 13h. A partir das 14h, o grupo sairá em direção ao prédio. Às 15h, manifestantes se encontrarão com a família do menino.

Uma das entidades presentes é o Movimento Negro Unificado (MNU), atuante desde 1978 no Brasil contra o racismo. Para o coordenador Jean Pierre, de 29 anos, Miguel foi vítima do racismo estrutural, conjunto de práticas de uma sociedade que frequentemente coloca um grupo social ou étnico em uma posição melhor para ter sucesso e ao mesmo tempo prejudica outros. "A gente entende como racismo estrutural o não seguimento das regras da Organização Mundial de Saúde e dos órgãos públicos, porque serviço doméstico não é essencial neste momento [de pandemia do novo coronavírus]. Além disso, foi uma pessoa branca, de família rica, que vai responder em liberdade. E se fosse ao contrário?", questionou.

Prefeito de Tamandaré diz estar "profundamente abalado"

Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura de Tamandaré informou que o prefeito do município, Sérgio Hacker Corte Real, se encontra "profundamente abalado" pela morte de Miguel. O gestor é casado com Sari Corte Real, que foi responsabilizada por deixar a criança sozinha no elevador antes de cair de uma altura de 35 metros. Ainda em nota, a Prefeitura afirmou que Sérgio vai prestar informações aos órgãos competentes "no momento próprio e de forma oficial".

Confira nos vídeos abaixo a cobertura da TV Jornal sobre o Caso Miguel

O caso

Câmeras mostram menino no elevador

Dor na despedida

Mãe soube de carta pela imprensa

Acervo pessoal
Miguel Otávio tinha apenas 5 anos - FOTO:Acervo pessoal

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