VACINAS

Estados podem receber em maio doses da Sputnik V que deviam ter chegado em abril, segundo Paulo Câmara

A expectativa dos governadores é de que imunizantes ainda possam ser recebidos pelos estados no mês de maio, caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a importação

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 26/04/2021 às 20:08
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Consórcio Nordeste negociou diretamente com o Fundo Soberano da Rússia a aquisição de 37 milhões de doses da Sputnik V - FOTO: Vladimir Gerdo/TASS/ Reuters/Direitos reservados
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Após a perda do primeiro lote de vacinas da Sputnik V, prevista para ser entregue neste mês de abril, os governadores do Consórcio Nordeste esperam que os imunizantes ainda possam ser recebidos pelos estados no mês de maio, caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a importação das 37 milhões de doses da vacina russa. A reunião de análise dos pedidos de importação está sendo realizada nesta segunda-feira (26).

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), explicou que a expectativa é de que as vacinas correspondentes para o mês de abril, sejam entregues juntamente com as doses referentes à segunda remessa em maio. “O que ainda é uma quantidade menor, pois os grandes lotes que vinham pelo acordo feito com o Fundo Soberano da Rússia, seriam nos meses de junho e julho”, explicou o gestor. De acordo com o cronograma apresentado pelo Consórcio, seriam distribuídas duas milhões de doses em abril e cinco milhões no mês de maio. No mês de junho, chegariam mais 10 milhões do imunizante russo e, em julho, o ciclo fecharia com 20 milhões de vacinas.

Para Paulo Câmara, com a falta de vacinas contra a covid-19 em todo o país, a liberação da Sputnik seria fundamental, o que poderia minimizar as chances da aplicação das doses serem interrompidas. “É esse o intuito desde o início, quando os governadores brasileiros do Nordeste foram atrás dessa oportunidade de ter mais um tipo de vacina à disposição da população brasileira. Para que essas 37 milhões de doses fossem disponibilizadas em sua integralidade ao Programa Nacional de Imunização”, afirmou o governador, em entrevista à CBN Recife, nesta segunda-feira.

O Governo de Pernambuco anunciou no dia 20 de março, a aquisição de quatro milhões de doses da vacina Sputnik V, através da negociação direta do Consórcio Nordeste. O governador deixou claro que, caso o governo federal não queria integrar as vacinas ao PNI, Pernambuco irá arcar com as doses adquiridas, cujo investimento seria de mais de R$ 200 milhões.

“Nós sempre dissemos que estamos aguardando a autorização da Anvisa e ela sendo dada, vamos trazer a vacina para o Programa Nacional de Imunização, mas se o programa não quiser estas doses, nós vamos vacinar os pernambucanos e isso vai gerar um investimento de mais de R$ 200 milhões. Nós vamos ter que tirar esse valor de algum programa, mas vamos fazer o que precisa ser feito para vacinar o povo de Pernambuco”, declarou Paulo Câmara, durante a entrevista.

Preocupação com o quantitativo de vacinas

O governador Paulo Câmara externou preocupação com relação ao quantitativo de doses da vacina contra a covid-19 não serem suficientes para a aplicação da segunda dose. De acordo com o gestor, o Ministério da Saúde encaminhou documentos oficiais, no mês de março, orientando os estados e municípios a não guardarem a segunda dose da vacina produzida pelo Instituto Butantã - cuja as doses devem ser aplicadas no intervalo entre o 21º e 28º dia.

“As últimas remessas foram insuficientes no tocante Coronavac, e agora a gente tem que ver a situação de cada município e ver as alternativas e como fazer. É mais uma ação ineficaz do governo federal com relação ao planejamento desde o início da pandemia a gente vê falhas nessa coordenação, e no tocante a um item fundamental que é a vacinação”, criticou Paulo Câmara.

“A preocupação é realmente muito grande em relação a isso, então vamos ter ao longo das próximas horas, dos próximos dias, novidades em relação a essa questão. O importante é termos condições de repor isso, o que não pode são as pessoas que receberam a primeira dose, fiquem de alguma forma impedidas de receber a segunda dose, seria uma frustração muito grande, a gente tem que evitar isso ao máximo possível”, concluiu.

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