Levantamento

Para especialistas, maior conhecimento e publicações polêmicas aumentaram rejeição de Delegada Patrícia na Ibope/JC/Rede Globo

Delegada Patrícia aumentou seu resultado na intenção de voto, mas também viu a rejeição crescer

JC
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Publicado em 30/10/2020 às 6:50
TIAGO CALAZANS/DIVULGAÇÃO
Delegada Patrícia (Podemos) realizou motocarreata na Zona Norte do Recife - FOTO: TIAGO CALAZANS/DIVULGAÇÃO
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Os quatro candidatos mais competitivos à Prefeitura do Recife na terceira rodada da pesquisa Ibope/JC/Rede Globo, divulgada nesta quinta-feira (29), João Campos (PSB), Marília Arraes (PT), Delegada Patrícia (PODE) e Mendonça Filho (DEM), tiveram aumento na rejeição, com destaque para Patrícia, que teve o maior crescimento.

No último levantamento, do dia 15 de outubro, a delegada foi citada por 14% dos entrevistados quando questionados em quem não votariam de jeito nenhum. Agora, ela foi citada por 20%, um aumento de seis pontos percentuais. Ainda assim, os candidatos com maior rejeição seguem sendo João Campos, Mendonça Filho e Coronel Feitosa (PSC), com respectivos 33%, 30% e 28% de pontuação. Já a petista Marília Arraes teve um aumento de dois pontos na rejeição, saiu de 19% para 21%.

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"Sobre o aumento da rejeição em geral, trata-se de algo esperado, pois só se rejeita aquilo que se conhece. Portanto, quanto mais conhecido do eleitorado, maior também tende a ser o índice de rejeição do candidato", explicou o doutor em Ciência Política, Juliano Domingues, da Universidade Católica de Pernambuco.

Os candidatos com menor percentual de rejeição são Thiago Santos (UP), com 16%; Claudia Ribeiro (PSTU), Marco Aurelio Meu Amigo (PRTB) e Victor Assis (PCO), cada um com 14%. Ainda segundo o Ibope, 1% do eleitorado respondeu que poderia votar em qualquer um dos candidatos. Os que não sabem ou preferem não opinar somam 5%.

Sobre Coronel Feitosa ser um dos líderes da rejeição no Recife, mesmo não estando entre os mais competitivos na pesquisa, a doutora em Ciências Políticas e professora da Facho Priscila Lapa explica que o erro do coronel foi ter se colocado, apenas, como o 'candidato de Jair Bolsonaro'. Cabe lembrar que o presidente da República afirmou que não apoia nenhum nome oficialmente no primeiro turno das eleições deste ano.

"Não basta ser candidato do presidente. Feitosa não percebeu isso. Por mais que haja popularidade crescente nacionalmente de Bolsonaro, a eleição municipal segue outra lógica, muito voltada para os problemas da cidade e enxergando candidatos que tem capacidade para resolvê-los. Feitosa não se coloca como esse candidato. Apenas, tenta se mostrar como candidato de presidente, que não tem popularidade estruturada na cidade. Essa estratégia não conseguiu emplacar", afirmou.

Já o crescimento da rejeição de Delegada Patrícia, na visão de Priscila Lapa, pode estar atrelado às postagens nas redes sociais que foram divulgadas recentemente. "A rejeição dela passa por esse episódio das redes sociais, que mexeu com a identidade do recifense e isso foi minimizado, tratado como algo menor na campanha. Mas, na cidade, identidade é um elemento muito forte e decisivo. Esse aumento de rejeição foi da exploração de um aspecto do perfil dela que não transparecia. A rejeição também oscilou expressiva dentro de um processo de conhecimento. Ela era uma figura desconhecida. À medida que a campanha vai acontecendo, torna mais conhecida, favorece o aumento de votos, mas a vulnerabilidade da identidade, questionamento do perfil dela também crescem", destacou.

Delegada Patrícia se viu envolta à polêmica quando publicações em seu Facebook, ainda de 2011, foram trazidas à tona em reportagem da Revista Época. Nos posts, Patrícia chamou a capital pernambucana de "Recífilis". A postulante, em seguida, se manifestou sobre o assunto afirmando que seria uma crítica, de forma humorada, aos problemas de saúde do Recife. Por conta da publicação, tramita na Câmara do Recife um projeto, do vereador Rinaldo Junior (PSB), aliado de João Campos, para retirar da delegada o título de cidadã recifense.

"Essa campanha de desconstrução dela, a colocando como racista, mais elitista, ligada ao lavajatismo, a Sergio Moro, uma parcela da população tem rejeição a isso. Isso ficou mais evidente quando lançaram luz sobre o passado recente da delegada. Isso contribui para o aumento da rejeição. A campanha de desconstrução que os outros candidatos estão fazendo em relação a ela está dando resultado, apesar de que ela cresceu em vários segmentos, sobretudo entre os que ganham mais de 5 salários mínimos", afirmou o cientista político e professor da Unicap, Antônio Henrique Lucena.

A terceira rodada da pesquisa Ibope/JC/Rede Globo foi realizada entre os dias 27 e 29 de outubro de 2020. Foram entrevistados presencialmente 1001 votantes do Recife. A margem de erro máxima estimada é de três pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número PE00353/2020. O levantamento foi encomendado pelo Jornal do Commercio e Rede Globo.

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