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Quatro anos depois, BRT ainda se arrasta em meio a obras paradas

23 / out
Publicado por Roberta Soares às 20:09

 

Os BRTs Norte-Sul e Leste-Oeste se arrastam. São quatro anos de operação incompleta, entraves administrativos e, consequentemente, de desperdício do dinheiro público. Corredores que excederam o valor de construção projetado em quase R$ 60 milhões e, mesmo assim, parecem velhos. Sofrem com a degradação consequente da má execução. Por enquanto, representam um investimento de R$ 355,2 milhões, valor que deve aumentar porque ainda há inúmeras obras que compõem os corredores pendentes. Até setembro de 2018, a lista incluía terminais integrados. Mas foram tirados do papel, mesmo que com operações também incompletas, e agora o atraso é de estações de embarque e desembarque, elevado e alargamento de pontes. Tudo sem prazo para execução. E mais uma vez por problemas burocráticos.

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O BRT Norte-Sul é, novamente, o mais prejudicado. Embora oficialmente seja o corredor menos incompleto – faltam duas estações (Centro de Convenções e Paulista Centro) e o alargamento das pontes sobre o Rio Beberibe e o Canal da Malária – é o mais degradado e mal executado. De tão absurda, a situação acendeu o alerta no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Uma auditoria especial realizada pelo órgão concluiu que o corredor é um símbolo do descaso com o dinheiro público, tendo sido mal planejado e/ou mal executado desde sempre. A situação de desgaste do Norte-Sul assustou os técnicos do TCE nos 19 volumes (cada um com 200 páginas) que dão sustentação técnica à auditoria especial. Neles, estão retratadas as idas e vindas da obra e explicações para a principal conclusão: a degradação precoce provocada pelo mal planejamento e a má execução.

Entre os principais problemas apontados nos dois corredores, acréscimo do valor das obras sem justificativas técnicas, superfaturamento, baixa qualidade na execução dos serviços, celebração de termos aditivos acima do previsto na Lei 8.666/93 (Lei das Licitações), pagamentos desproporcionais e por serviços não executados, atraso em todo o cronograma e não aplicação das penalidades previstas no contrato às empresas responsáveis. A destruição do pavimento da PE-15, eixo principal do corredor que liga o município de Igarassu ao Centro do Recife, é o que mais escandalizou o Núcleo de Engenharia do TCE, corpo técnico que subsidia a auditoria especial. Pelos cálculos dos engenheiros, o governo do Estado já gastou R$ 28,3 milhões com uma pavimentação que deveria durar, no mínimo, 15 anos. Mas que se desfez em menos quatro anos de operação.


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