MEIO AMBIENTE

Historicamente associado a secas, Nordeste ganha noticiário pelo Brasil por graves desastres causados por chuvas

Estados da região acumularam desastres causados pelas chuvas do inverno de 2022

Katarina Moraes
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Katarina Moraes
Publicado em 04/07/2022 às 15:59
SIDNEY LUCENA/JC IMAGEM
Barreiros, na Zona da Mata de Pernambuco, na manhã desta segunda-feira (4) - FOTO: SIDNEY LUCENA/JC IMAGEM
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Se o imaginário popular associava, automaticamente, o Nordeste à imagem da seca, os últimos tempos talvez tenham ajudado a mudar isso - mas não por um bom motivo. Isso porque o inverno de 2022 casou uma série de desastres na região - potencializados por mudanças climáticas e falta de infraestrutura nas cidades, por exemplo -, fazendo com que jornais nacionais trouxessem relatos de enchentes.

Em Alagoas, por exemplo, o número de desalojados e desabrigados ultrapassa 56 mil, segundo boletim da Defesa Civil divulgado nesta segunda-feira (4). Até agora, foram seis mortes registradas por temporais desde o final de maio, nos municípios de Campo Alegre, Coruripe, Matriz de Camaragibe, Palmeira dos Índios, São Miguel dos Campos e União dos Palmares.

Fora as perdas humanas, transtornos também foram registrados. Cidades do interior e parte de Maceió ficaram sem energia elétrica para evitar acidentes. Rodovias foram fechadas, rios e lagoas transbordaram, provocando alagamentos.

Natal, no Rio Grande do Norte, decretou situação de calamidade pública nesta segunda-feira (4) por causa das chuvas intensas, já que, em 12h, registrou mais da metade da precipitação que estava prevista para o mês.

Lagoas transbordaram, imóveis foram alagados, redes de drenagem ficaram afetadas e houve deslizamentos em áreas de encostas, quedas de árvores e casas interditadas por risco de desabamento.

Pernambuco foi o estado mais atingido pelos desastres até então. Até agora, 130 mortos desde o início das chuvas intensas, no final de maio, a maioria por deslizamentos de barreira no Grande Recife, mas novas tragédias seguem sendo registradas.

Nesse final de semana, a precipitação atingiu com força o interior. São 29 cidades afetadas, 1.085 pessoas desabrigadas (quem está em um abrigo) e 5.988 desalojadas (quem está na casa de um parente).

As cidades que tiveram danos e prejuízos foram: Águas Belas, Água Preta, Angelim, Barreiros, Belém de Maria, Bom Conselho, Brejão, Caetés, Capoeiras, Canhotinho, Catende, Correntes, Cortês, Escada, Garanhuns, Iati, Itaíba, Jaqueira, Jurema, Jupi, Lagoa do Ouro, Maraial, Palmares, Palmerina, Quipapá, Rio Formoso, Saloá, São Benedito do Sul e Tamandaré.

Não foram registradas novas mortes em decorrência das chuvas. No entanto, duas pessoas estão desaparecidas, uma em Jaqueira, e outra em Catende, ambos municípios da Zona da Mata do Estado. Uma delas é o funcionário da Prefeitura de Jaqueira Alex Fernando Silva, de 20 anos. Ele teria sido arrastado pela correnteza nas enchentes da região após levar um choque.

Eventos extremos cada vez mais frequentes

Integrante do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mariana Vale, explica que não só as enchentes, mas todos os eventos extremos - como a seca - foram intensificados nos últimos anos pelas mudanças climáticas.

“As mudanças climáticas já estão acontecendo, e eventos como esses já são atribuídos a ela. Precisamos de estratégias de adaptação, preparar cidades e ambientes rurais para esses eventos extremos. No contexto das cidades, tem que aumentar a arborização, que trará mais permeabilidade do solo, além de opções de moradia para quem mora em áreas de risco por necessidade”, avaliou.

Membra do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente), Vale pontua duas maneiras de agir para evitar a piora do cenário climático.

“Precisamos controlar imediatamente as emissões de gás de efeito estufa para reduzir as mudanças climáticas. O Brasil tem um importante papel nisso com o controle do desmatamento, sobretudo da Amazônia, mas não só nela”, disse.

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