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Caso Miguel: 'É revoltante, foi difícil de ouvir as mentiras calada', diz Mirtes sobre depoimento de Sarí Corte Real

Audiência de instrução, que contou com depoimento da mulher acusada de abandono de incapaz, ocorreu nesta quarta-feira (15)

Bruna Oliveira Cássio Oliveira
Bruna Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 15/09/2021 às 15:37
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Chegada de Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, para audiência - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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Mirtes Renata de Souza, mãe do menino Miguel Otávio de Santana, de 5 anos, que faleceu em junho de 2020 no Recife após cair do 9º andar de um prédio de luxo minutos após ser deixado sozinho em um elevador, realizou coletiva de imprensa para falar sobre o depoimento de Sarí Mariana Costa Gaspar Corte Real, que ocorreu nesta quarta-feira (15). A mulher, que estava responsável pela guarda de Miguel, foi denunciada por abandono de incapaz.

"É bastante doloroso relembrar tudo. Além disso, as narrativas que ela utilizou omitiram vários pontos, mesmo que nas imagens estejam de fácil entendimento o crime que ela cometeu. É revoltante, foi difícil ouvir as mentiras calada", declarou Mirtes ao comentar sobre o depoimento da ex-patroa.

A coletiva de imprensa foi realizada na sede do Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares (Gajop), no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. Além da mãe do menino, representantes do Gajop e o advogado da família da vítima falaram sobre a audiência.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), além de Sarí foram ouvidas duas testemunhas de defesa, sendo uma de forma presencial e outra por videoconferência na comarca de Tamandaré.

Conduzida pelo titular da unidade judiciária, juiz José Renato Bizerra, a audiência começou às 9h30 e terminou às 11h40, na 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, localizada no Centro Integrado da Criança e do Adolescente (Cica), no bairro da Boa Vista, no Recife.

No total, desde o início da fase de instrução, foram ouvidas oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público de Pernambuco, de forma presencial, no dia 3 de dezembro de 2020, e também seis testemunhas de defesa, sendo três de forma presencial, no dia 3 de dezembro de 2020, outra por carta precatória na comarca de Tracunhaém, no dia 2 de março deste ano, e as duas últimas nesta quarta-feira (15).

Agora, com a instrução encerrada, o Ministério Público de Pernambuco, o assistente de acusação e a defesa apresentarão as alegações finais, e por fim será proferida a sentença do juiz.

RELEMBRE O CASO

BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
TRAGÉDIA Mãe e avó de Miguel trabalhavam no prédio onde ele morreu - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

Miguel morreu na tarde de 02 de junho de 2020.  Depois de a mãe descer com o cachorro da patroa, o filho correu para pegar o elevador e ir atrás de Mirtes. Sarí chegou a ir até o garoto e conversou com ele. Depois de algumas tentativas, ela apertou o botão da cobertura, antes de deixar a criança sozinha no elevador - segundo imagens de câmeras de segurança periciadas pelo Instituto de Criminalística.

Ao sair do equipamento, no nono andar, o menino passou por uma porta corta-fogo, que dá acesso a um corredor. No local, ele escala uma janela de 1,20 m de altura e chega a uma área onde ficam os condensadores de ar. É desse local que Miguel cai, de uma altura de 35 metros.

Sarí Corte Real é esposa do ex-prefeito de Tamandaré Sérgio Hacker (PSB). Na época do caso, Mirtes e a avó de Miguel trabalhavam na casa do então prefeito, mas recebiam como funcionárias da prefeitura. A informação foi revelada pelo Jornal do Commercio.

Após a denúncia, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou uma investigação, descobriu que outra empregada doméstica da família também era funcionária fantasma da prefeitura, e a Justiça determinou o bloqueio parcial dos bens de Hacker. O MPPE descobriu ainda que a mãe e a avó de Miguel ganhavam até gratificação por produtividade, mesmo sem trabalharem na prefeitura, como revelou documento obtido pela coluna Ronda JC.

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Mirtes realizou coletiva de imprensa na sede do Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares - FOTO:REPRODUÇÃO/INSTAGRAM
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TRAGÉDIA Mãe e avó de Miguel trabalhavam no prédio onde ele morreu - FOTO:BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

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