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Crítica: Troca de Rainhas, de Marc Dugain

08 / jun
Publicado por Ernesto Barros às 15:38

Lambert Wilson, Kacey Mottet-Klein e Anamaria Vartolomei. Foto: Pandora Filmes/Divulgação

Condenados à pomposidade e às versões oficiais dos fatos, os filmes históricos padecem de confiabilidade e encontraram no esquecimento a sua melhor forma de justiça. O longa-metragem francês Troca de Rainhas, de Marc Dugain, da programação do Festival Varilux de Cinema Francês, é uma honrosa exceção. Além de haver pesquisado profundamente a história real, Chantal Thomas, que adapta seu próprio romance publicado em 2013, a partir de um fato conhecido, não deixa que seu relato se contamine com as facilidades do folhetim.

Embora Troca de Rainhas tenha todos os elementos folhetinescos, tão comum às narrativas históricas, Chantal foge deles e ainda conta com a cumplicidade de Dugain, que dividiu a adaptação e é um consumado especialista em revisar o passado, tanto como romancista quanto como cineasta.
Troca de Princesas se refere-se a um momento pouco enfocado por historiadores da maneira que é mostrado no filme. Em 1791, Felipe de Orleãs (Olivier Gourmet), então regente da França, tem a brilhante ideia de selar a paz entre o seu reino e o da Espanha, depois de anos de guerra que deixaram os reinados na pobreza, por meio do casamento dos seus herdeiros.

Afinal, os casamentos arranjados sempre foram uma saída para o fortalecimento de reinados combalidos. Tudo seria normal se os príncipes e princesas envolvidos na troca mal tivessem saído dos cueiros. A Infanta da Espanha, Anna Maria Victoria (Juliane Lepoureau), filha do rei Felipe V (Lambert Wilson), tem apenas quatro anos de idade quando é levada para casar com Louis XV (Igor Van Dessel), de 11 anos, a dois para atingir 13, a maioridade para se consagrar rei.

No lado espanhol, a jovem Louise Elisabeth (Anamaria Vartolomei), de 12 anos, filha de Felipe de Orleãs, é enviada para casar com o jovem Dom Luís (Kacey Mottet-Klein), herdeiro do trono espanhol, um pouquinho mais velho do que ela. Em outros mãos menos hábeis ou com pressões mais mercantilistas, o filme bem que poderia ser tão inócuo quanto inúmeras minisséries da TV. Mas Dugain, com sensibilidade e o conhecimento das maquinações palacianas, fez um filme crítico sobre a crueldade a que essas crianças e adolescentes foram submetidas.

Os vestuários, direção de arte e fotografia formam um todo impecável. Cada sequência, sempre finalizada com um escurecimento, deixa a sensação de que recriar a história é um processo político. A direção de atores é outro triunfo, especialmente o trabalho dos atores que fazem a realeza juvenil.


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