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Corrupção: Polícia pede que chefe de fiscalização do DER-PE seja suspenso do cargo

06 / jun
Publicado por Raphael Guerra às 8:45

Segundo as investigações, esquema de corrupção envolvia fiscalizações a ônibus nas estradas. Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Indiciado criminalmente pelo crime de corrupção passiva, o chefe de Fiscalização e Vistoria do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE), Laurent Licari, pode ser afastado do cargo. O pedido, como medida cautelar, foi encaminhado pela Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (Decasp) ao Ministério Público.

Além de Laurent, foram indiciados o tenente-coronel Clóvis Fernando Pereira, que comandou o Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv) entre os anos de 2015 e 2016, por corrupção passiva, e dois empresários por corrupção ativa. De acordo com as investigações, fiscalizações eram direcionadas para três empresas de transporte específicas, com o objetivo de prejudicá-las e também para beneficiar às ligadas aos empresários envolvidos no esquema.

As fiscalizações ocorriam, em municípios como Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, e em Sirinhaém e Panelas, no Agreste.

No pedido de afastamento do gestor do DER-PE, a Polícia Civil aponta que a medida é uma forma de evitar que o indiciado dê continuidade à prática do crime. Após parecer do MPPE, caberá à Justiça decidir pelo afastamento do gestor, caso o Governo do Estado não tome a iniciativa.

Provas

Entre as provas, estão registros de conversas por um aplicativo de celular, em que, segundo a polícia, o tenente-coronel presta conta a um dos empresários sobre as ações realizadas em desfavor das empresas concorrentes dele. Segundo uma das testemunhas, as fiscalizações eram coordenadas diretamente pelo ex-comandante e duravam, em média, 40 minutos, trazendo prejuízo e atrasos para os funcionários dos coletivos.

Depoimentos de policiais ligados ao BPRv também foram anexadas ao inquérito, encaminhado ao Ministério Público. A Decasp também fez um comparativo das multas aplicadas às empresas de um dos envolvidos e de familiares deles em relação às concorrentes, o que apontou uma relação “alarmante e desproporcional”.

A quebra de sigilo bancário do ex-comandante do BPRv também apontou valores em dinheiro incompatíveis com o salário que ele recebia na Polícia Militar. Para os investigadores, as quantias podem ter relação com o esquema de corrupção.

O inquérito policial foi coordenado pela delegada Patrícia Domingos.

A assessoria do DER-PE ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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