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Depois de 20 anos, Recife tem sua primeira pesquisa de origem e destino. Viva!

23 / mar
Publicado por Roberta Soares às 20:49

 

População recifense usa mesmo é o ônibus em seus deslocamentos. E mesmo assim, ele continua sem prioridade na via. Foto: Diego Nigro/JC Imagem
População recifense usa mesmo é o ônibus em seus deslocamentos. E mesmo assim, ele continua sem prioridade na via. Foto: Diego Nigro/JC Imagem

 

Recife precisa dar prioridade viária e política ao ônibus, implantar e qualificar as calçadas, e criar, de fato, uma malha cicloviária na cidade para absorver o uso da bicicleta. Tudo nessa ordem de prioridades e com uma visão metropolitana. Essas foram as principais conclusões a partir do primeiro recorte da Pesquisa de Origem-Destino do Recife, realizada pelo município desde 2015 para embasar o futuro Plano de Mobilidade Urbana da capital. Embora as constatações não tragam nada de novo para quem vive a imobilidade diária da cidade, a pesquisa tem o mérito de ser o primeiro estudo realizado após 20 anos do último, feito ainda em 1997.

Com a pesquisa OD, passamos a contar com uma importante base de dados que vai qualificar o planejamento e, principalmente, as decisões políticas e administrativas sobre a mobilidade da cidade. Permitirá resultados mais assertivos. Não tomaremos mais decisões na base do achismo. E pretendemos atualizá-la a cada dois anos”,

Antônio Alexandre, secretário de Planejamento Urbano do Recife

O levantamento também constatou o óbvio: que o ônibus é o principal meio de transporte do recifense (50,25% usam para o trabalho e 44,54% para a educação), embora os anos passem e ele continue sem ter quase prioridade viária na cidade. E que as pessoas o utilizam porque não têm condições financeiras de andar de carro. É tanto que o mesmo estudo revelou que, quanto maior a renda dos entrevistados que responderam à pesquisa, mais frequente é o uso do automóvel. E que, quanto menor a renda, maior a dependência do transporte por ônibus. O primeiro recorte do estudo, apresentado em entrevista coletiva pela Secretaria de Planejamento e o Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS), ontem, constatou que a predominância das viagens são pelos motivos de trabalho e educação.

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Apesar da predominância do ônibus, quando o motivo do deslocamento é a educação, a mobilidade a pé se mostrou opção para 15,49% dos entrevistados. Já para o trabalho, esse tipo de deslocamento caiu para 8,94%. A pesquisa OD revelou que 56,58% das pessoas que responderam a pesquisa, do universo de mais de 58 mil respostas válidas, residem no Recife. Correspondendo às pessoas que não moram no Recife, mas vêm à cidade para trabalhar ou estudar, estão 41,39% desse total. E o destaque fica com os municípios de Olinda e Jaboatão. “Esse dado comprova que o cidadão é sim metropolitano e que é impossível desconsiderar um plano de mobilidade que não tenha essa visão”, afirmou o presidente do ICPS, João Domingos.

Mas, e o que muda a partir da pesquisa? Segundo a prefeitura, agora nada, mas no futuro, o planejamento da cidade. “Com a pesquisa OD, passamos a contar com uma importante base de dados que vai qualificar o planejamento e, principalmente, as decisões políticas e administrativas sobre a mobilidade da cidade. Permitirá resultados mais assertivos. Não tomaremos mais decisões na base do achismo. E pretendemos atualizá-la a cada dois anos”, argumentou o secretário de Planejamento Urbano do Recife, Antônio Alexandre.

Foto: Daniel Tavares/PCR
Sideney Schreiner, diretor executivo de Planejamento da Mobilidade, Antônio Alexandre, secretário de Planejamento Urbano, e João Domingos,  presidente do ICSP. Foto: Daniel Tavares/PCR

As constatações das necessidades de deslocamentos da população e o tipo de modal de transporte utilizado são muito parecidas com o encontrado na pesquisa de origem-destino de 1997, segundo os coordenadores. Apenas a bicicleta apresentou uma característica diferenciada dos estudos anteriores, seja o de 20 anos atrás ou o de 1972. “Antes, quem tinha a menor renda utilizava mais a bicicleta e, agora, a classe média adotou o modal”, explicou o diretor executivo de Planejamento da Mobilidade, Sideney Schreiner.

Lembrando que a pesquisa foi toda digital. A população foi convidada a participar via web. Empresas de grande porte, escolas e universidades, por exemplo, foram obrigadas pelo município a responder à pesquisa sob risco de não terem o alvará de funcionamento renovado. Foi a forma que a prefeitura encontrou para conseguir um bom número de respostas. Todas as informações atuais e futuras do plano de mobilidade ficarão disponíveis no site planodemobilidade.recife.pe.gov.br. A previsão do município é concluí-lo no fim do ano.

VEJA O PRIMEIRO RECORTE DA PESQUISA DE ORIGEM-DESTINO


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