INVESTIGAÇÃO

MPPE apresenta denúncia contra suspeita de envolvimento na morte de delegado no Agreste

Elisângela Almeida está presa na Colônia Penal Feminina de Buíque, no Agreste

Vanessa Moura
Vanessa Moura
Publicado em 03/05/2021 às 12:02
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ARQUIVO JC IMAGEM
SERVIDORES Órgão quer criar mais cargos efetivos e controlar frequência - FOTO: ARQUIVO JC IMAGEM
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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) apresentou, na sexta-feira (30), uma denúncia contra Elisângela Almeida Alves Santana, de 43 anos, uma das suspeitas de envolvimento na morte do delegado Flávio Anderson Liberato Alves do Nascimento, 32, no município de Jataúba, Agreste do estado. O crime aconteceu no dia 17 de abril, quando o policial foi cumprir mandados de prisão contra a suspeita e seu marido, José Carlos de Santana Rosa Júnior, que também foi assassinado

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O marido de Elisângela seria o suspeito de atirar contra o delegado. Ele e a mulher eram investigados pelo homicídio de um tio dela. No dia da morte de Anderson Liberato, titular da Delegacia de Brejo da Madre de Deus, ele e sua equipe cumpriam mandados de prisão contra os dois em Jataúba. De acordo com o promotor Rolemberg Feitosa, durante entrevista exclusiva à TV Jornal Interior na sexta-feira (30), a Justiça já recebeu a denúncia e Elisângela já é ré.

"Foi constatado que ela participou sim do crime e que eles premeditaram, inclusive, dada à circunstância em que a operação se deu. A gente apresentou a denúncia, a Justiça já recebeu e ela já é ré. Nos próximos 30 dias a gente está dando conclusão neste procedimento. Ela vai ser citada a partir desta segunda-feira (3) e pode apresentar defesa no prazo de dez dias. Lembrando que a denúncia foi apresentada, mas ainda vai haver processo e ao final a gente vai ter a decisão para poder levar ao tribunal de júri popular", informou.

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O promotor de Justiça informou ainda que a investigação que tinha como alvo o casal estava perto de ser concluída. "O delegado, junto com sua equipe, tinha feito uma investigação já preliminar e chegado a esses possíveis autores [do crime de homicídio do tio de Elisângela]. Eles, inclusive, iriam ser presos temporariamente para que as investigações finalizassem nesse sentido. Mas tudo caminhava para esse possível indiciamento de ambos na morte do tio da Elisângela", explicou.

Ainda segundo o promotor, informações preliminares apontam que o delegado havia chegado à residência onde o casal estava, acompanhado de policiais civis e militares, e teria sido alvejado por tiros em um dos cômodos da casa.

"Cercaram a casa e demandaram a saída deles. Eles [os policiais] adentraram a sala da residência. Lá, já contiveram a Elisângela, verbalizaram aonde estaria o seu esposo. A princípio ela disse que não estava e depois disse que estava no quarto. Foi verbalizado dizendo que ele saísse, que a casa estava cercada e sem nenhum tipo de comportamento dele. Ele ficou calado, e eles continuaram verbalizando que os policiais estavam lá. E quando foram adentrar, fazer o ingresso nos cômodos da casa, no último cômodo ele [José Carlos] estava lá. Quando o delegado entrou, segundo as informações, ele já foi atirando no delegado", detalhou. 

Elisângela Almeida está presa na Colônia Penal Feminina de Buíque, também no Agreste. Atualmente, contra a mulher há dois mandados: uma prisão temporária em razão do homicídio do tio e uma prisão preventiva por suspeita de participação no assassinato do delegado.

Morte do delegado e do suspeito

O delegado Flávio Anderson Liberato Alves do Nascimento foi atingido no braço, na coxa e na clavícula. Segundo o secretário de Saúde de Jataúba, a bala que atingiu a clavícula ultrapassou o tórax, perfurou o pulmão e pode ter provocado complicações no coração.

A vítima chegou a ser socorrida para a Unidade Mista Ana Argemira Correia, também em Jataúba, mas ele não resistiu aos esforços feitos pela equipe médica, que tentou estabilizá-lo para que fosse transferido a um hospital do Recife.

O homem suspeito de assassinar o delegado também foi morto a tiros, pouco depois de ter sido baleado pelo próprio policial em Jataúba. Ele estava dentro de uma ambulância do Samu sendo levado para o Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru.

De acordo com a TV Jornal Interior, que esteve no local do homicídio, policiais militares contaram que quando a ambulância em que estava José Carlos de Santana, de 43 anos, passou pela BR-104, homens armados em um carro interceptaram o veículo, exigiram que os profissionais de saúde descessem, e efetuaram vários disparos contra o suspeito.

O promotor de Justiça Antônio Rolemberg oficiou a Secretaria de Defesa Social (SDS) para que todos os passos das investigações relacionadas ao assassinato do delegado e do suspeito do crime sejam informadas ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Segundo Rolemberg, todas as linhas de investigação sobre a morte do suspeito de assassinar o delegado serão apuradas. "Inclusive a possibilidade de ter sido a própria polícia", disse. 

A chefia da Polícia Civil de Pernambuco designou o delegado Eric Cândido, gestor da Divisão de Homicídios do Agreste, para apurar o assassinato do suspeito. Já a investigação do homicídio do delegado está a cargo da delegada Érika Feitosa, titular da Delegacia de Homicídios de Santa Cruz do Capibaribe. 


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