Eleições 2022

Após movimentações dos Coelho, Raul Henry reitera que o MDB não lançará Miguel candidato ao Governo de Pernambuco

Segundo o presidente estadual do partido, ainda é cedo para falar sobre as eleições. Além disso, ele disse que os rumos que a agremiação deve tomar no pleito só começarão a ser definidos no início de 2022

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 04/08/2021 às 15:50
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Miguel Coelho e Raul Henry - FOTO: Foto: Divulgação
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Na última semana, a família Coelho iniciou uma ofensiva no Estado para tentar viabilizar a candidatura do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), ao Governo de Pernambuco. Promovendo um giro por cidades de várias regiões, o clã tenta reunir apoios para a postulação, inclusive com o presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, muito embora o deputado federal e presidente estadual do MDB, Raul Henry, já tenha afirmado que o partido não deixará a base do PSB. Em entrevista divulgada nesta quarta-feira (4), o dirigente partidário reiterou a decisão, afirmou que ainda é cedo para falar sobre as eleições e disse que os rumos que a agremiação deve tomar só começarão a ser definidos no início de 2022.

"Eu procurei ser muito claro e didático na nota que publiquei há cerca de três semanas. Miguel tem um projeto legítimo, ele tratou disso de uma maneira muito correta conosco e eu tentei ponderar com ele mais de uma vez que essa discussão estava muito antecipada, que o ideal é que nós tratássemos disso mais adiante, pois estamos vivendo ainda o processo final dessa pandemia, o Brasil ainda está com quase 15 milhões de desempregados, nós temos muitos desafios a enfrentar. E ele colocou os motivos dele, dizendo que precisaria de uma definição mais rápida porque precisava preparar um conjunto de atividades e reuniões, e eu, conversando com o senador Jarbas e com outras pessoas do partido, cheguei à conclusão de que não dava para dizer para ele que a gente poderia acompanhar esse projeto", declarou Raul ao programa Cidade em Foco, da Rede Agreste de Rádio.

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Na entrevista, o parlamentar reafirmou, ainda, que a principal razão que levou a cúpula da legenda a tomar essa decisão foi a proximidade da família Coelho com o presidente da República, sendo o pai de Miguel, Fernando Bezerra Coelho (MDB), o líder do governo Bolsonaro no Senado Federal. "A grande contradição política nossa não era uma rejeição ao nome dele (Miguel), mas a relação política que ele, o senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado Fernando Filho e o deputado Antônio Coelho têm com o projeto do presidente Bolsonaro. E eu não estou questionando o mérito disso, cada um faz a escolha política que quer fazer, é um direito de cada um ter a sua opção política, mas essa não é a nossa opção. E isso não é coerente com a história de defesa da democracia que o MDB de Pernambuco tem. Então se ele queria uma posição nossa nesse momento, o que era mais realista era dizer que nós não tínhamos condição de ir com ele, por conta dessa contradição política", frisou Raul Henry.

Ex-vice-governador de Pernambuco, após decidir que o MDb permaneceria na Frente Popular, o deputado voltou a ser citado como um possível nome a integrar a chapa majoritária da coligação em 2022, ao lado do provável cabeça de chapa de grupo, o ex-prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB). Questionado sobre essa possibilidade, Raul repetiu que ainda é cedo para falar sobre o pleito do próximo ano.

"Eu disso isso para Miguel e reafirmo aqui: eu acho que é muito cedo para discutir 2022. É muito cedo para expressar posições. Nós temos um partido hoje amplo em Pernambuco, o segundo partido que mais elegeu prefeitos, um partido que hoje tem uma aliança com a Frente Popular e que, para começar um novo ciclo, seria necessário consultar o partido, sentir qual a percepção que o partido tem disso e que, no momento, eu não via no partido esse sentimento, se querer, neste momento, partir para um projeto de oposição. Ainda vai chegar o momento certo da gente discutir qual a posição do partido em Pernambuco", destacou Raul, afirmando que essa consulta partidária só deve ocorrer entre o fim desse ano e o início do ano que vem.

Apesar de não ter dado indícios que a sigla poderia deixar a Frente Popular em algum momento, o dirigente partidário declarou que alianças eleitorais só costumam ser fechadas às vésperas de um pleito. "Quem acompanha política sabe que as alianças na política se definem no ano da eleição. Algumas se definam na semana da convenção. É muito precipitado ficar falando disso agora. Vamos ter que conversar com o senador Jarbas, com o deputado Tony Gel, com os prefeitos do partido, o senador Fernando e o prefeito Miguel Coelho já colocaram as posições deles, então não há que se fazer uma consulta para saber disso, então agora é aguardar o momento certo de iniciar esse processo de consultas", observou.

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