PROMESSAS

Prefeitura do Recife contratará 200 vagas em hospedagens para acolhimento de pessoas em situação de rua

Medida faz parte do Programa Recife Acolhe, composto por seis eixos com propostas para auxiliar a população em vulnerabilidade social durante os quatro anos de gestão do prefeito João Campos (PSB)

Katarina Moraes
Katarina Moraes
Publicado em 14/06/2021 às 16:03
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BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
Os últimos dados coletados pela Prefeitura do Recife mostravam que havia 1.600 pessoas vivendo em meio às calçadas da cidade em 2019 - FOTO: BOBBY FABISAK/JC IMAGEM
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A Prefeitura do Recife lançou, nesta segunda-feira (14), o Programa Recife Acolhe, que consiste em uma série de medidas propostas para auxiliar a população em vulnerabilidade social durante os quatro anos de gestão do prefeito João Campos (PSB). Entre elas, duas são imediatas: a reabertura de um restaurante popular até o final do mês e o lançamento ainda nesta semana de um edital para contratação de 200 vagas em hotel, em pousada e em instituições localizados na capital pernambucana para acolher as pessoas em situação de rua.

Segundo o prefeito, as vagas serão totalmente custeadas pelo município e têm como objetivo "garantir um conforto para as famílias". "A gente quer criar uma rede de solidariedade em que a gente possa engajar as pessoas da cidade", disse o gestor durante o evento desta manhã.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Política Sobre Drogas do Recife afirmou que mais detalhes como longevidade do projeto e custos só serão dados a partir da publicação do edital no Diário Oficial da Prefeitura do Recife. As empresas interessadas em participar da pesquisa devem encaminhar propostas de acordo com o texto que será divulgado.

Dados dão conta de que a população de rua na capital pernambucana tem aumentado. Em levantamento realizado pela Prefeitura do Recife em 2016, ela era de cerca de 1,2 mil pessoas. Em 2019, cresceu para 1,6 mil. Número que deve ser ainda maior agora, durante a pandemia da covid-19, segundo o coletivo Unificados Pela População em Situação de Rua. Atualmente, o executivo municipal tem registro de que 200 cidadãos sem teto do Recife estão em casas de acolhimento. Dessa forma, com o projeto recém anunciado, o total de pessoas acolhidas deve subir para 400: o que representaria cerca de 25% da população desabrigada na cidade.

O prefeito também prometeu construir dois novos Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) durante a sua gestão, sem especificar datas para início das obras ou entregas. Hoje, existem duas unidades na cidade, uma na Madalena, Zona Oeste, e outra em Santo Amaro, área central. Os equipamentos atendem às demandas emergenciais da população de rua de segunda até sexta-feira, das 8h às 17h. Hoje, existem duas unidades na cidade, uma na Madalena, Zona Oeste, e outra em Santo Amaro, área central.

Até o final do mês, a gestão afirmou que reabrirá o restaurante Popular Naíde Teodósio em novo endereço, agora em Santo Amaro. Inaugurado em dezembro de 2019, o equipamento teve funcionamento suspenso durante a pandemia "para respeitar os protocolos sanitários exigidos", de acordo com a prefeitura. "Com isso, a capacidade de fornecimento de refeições foi concentrada no Restaurante Popular Josué de Castro, que fica no bairro de São José, ofertando 1700 refeições diariamente."

O Programa Recife Acolhe é formado por seis eixos: Ampliação dos Serviços; Moradia; Segurança Alimentar; Educação, emprego e Renda; Doação e Institucional. "É um programa para quatro anos de gestão e nós damos início agora com o importantíssimo passo de iniciar com os três eixos: acolhimento com vagas de moradia para 200 pessoas, segurança alimentar com a ampliação do oferecimento do café da manhã, e a empregabilidade, como inicialmente 40 vagas. Todo ano teremos ação nova para atender e sempre pensar na qualidade de vida e acesso à renda”, explicou a secretária Ana Rita Suassuna.

As 40 vagas de emprego as quais ela se refere são parte de um processo seletivo feito em parceria com a Emlurb que já está em andamento. Usuários das casas de acolhimento do município são selecionados para trabalhar na capinagem e varrição. Até agora, 29 tiveram apoio para retirada de documentos e já foram contratados, de acordo com a gestão. Participarão ainda as pessoas que utilizam a rua como local de sobrevivência, que praticam a mendicância, e que são acompanhadas pelas equipes do Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS) e pelas equipes dos Centros de Referência Especializados da Assistência Social (CREAS).

Em 2019, a gestão de Geraldo Julio (PSB) entregou dois restaurantes populares e o Abrigo Noturno Irmã Dulce dos Pobres, na Travessa do Gusmão, no bairro de São José, Centro da cidade. As inaugurações fizeram parte do Programa Chegando Junto, que tinha como iniciativas principais a geração de renda eo atendimento às necessidades básicas dos cidadãos.

Para Magdala Mirelle, coordenadora do coletivo Unificados pela População em Situação de Rua (Unificados pela PSR), tanto as ações da última gestão, como as recém anunciadas nesta segunda, são "paliativas", e é preciso combater o problema da falta de moradia com políticas públicas sustentáveis. "Vejo como uma ajuda, mas não é a resolução. Talvez no espaço onde se colocam as pessoas em situação de rua não caiba toda a família, porque muitas têm mais de quatro filhos. Uma medida melhor seria dar auxílio moradia para que as pessoas pudessem escolher onde querem morar", defende.

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