Eleição

Lula se manifesta sobre possibilidade de ter Alckmin como vice em 2022

Lula brincou sobre o número de pessoas que são cotadas para comporem a sua chapa à Presidência da República enquanto ele ainda não declarou oficialmente a sua pré-candidatura

Luisa Farias
Luisa Farias
Publicado em 15/11/2021 às 14:23
RICARDO STUCKERT/PR
ADVERSÁRIOS Alckmin e Lula disputaram as eleições 2006; petista venceu - FOTO: RICARDO STUCKERT/PR
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou pela primeira vez sobre as informações que têm circulado sobre a possibilidade do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) ser seu candidato a vice-presidente nas eleições de 2022. 

Lula brincou sobre o número de pessoas que são cotadas para comporem a sua chapa à Presidência da República enquanto ele ainda não declarou oficialmente a sua pré-candidatura. "Já tenho 22 vices... Enquanto ainda nem decidi se sou candidato. A escolha de um vice tem que ser levada muito a sério. Tem que ser alguém que some, e não que tenha divergência", disse o petista. 

Geraldo Alckmin está filiado há muitos anos ao PSDB, partido com o qual o PT rivalizou desde as eleições presidenciais de 1994. Em 2018, a polarização não se repetiu e os tucanos não conseguiram chegar ao segundo turno, justamente tendo Alckmin como candidato, que obteve apenas 4,7% dos votos. Nas últimas eleições, o então candidato Jair Bolsonaro (na época no PSL) foi quem conseguiu ir ao segundo turno contra Fernando Haddad (PT) e vencer nas urnas. 

O próprio Lula lembra na sua sequência de tweets que disputou as eleições de 2006 contra Alckmin, e foi presidente na época em que ele governada São Paulo. O ex-presidente garantiu que as divergências entre os dois poderiam ser facilmente superadas.

"Política é como futebol, você dá uma canelada no cara, ele cai chorando de dor, mas depois que termina o jogo, eles se encontram, se abraçam, vão tomar uma cerveja e discutir o próximo jogo. Política é assim. Nas divergências todo mundo joga bruto porque quer ganhar", aponta o petista.

O ex-governador de São Paulo, por sua vez, decidiu neste ano sair do partido onde está desde a redemocratização em 1988. É falado que ele poderia disputar o Governo de São Paulo novamente, e mais recentemente, começou a circular nos bastidores que estaria havendo negociações para que ele disputasse a vaga de vice ao lado de Lula. As conversas com o PSD estariam mais avançadas do que com outras siglas, como o PSB e o União Brasil, fusão entre DEM e PSL. 

"Eu disputei as eleições de 2006 com o Alckmin, mas tenho profundo respeito por ele. Mas eu não tô discutindo vice ainda porque não discuti a minha candidatura. Quando eu decidir, aí sim eu vou sair a campo pra procurar alguém pra ser vice", completou Lula. 

Alckmin

Na última sexta-feira (12) após as gravações do reality "O político" comandado pelo ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), Alckmin se disse "honrado" por ser cogitado como vice de Lula e para outros cargos. "Já disseram que eu vou ser candidato ao Senado, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Fico muito honrada da lembrança do meu nome", afirmou o tucano. 

Ele foi na mesma linha de Lula ao afirmar que não tem "divergências intransponíveis" com o petista. Ele também apontou o ex-presidente como uma pessoa que tem "apreço pela democracia". 

Em 4 de novembro Alckmin chegou a falar também nas redes sociais sobre as especulações em torno do seu nome. "Sigo percorrendo São Paulo e pensando nos problemas da nossa gente. Quero deixar claro que vocês, com os quais me comunico aqui, serão os primeiros a saber de qualquer novidade", tranquilizou. 

Aliança entre Lula e Alckmin estreitaria espaço para a terceira via nas eleições de 2022, analisa cientista político

Antônio Lavareda analisou cenário previsto para as eleições presidenciais em 2022

Aliança entre Lula e Alckmin estreitaria espaço para a terceira via nas eleições de 2022, analisa cientista político

Na visão do sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, a suposta aliança entre o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2022 "estreitaria espaço para a terceira via". Nos bastidores, circula a informação de que Alckmin estaria sendo cotado para compor a chapa de Lula como vice.

"Com esse casamento, o espaço para a terceira via estreita bastante, porque a candidatura de Lula faria com mais facilidade o movimento que Ciro Gomes pretende, um pouco de avanço ao centro-direita, já que o vice não é determinante em arrebanhar um grande contingente de votos", analisou o especialista em entrevista à Rádio Jornal na manhã desta segunda-feira (15).

 

Segundo Lavareda, os pré-candidatos à presidência da República disputam neste ano a simpatia do eleitorado que levou Jair Bolsonaro (sem partido) ao poder em 2018. "Temos seis candidatos para beber da mesma água, que tem tamanho e nome definido: 55,13% dos votos válidos da última eleição e quem votou em Bolsonaro", pontuou.

Entre estes, estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT), Sergio Moro (Podemos), Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB).

Por isso, para ele, candidatos da chamada "terceira via" vêm ampliando a agenda e atendendo demandas da direita, como Ciro Gomes (PDT) - que foi massivamente criticado neste mês por afirmar que Lula teria participado de uma conspiração pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT).

"Ciro está no [campo da] centro esquerda, disputando com o Lula, embora ele não tenha a força e o enraizamento de Lula, o que dificulta o avanço nesse mercado. Isso faz com que ele tenha a necessidade de abrir as pernas, fazendo o que no balé se chama de escala, indo buscar eleitores para o centro-direita", disse.

Um novo nome na política também pretende despontar no próximo ano: o do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O levantamento de intenção de votos, no entanto, é desanimador para Moro. O Paraná Pesquisas divulgou na última semana de 57,7% do público o rejeita.

Para Lavareda, a projeção não surpreende. "Em 2018, Sérgio Moro teria sido imbatível. Na tumultuada saída dele do governo, ele tinha 18% das quais Bolsonaro pontuava 20%, praticamente empatado. Mas foi para os Estados Unidos e nesse período de ausência uma série de fatos [contra ele] afloraram, como as anulações de suas sentenças na Lava Jato e o vazamento de dados e conversas entre ele e procuradores pelo Telegram", lembrou.

 

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