Vítimas

Governo publica portaria que concede benefício para feridos na ação da PM em protesto contra Bolsonaro no Recife

Adevisador Daniel Campelo da Silva e arrumador de contêiner Jonas Correia de França foram atingidos nos olhos e tiveram danos permanentes

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 09/06/2021 às 7:41
GENIVAL FERNANDES/HUGO MUNIZ/DIVULGAÇÃO
O adesivador Daniel Campelo da Silva (direita) , e o arrumador Jonas Correia de França (esquerda) vão receber durante três meses o valor de dois salários mínimos (R$ 2200), enquanto se discute uma pensão vitalícia - FOTO: GENIVAL FERNANDES/HUGO MUNIZ/DIVULGAÇÃO
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Atualizada às 08h34

A Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude de Pernambuco publicou nesta quarta-feira (9) a portaria que trata sobre a concessão de benefício para os dois homens feridos durante o ato contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no dia 29 de maio no Centro do Recife. A informação consta no Diário Oficial de Pernambuco desta quarta-feira (9). 

A pasta publicou "o benefício eventual por situação de vulnerabilidade temporária em decorrência das restrições socioeconômicas determinadas pelas sequelas permanentes de ferimento". O caso aconteceu na Ponte Duarte Coelho, bairro da Boa Vista, área central da capital pernambucana.

O adesivador Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, e o arrumador de contêiner Jonas Correia de França, de 29 anos, vão receber o valor de dois salários mínimos (R$ 2.200) pelo período de três meses. De acordo com o governo estadual, o valor definido é o teto - tanto do valor como do número de parcelas - estabelecido por meio de Lei Estadual "para situações excepcionais, como de violência".

Os dois homens não participavam do ato, mas foram atingidos no olho com balas de borracha disparadas pelo efetivo da Polícia Militar que atuou em uma ação violenta contra os manifestantes. Daniel e Jonas perderam a visão do olho esquerdo e direito, respectivamente.

Segundo a esposa de Jonas, Daniela Barreto, o valor da primeira parcela do auxílio entrou na conta bancária nessa terça (8). O JC tentou contato com a família de Daniel, mas não obteve retorno sobre o pagamento do auxílio até a última atualização desta matéria. O Governo de Pernambuco também negocia o pagamento de uma indenização para os dois. 

Suporte

O pagamento do benefício foi autorizado após reunião na última sexta-feira (4) na sede da Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco (PGE) com a presença do procurador-geral, Ernani Medicis, o procurador Antiógenes Viana, o secretário-executivo de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Diego Barbosa, familiares, e advogados das vítimas e defensores públicos.

Equipes da Secretaria Executiva de Assistência Social fizeram uma vistoria técnica nas residências dos feridos para avaliar a situação social e financeira das vítimas. Ambos são trabalhadores informais. A Secretaria de Direitos Humanos de Pernambuco forneceu cestas básicas aos familiares, além de acompanhamento psicológico e socioassistencial através do Centro de Atendimento às Vítimas de Violência (CEAV), vinculado à pasta.

Já a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco (SDH) está trabalhando em melhorias nas residências dos feridos. Alegando que não dispunha de estrutura adequada para permanecer em casa, Jonas foi encaminhado para um hotel na Região Metropolitana do Recife (RMR). Ele ficará hospedado no local temporariamente. 

"No local, Jonas está acompanhado de um familiar, com a garantia de todas as refeições diárias para ambos, sob o apoio permanente de profissionais da Secretaria, em plantões de 24h. Todas as medicações prescritas em sua alta hospitalar e materiais de curativos também já foram fornecidos ao arrumador", diz nota do governo estadual. Segundo o Estado, foram oferecidas as mesmas condições para Daniel. 

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