PROBLEMAS ESTRUTURAIS

Após curtos-circuitos, funcionários denunciam preocupação com incêndios no Hospital Agamenon Magalhães, no Recife

Unidade acumula série de episódios causados por problemas estruturais. HAM argumenta que equipe de engenharia e manutenção atua permanentemente na vistoria dos sistemas de ligação elétrica do serviço

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 03/02/2021 às 12:04
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Hospital Agamenon Magalhães (HAM), localizado no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Um princípio de incêndio causado por um curto-circuito no Hospital Agamenon Magalhães (HAM), localizado no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife, no último domingo (31), foi o estopim para que funcionários denunciassem a preocupação com a sisteme elétrico da unidade. Segundo o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), o problema aconteceu na tomada onde estava ligado um aparelho de ar condicionado que fica acima da cama de um dos profissionais do centro obstétrico. Ninguém ficou ferido, mas não é a primeira vez que acontecem episódios envolvendo problemas estruturais no HAM, gerido pelo Governo do Estado.

De acordo com o Simepe, na última quarta-feira (27) a caixa do ar-condicionado de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HAM com 18 pacientes pegou fogo, e a fumaça entrou na sala.

Em junho de 2020, um princípio de incêndio ocorreu na UTI destinada ao tratamento de pacientes com a covid-19 no segundo andar do hospital. A sala abrigava, pelo menos, 20 pacientes quando o acidente aconteceu. Na época, a direção do HAM informou que as chamas teriam sido provocadas por um problema "pontual" na régua de alimentação de gases. O fogo causou um corte de energia elétrica que levou os monitores dos pacientes entubados a apagar. Funcionários quebraram janelas para a fumaça sair e, assim, conseguiram retirar os internados do andar.

Dois dias depois, a unidade de saúde sofreu uma queda de energia no momento em que duas cesáreas — intervenção cirúrgica para realizar partos — eram feitas. Recém nascidos que estavam na UTI Neonatal precisaram receber respiração manual até que o problema fosse resolvido. Antes do fim da noite, a energia elétrica já havia retornado. Não foi preciso remover os pacientes da ala. 

Nas três ocasiões, ninguém foi ferido pelo fogo.

Sobre o incidente desse domingo, o Simepe afirmou, por nota, que já alertou inúmeras vezes sobre o risco e a urgência de medidas efetivas para o problema elétrico da Unidade e foi a público "cobrar a direção do Hospital e o Governo do Estado um plano de reparos para que, de maneira definitiva, sejam corrigidas as falhas graves na elétrica do hospital".

"É um risco muito grande para os profissionais e também para os paciente. A gente está denunciando os princípios de incêndio que estão acontecendo de formas repetitivas e que vão continuar acontecendo. A gestão pode alegar que tem feito manutenções, mas não está sendo efetiva", afirmou o vice-presidente do Simepe, o médico pediatra Walber Steffano.

Por sua vez, a Superintendência de Engenharia e Manutenção do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) confirma o caso e defende que técnicos agiram rapidamente para iniciar a recuperação total do circuito elétrico. Por nota, diz que o curto foi devido a uma sobrecarga de energia que resultou no aquecimento da tomada, mas que o ocorrido não interferiu no funcionamento da unidade. O trabalho de manutenção foi concluído na segunda-feira (1º). Por fim, o HAM defende que "a equipe de engenharia e manutenção atua permanentemente na vistoria dos sistemas de ligação elétrica do serviço, com análise da área e dos equipamentos."

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