ISOLAMENTO SOCIAL

Paulo Câmara avalia como positivos os primeiros dias de lockdown em Pernambuco

O governador também afirmou que o discurso da União contra o isolamento social tem sido "inadequado" por ir contra a ciência e as recomendações feitas por autoridades sanitárias do mundo todo

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 18/05/2020 às 18:05
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Heudes Regis /SEI
Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), confirmou teste positivo para o novo coronavírus - FOTO: Heudes Regis /SEI
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Apesar dos discursos divergentes adotados na esfera federal e estadual sobre a manutenção do isolamento social para enfrentar a pandemia do novo coronavírus (covid-19), o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), fez uma avaliação positiva dos primeiros resultados da Operação Quarentena. Em vigor nas cidades de Recife, Olinda, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata, desde o sábado (16), os índices alcançados alcançados pelo lockdown foram ressaltados pelo gestor nesta segunda-feira (18). 

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“Desde sábado, iniciamos uma quarentena em cinco municípios que representa 80% dos casos disseminados no Estado e, que possuem a maior taxa de óbito. Neste primeiro fim de semana, houve um avanço de 10% na taxa de isolamento social se comparado ao sábado e domingo anterior. Nós vamos intensificar as ações nestes próximos dias. O impedimento dessa curva é fundamental”, explicou o governador em entrevista à GloboNews, nesta segunda-feira (18).

Em média, 53,8% da população do Estado permaneceu em casa no sábado. Segundo georreferenciamento feito pela Inloco – empresa com escritórios no Brasil e nos EUA – nas primeiras 24 horas de vigência do decreto de intensificação do isolamento social, nas cinco cidades submetidas a regras mais rígidas de controle de circulação, o índice médio de isolamento atingiu 60%, um percentual bem superior aos 48% registrados no sábado anterior (09).

O levantamento da Inloco revelou que o isolamento em Pernambuco ficou acima do Ceará (52,7%), Amapá (52,7%) e Pará (51%), quatro únicos estados brasileiros a superar os 50% de distanciamento social. Entre as cidades, o maior destaque ficou com o Recife, que atingiu 62,1% de isolamento no índice levantado pela InLoco. Foi o maior percentual entre as capitais brasileiras. Olinda registrou 61%, Camaragibe 59% e Jaboatão e São Lourenço da Mata atingiram 58% no total de pessoas em casa neste sábado.

No entanto, no primeiro dia útil das restrições, que inclui o rodízio de veículos, houve engarrafamento em pontos de bloqueio. Ainda assim, o governador de Pernambuco afirmou que houve restrição de 50% na circulação dos carros e que ajustes devem ser feito ao longo do dias. Ele descartou a revogação do rodízio mais restrito a exemplo do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que voltou a implementar o modelo tradicional na capital paulista sob a justificativa de que a medida não surtiu o efeito esperado no índice de isolamento social. Em Pernambuco, a Operação Quarentena se estende até o dia 31 de maio.

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 Questionado sobre o fato de o Governo do Estado evitar usar o termo lockdown (bloqueio total), Paulo Câmara explica que “ainda há flexibilização” em algumas medidas, citando o funcionamento dos bancos. “Estamos com comércio fechado, a implementação pela primeira vez de um rodízio na Região Metropolitana, o uso obrigatório de máscaras e pessoas autorizadas só para comprar alimentos, medicamentos ou ir a bancos”, citou.

“Hoje foi reiniciado o pagamento do auxílio emergencial, o que representa uma parcela importante da população que irá receber o benefício, mais de 1 milhão de famílias, e isso já nos impede do lockdown, no sentido literal”, declarou.

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Divergência

Outro ponto colocado durante a entrevista a Globo News, foi sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em se posicionar contra o isolamento social, o que poderia inclusive contribuir diretamente para a diminuição na adesão da população as medidas decretadas nos estados e municípios. “Todo esse discurso do governo federal, desde o início da quarentena, ele prejudica porque cria um clima de instabilidade e insegurança na população”, afirmou Paulo Câmara.

“No caso de Pernambuco, estamos vendo nos últimos dias, que as pessoas estão compreendendo que as mortes estão acontecendo. As pessoas estão vendo amigos, conhecidos próximos, entes queridos, virem a óbito pela fatalidade que é o coronavírus, principalmente das pessoas mais velhas”, alertou.

O discurso de Bolsonaro é considerado pelo chefe do Executivo como “inadequado porque vai contra a ciência, contra as autoridades sanitárias do mundo todo”. “O momento é de salvar vidas. Nós temos tempos diferentes para recuperar a economia, mas a prioridade agora é para salvar vidas”, finalizou.

 

 

 

 

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