13
nov

Michel Temer foi pego de surpresa com a exoneração de Bruno Araújo

13 / nov
Publicado por Leonardo Spinelli às 20:41

Deputado Bruno Araújo pediu exoneração do cargo de ministro das Cidades nesta segunda, 13. Foto: Ricardo B. Labastier / Acervo JC Imagem

Por LEONARDO SPINELLI

Antes de participar de cerimônia com o presidente Michel Temer na manhã desta segunda-feira (13), em Brasília, o deputado Bruno Araújo (PSDB) teve uma conversa com o presidente para informá-lo de sua decisão de deixar a Esplanada dos Ministérios e voltar à Câmara. Apesar de o presidente já estar articulando a reforma ministerial, Araújo disse que ele foi pego de surpresa com sua decisão.

“Ele (Temer) ficou surpreso, o presidente não esperava, mas foi fidalgo no trato. Eu agradeci a ele com a carta na mão. Da mesma forma que o convite é uma decisão unilateral, a exoneração também o é. Mantive uma equipe para cuidar da transição”, afirmou o agora ex-ministro ao blog.
Segundo Araújo, ele não sofreu pressão para deixar o cargo. “Foi uma decisão maturada. Minha vida pública sempre foi no PSDB. Eu fui ao ministério a convite do presidente e devido a uma decisão coletiva dentro do partido. Senti na pele o nível de sustentação política: (Marconi) Perilo, Tasso (Jereissati), (Geraldo) Alckmin, o conjunto de maioria da minha bancada… que minha contribuição chegou ao fim”, salientou.

Entramos de cabeça erguida dentro de um processo de impeachment para o País voltar a andar”

Deputado Bruno Araújo, ex-ministro das Cidades

Citando Fernando Henrique Cardoso, Araújo disse que a sua missão era colocar a máquina a voltar a andar. “O ciclo estava completo. A partir daí, houve um processo de esgaçamento”, comentou. “Entramos de cabeça erguida dentro de um processo de impeachment para o País voltar a andar”, explicou.

Bruno Araújo afirmo ainda que vai descansar por alguns dias e voltará à Câmara em busca da unidade perdida do partido. “Para (o partido) chegar inteiro no final do ano. Para chegar com uma candidatura a presidente forte e com tamanho”, salientou.

O ex-ministro reforça que a sua decisão é fruto de um processo de análise pessoal bem amadurecido. “A gente aproveitou o período para fazer um volume de investimento grande. Foram mais de R$ 3 bilhões pelo Ministério das Cidades em Pernambuco. Agora é cuidar disso e construir a aliança com Armando (Monteiro), com Mendonça (filho) e Fernando Filho. Vamos nos encontrar nas próximas semanas.”

O deputado afirmou ainda que não sofre pressão de dentro do partido para sair do governo. “Não teve um deputado do PSDB que me lingou para pedir (para sair). Todos, de todas as alas, conviviam comigo com suas demandas. A minha formação de não ter apego a cargo me apontava que era final do ciclo”, disse. “Agora vamos contribuir de outra forma. Devolvemos a governança ao Ministério. Da minha bancada, mesmo aqueles que defendiam ficar de fora do governo, vinham atrás de demanda. Eu nunca tive pressão pessoal. A percepção foi a de que era a hora de sair”, reforçou.

O parlamentar afirmou ainda que não houve um fato em si, a gota d´água, que o fez pensar que era a hora de sair e adiantou que outros ministros deverão fazer o mesmo caminho que ele. “Foi um processo conjunto de fatores que vão se aglutinando e levam a essa decisão. Foi uma decisão anterior de outros colegas ministros.”

Na carta entregue ao presidente, Bruno Araújo diz “não há mais apoio” para que ele siga no comando da Pasta e fala indiretamente da crise vivida no PSDB. “Agradeço a confiança do meu partido, no qual exerci toda a minha vida pública, e já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa”, escreveu.

A Pasta está sendo cobiçada por aliados da base insatisfeitos com o espaço no governo e que pedem a mudança administrativa em troca de aprovar projetos de interesse do governo como a reforma da previdência.


Veja também