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maio

Estaleiro Atlântico Sul fechou prejuízo de R$ 466,1 milhões em 2017 e acumula perdas de R$ 1,38 bilhão

11 / maio
Publicado por Leonardo Spinelli às 16:23

EAS precisa fechar novas encomendas sob o risco de fechar as portas. Foto: Guga Matos / JC Imagem

O Estaleiro Atlântico Sul (EAS), instalado no Complexo Industrial de Suape,  registrou em 2017 um prejuízo de R$ 466,1 milhões, um valor sete vezes maior que o prejuízo registrado no ano anterior, de R$ 62,2 milhões. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (11) no Diário Oficial do Estado de Pernambuco. O prejuízo acumulado da companhia é de R$ 1,38 bilhão e na visão dos auditores independentes, a companhia corre o risco de fechar as portas.

O prejuízo ocorreu mesmo com um aumento de 37% na receita consolidada do período, de R$ 918,2 milhões. O EAS pondera que o prejuízo não tem relação com o resultado operacional e que a empresa foi impactada por uma provisão para valor recuperável de ativos. Em nota, o estaleiro destaca que o aumento de receita permitiu que margem bruta do negócio mais que dobrasse em relação ao ano anterior, passando de 12,3% em 2016 para 27,1% em 2017.

Com relação ao prejuízo, a empresa diz que o resultado operacional foi “significativamente” impactado pela necessidade de realização de “provisão para valor recuperável de ativos”. “Essa provisão tem relação direta com as incertezas em relação ao futuro do EAS. Trata-se de medida de caráter contábil necessária em função da falta de perspectiva com relação a novas encomendas, mas que não guarda relação com o desempenho operacional do Estaleiro em 2017. Não fosse a exigência legal dessa provisão, o resultado operacional do EAS em 2017 seria de R$ 105 milhões.”

Segundo os auditores da Deloitte, a “administração da companhia vem mantendo uma série de medidas de reestruturação operacional e financeira, buscando o restabelecimento do equilíbrio Econômico e financeiro, bem como a melhoria de sua eficiência. A continuidade operacional depende do sucesso dessas medidas e de contratações futuras de clientes”.

O EAS vem dizendo que as encomendas à empresa se encerram em maio de 2019 e, caso não haja novos pedidos, a companhia terá que demitir pessoal já no final deste ano e poderá até encerrar as atividades, fechando 3,6 mil postos de trabalho.

EMPRÉSTIMO

O estaleiro tenta aprovar empréstimo junto ao BNDES para Satco, potencial cliente que pretende comprar cinco navios. O EAS também espera que a Petrobras contrate novas embarcações, mas precisa que haja especificações de regras de conteúdo do local para poder competir com empresas estrangeiras.

Outra opção para manter a atividade ainda seria conquistar uma das encomendas da Marinha do Brasil, que vai investir US$ 1,8 bilhão na construção de quatro corvetas, sendo a primeira entrega prevista para 2022. “O estaleiro até tem interesse, mas, para isso, é preciso mantê-lo funcionando até lá”, disse o presidente do EAS Harro Burmann no final do ano passado durante o lançamento ao mar da 11ª encomenda entregue à Petrobras, o navio Aframax, Castro Alves.

Segundo destacam os auditores, a continuidade operacional depende do sucesso de contratações futuras de clientes e que, atualmente, a capacidade de geração de caixa da companhia para saldar suas obrigações estão sendo financiadas por capital das partes relacionadas e obtenção de empréstimos. O empreendimento pertence aos grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

No primeiro trimestre deste ano, os acionistas integralizaram R$ 90 milhões ao capital da companhia, sendo que o patrimônio líquido caiu mais de 50%, passando de R$ 910 milhões em 2016 parra os atuais R$ 456,3 milhões. Sua dívida total soma mais de R$ 1,8 bilhão e a companhia possuía R$ 100 mil em caixa ao fechamento do balanço em dezembro.

 


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