MULHERES QUE FAZEM A DIFERENÇA

Mirtes Ramos é destaque na Educação Infantil por inovar em sala de aula

Com vários prêmios na bagagem, educadora conta que precisou vencer barreiras preconceituosas para facilitar ensino aos alunos

JC
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Publicado em 13/03/2021 às 7:50
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LUISI MARQUES/JC IMAGEM
Para nós, educadoras, a pandemia é um desafio a mais. Como fazer uma atividade a distância com uma criança de 2 anos? Fui atrás de materiais do cotidiano, porque a criatividade de uma criança não cabe numa folha A4. E quem fazia a ponte entre escola e alunos eram as mães e as avós", destaca Mirtes Melo, professora do Ensino Infantil - FOTO: LUISI MARQUES/JC IMAGEM
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Encontrar formas de aperfeiçoar o aprendizado de alunos no Ensino Infantil tem sido o principal objetivo da professora Mirtes Ramos, 53 anos, durante as mais de três décadas na Educação. Com diversos prêmios na bagagem em reconhecimento às inovações que faz em sala de aula, ela precisou vencer as barreiras impostas pelo machismo desde muito cedo, aos 14 anos, quando começou sua trajetória profissional.

“Quando resolvi fazer meu primeiro magistério, aos 14 anos, tive que superar algumas dificuldades, porque em Camaragibe não tinha essa formação. A primeira barreira foi quebrada dentro da minha casa, porque meu pai não queria que eu fosse para [a cidade vizinha de] São Lourenço estudar. Eu tinha que ficar próximo de casa por causa dos perigos, porque eu era mulher. Com a ajuda da minha mãe, que foi uma mulher guerreira, pude estudar o que eu queria”, relembra Mirtes.

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Hoje, ela enxerga esse apoio como essencial para sua formação. Apesar de estar acostumada a reinventar seus métodos de aprendizagem, Mirtes conta que a pandemia da covid-19 foi um desafio a mais por ter que conciliar suas atividades profissionais em casa com as demais responsabilidades.

“Para nós, educadoras, a pandemia trouxe um trabalho a mais, porque não temos apenas as tarefas domésticas, mas também o cuidado com os filhos. Na maioria das vezes, por uma cultura machista, essas responsabilidades ficam para a mulher. Então, ter que conciliar o trabalho doméstico, estando em casa e pensando nas aulas, no planejamento escolar, tem sido bem difícil. Mas as mulheres sabem fazer bem feito e temos superado isso com a nossa força”, observa.

 

Luisi Marques/JC Imagem
Mirtes utiliza utensílios do cotidiano como panelas, colheres de pau, caixas e papéis, para desenvolver aprendizagem com as crianças da Creche Municipal João Eugênio, na Iputinga - Luisi Marques/JC Imagem

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Ao utilizar utensílios como panelas, colheres de pau, caixas e papéis, já comuns na rotina dos alunos da creche Creche Municipal João Eugênio, na Iputinga, onde trabalha, ela conseguiu manter o ensino remotamente, contando com outra rede de mulheres: as mães e avós das crianças que assiste. Mirtes atualmente acumula os prêmios “Qualidade na Educação Infantil” (2002), “Professores do Brasil - Estadual” (2015), “Professores do Brasil - Regional” (2017), “Educador Nota 10 (2020), além de ser finalista no “Alpha Lumen de Criatividade na Educação” (2020). No ano passado, foi homenageada pela Ordem dos Advogados do Brasil - PE, com a Medalha Heroínas de Tejucupapo, na categoria “Educação”.

Assista ao vídeo e conheça mais sobre a história de Mirtes Ramos: 

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