ELEIÇÕES

Paulo Câmara diz a Lula que Brasil precisa de frente ampla de esquerda em 2022

Destaque é a foto de Lula com João Campos, que é resistente à aliança entre PSB e PT

Luisa Farias Paulo Veras
Luisa Farias
Paulo Veras
Publicado em 15/08/2021 às 22:36
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Heudes Regis/SEI
O ex-presidente fica em Pernambuco até a próxima terça-feira (17.08) - FOTO: Heudes Regis/SEI
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Durante um jantar no Palácio do Campo das Princesas na noite deste domingo (15), o governador Paulo Câmara (PSB) disse ao ex-presidente Lula (PT) que o Brasil precisa de uma frente ampla de esquerda para as eleições de 2022. O encontro é o ensaio de uma possível aliança eleitoral. Por isso, uma das imagens mais importantes é a que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), aparece ao lado de Lula, uma vez que o gestor é um dos caciques socialistas mais resistentes à aliança.

"Recebemos com muita satisfação o presidente Lula neste domingo. Pernambuco tem muito a agradecer a Lula por todo o ciclo de desenvolvimento iniciado na gestão dele. Isso está muito vivo na memória do pernambucano. Tivemos a oportunidade de compartilhar nossas ações durante a pandemia, o nosso atual plano de retomada da economia e deixar claro que em 2022, precisamos de uma frente ampla do campo progressista para derrotar Bolsonaro e fazer o Brasil voltar a crescer", afirmou Paulo Câmara, segundo material repassado por sua assessoria de imprensa.

 

Heudes Regis/SEI
Participaram da conversa o prefeito do Recife, João Campos, os deputados federais Danilo Cabral, Tadeu Alencar, Milton Coelho e Gonzaga Patriota, além do presidente estadual do PSB, Sileno Guedes - Heudes Regis/SEI

Segundo o material oficial, estiveram ausentes o ex-prefeito da Capital Geraldo Julio, nome do PSB para a sucessão de Paulo, e a ex-primeira-dama Renata Campos, que tem ascendência sobre o partido.

Do lado do PSB, participaram da conversa os deputados federais Danilo Cabral, Tadeu Alencar, Milton Coelho e Gonzaga Patriota, além do presidente estadual do partido, Sileno Guedes. Pelo PT, o senador Humberto Costa e a presidente nacional da sigla, Gleisi Hoffmann.

Segundo o Governo do Estado, Lula comemorou o encontro. "Estou feliz de estar de volta, em minha terra natal, para conversar sobre os desafios de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil, conversando com as lideranças do estado e retomando um diálogo necessário para o país voltar ao rumo certo, com democracia, inclusão social e desenvolvimento", afirmou, segundo o release.

Aliança em 2022

Mais cedo, durante uma reunião reservada, o PT de Pernambuco sinalizou a Lula que topa abrir mão de uma candidatura própria ao Governo do Estado se essa for a composição que mais ajude o ex-presidente a voltar ao Palácio do Planalto.

Apesar do papel estratégico da conversa, lideranças do PSB e do PT passaram o dia emitindo sinais de que o martelo ainda não deve ser batido. A avaliação dos dois lados é que há muitos meses até a eleição, motivo pelo qual é preciso deixar as opções em aberto. Apesar disso, todos têm ressaltado a importância do diálogo, principalmente para fortalecer a oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

"É um jantar para se discutir os problemas do Brasil. Não vai se tratar de nada específico em relação às eleições. É mais ouvir o governador, as lideranças do PSB. Uma coisa que o presidente está fazendo, vai fazer por todo o Nordeste e está começando por Pernambuco. Mas é uma discussão mais geral em relação ao momento em que estamos vivendo", afirmou o presidente do PT de Pernambuco, ao chegar ao Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife.

Doriel fez questão de dizer que não acredita que a aliança será fechada nesta noite. "Até porque o próprio presidente já falou que isso é mais uma conversa política. Mas com certeza hoje não vai se tratar. E o presidente entende que tem muito chão pela frente ainda. Essa discussão vai ser feita no momento mais oportuno", explicou.

Mais cedo, o presidente do PSB, Sileno Guedes, também havia dado uma declaração no mesmo sentido, de que o diálogo é importante, mas ainda é cedo para bater o martelo.

Reuniões

A cerimônia estava marcada para às 19h, mas atrasou, inclusive por causas das inumeras conversas de Lula com políticos de vários partidos. Além de conversar com a direção do PT local, ele se reuniu com caciques do PCdoB, do Psol, e com os deputados Tulio Gadelha (PDT) e Silvio Costa Filho (Republicanos). Lula só chegou ao Palácio por volta das 21h.

Ele foi recebido por acenos de integrantes do movimento sem teto, que fizeram um protesto no Centro e seguiram a pé até a Praça da República, na esperança de ver o ex-presidente. Lula entrou em uma van, com os vidros escuros e a conversa com os militantes foi conduzida por Doriel Barros. O grupo acabou dispersando por volta das 22h, sem ver o ex-presidente.

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Participaram da conversa o prefeito do Recife, João Campos, os deputados federais Danilo Cabral, Tadeu Alencar, Milton Coelho e Gonzaga Patriota, além do presidente estadual do PSB, Sileno Guedes - FOTO:Heudes Regis/SEI
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Paulo Câmara - Luiz Inácio Lula da Silva - FOTO:DIVULGAÇÃO

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