LUTO

Dor, revolta, emoção e aplausos: a despedida da pernambucana Patrícia Roberta, em Caruaru

O sepultamento da jovem aconteceu no início da noite desta quinta-feira (29)

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 29/04/2021 às 17:56
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TV JORNAL INTERIOR
Uma multidão foi até o Cemitério Dom Bosco para prestar solidariedade à família e aos amigos - FOTO: TV JORNAL INTERIOR
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com informações da TV Jornal Interior

A morte da vendedora Patrícia Roberta Gomes da Silva, 22, deixou a cidade de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, e também a Paraíba de luto. Patrícia foi encontrada morta enrolada em sacos plásticos na última terça-feira (27) em João Pessoa. A despedida aconteceu no início da noite desta quinta-feira (29) no cemitério de Caruaru. Perplexos e revoltados com a forma brutal como a pernambucana foi assassinada, amigos, familiares e até desconhecidos foram prestar as últimas homenagens. 

O corpo de Patrícia foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa no início da tarde, chegou em Caruaru por volta das 16h30, e o carro funerário seguiu para a casa dos avós de Patrícia. 

Por causa do avançado estado de decomposição, o caixão permaneceu lacrado e o velório foi feito de forma rápida. À espera da sobrinha, Verônica Cursino, tia de Patrícia, lembrou a personalidade da jovem.

"O cemitério está lotado de gente. Minha sobrinha era muito querida, amorosa. Isso [o assassinato] foi muita maldade. Ela foi na confiança [para João Pessoa]. Se ela fosse uma pessoa má, ela tinha percebido a maldade, mas ela confiou. Como ela era uma amiga muito verdadeira, pensou que todo mundo era (...) ela tinha muitos sonhos, era inteligente. Não tenho nem palavras", comentou. 

Um dos moradores do bairro onde Patrícia residia afirmou que, apesar de não conhecer a jovem, se compadeceu com a dor da família. "Eu estou comovido nesse momento. Tenho um filho de 18 anos e eu imagino a dor. Minha mãe chorou quando viu o relato do pai. Infelizmente, só Deus. Tem que ter justiça", disse. 

O corpo chegou na rua da casa dos avós de Patrícia por volta das 16h50 sob aplausos. Durante a breve cerimônia fúnebre, houve muito grito, choro e desespero. Em cima do caixão, que permaneceu dentro do carro funerário, uma foto de Patrícia estampava a alegria da jovem. Algumas pessoas presentes precisaram ser amparados no momento da cerimônia. 

Houve muitos aplausos também no momento em que o corpo chegou ao Cemitério Dom Bosco. O sepultamento foi restrito aos familiares e amigos íntimos. Na chegada, o pai de Patrícia, Paulo Roberto, estava bastante abalado. "É se apegar com Deus. Não sei o que vou fazer daqui para frente", desabafou. 

'Era uma pessoa amorosa e prestativa'

A vida de Patrícia Roberta Gomes da Silva, de 22 anos, foi interrompida cedo demais. Definida como amorosa, dedicada e prestativa, ela não teve a chance de perseguir seus sonhos por causa de uma brutalidade. Ao sair de casa, no município de Caruaru, Agreste de Pernambuco, na última sexta-feira (23), para encontrar um amigo em João Pessoa, na Paraíba, ela esperava retornar na segunda-feira (26). Mas isso não aconteceu. A pernambucana fez o último contato com os familiares na tarde do domingo (25), e foi encontrada morta dentro de um saco plástico em uma mata, nesta terça-feira (27).

A jovem terminou os estudos há alguns anos e passou a trabalhar como vendedora em uma rede de cursos técnicos de Caruaru. No futuro, ela desejava realizar o sonho de ser mãe e e abrir um negócio no ramo da estética, conta a prima de Patrícia, Karen Vivian Melo.

"Ela dizia que queria ser mãe, mas não agora porque era muito cedo, e sempre gostou de trabalhar com design de sobrancelhas, de ajeitar cabelo, fazer maquiagem e unhas. Patrícia sempre se interessou muito pela área da beleza, e tinha a intenção de abrir alguma coisa nesse ramo", relata Vivian.

Vivian afirma que Patrícia sempre foi muito presente na vida dos amigos e familiares. "Ela era muito próxima da família, amorosa, uma neta dedicada. Quando a gente se reunia, ela sempre ajudava. Fomos sempre uma família bastante unida. Em almoços, aniversários, ela sempre se prestava a ajeitar a mesa, decorar. Era muito prestativa", diz bastante emocionada.

Patrícia morou em Caruaru por toda a vida. Na escola, a jovem conheceu um garoto que agora é o principal suspeito de assassiná-la. Eles mantinham uma amizade há aproximadamente dez anos. O jovem, um tatuador de 23 anos, se mudou para João Pessoa, na Paraíba, mas eles continuavam mantendo contato pelas redes sociais. À família, a pernambucana não dava detalhes da relação.

"O que a gente [família] sabia sobre ele era muito pouco. A gente só sabia que ela estudou um tempo com ele, que tinham contato, mas não tão íntimo. De uns tempos para cá, ela casou, separou, e voltaram a manter o contato de forma mais presente. Eles trocavam mensagens, ligações, e até aí tudo bem. Mas, de uma hora para outra, ela inventou essa viagem. 'Olhe, mainha, eu vou viajar, vou andar, eu me separei agora há pouco e estou precisando espairecer. Eu vou, é meu amigo'. Aparentemente, ele se mostrava uma pessoa boa e interessada", conta a prima.

A jovem seguiu para João Pessoa na sexta-feira (22) e trocou mensagens com a mãe. Em uma dessas conversas, Patrícia disse que "só queria ir para casa", porque estaria trancada dentro do apartamento do suspeito, onde estava hospedada.

 

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