O maior tricolor de todos os tempos: João Caixero era o Santa Cruz

O ex-presidente do Santa Cruz faleceu nessa sexta-feira no Recife
Davi Saboya
Publicado em 08/01/2022 às 8:03
João Caixero: o maior torcedor do Santa Cruz Foto: GUGA MATOS/JC IMAGEM


Grande mestre! Foi assim que o verdadeiro "grande mestre" João Caixero sempre me atendeu em todas as oportunidades que conversamos. Aos 86 anos, o ex-presidente encerrou uma verdadeira história de devoção ao Santa Cruz. Com todo respeito aos demais tricolores, mas não existe e nunca existirá um torcedor maior que ele. 

João Caixero era o Santa Cruz! A história viva do Tricolor do Arruda. Eu tive o prazer de conhecer ele quando fui setorista da Cobra Coral no fim do ano de 2017 até a temporada 2019. Foi um dos melhores períodos da minha vida pessoal e profissional.

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E uma das pessoas que tive o prazer de conhecer e aprender muito sobre o futebol, o Santa Cruz e a vida foi João Caixero. Em uma das nossas muitas conversas e entrevistas, ele foi claro e revelou que não conseguia se imaginar fora do clube. E assim foi em mais de 70 anos, até quando teve saúde.

O que existe hoje do Centro de Treinamento Ninho das Cobras é enorme parte graças a João Caixero. Essa foi a sua principal missão nos últimos anos. Até mesmo quando foi massacrado por uma enxurrada de críticas no último período eleitoral, ele não arredou o pé e continuou sendo o responsável pelo funcionamento e crescimento do patrimônio coral.

BOBBY FABISAK / ACERVO JC IMAGEM - João Caixeiro, membro da comissão patrimonial do Santa Cruz. Obras do novo CT do Santa Cruz que fica no bairro da Guabiraba e vai se chamar Ninho das Cobras.

Seu Joca, como era mais conhecido no Santa Cruz, era querido por todos os funcionários tricolores. Não lembro de ter ouvido nenhum falar dele. Quem o conhecia logo enxergava uma pessoa generosa e educado. Tentou de todas as maneiras "acabar a sua missão" na terra com o centro de treinamento pronto. 

Arrecadou dinheiro, buscou doações, fez eventos, organizou venda de materiais e alimentos personalizados. Entre eles, bolo de rolo, caneta, miniatura de ônibus, água mineral e quase colocou até mesmo ovos com a marca do Santa Cruz. Por sinal, lembro muito bem de quando ele me contou essa ideia em primeira mão em uma das muitas entrevistas feitas lá no Ninho da Cobra. 

Inclusive, tive o prazer até de lá no CT saborear o alimento com pão e café ao lado de Joca e dos demais funcionários. Caixero era assim.

Não sai do Ninho das Cobras por nada. Até mesmo para comer. Por muitas vezes, me mostrou cada detalhe do equipamento, as ideias para o local e o que estava sendo feito.

A ideia de vender ovo não foi bem aceita pela maioria dos tricolores, causou um verdadeiro "furdunço" no Recife. Como boa pessoa que era, querendo o melhor para o Santa Cruz, refletiu e não tocou a ideia.

Entre os muitos acertos e pouquíssimos erros (se existiu outro), tudo que João Caixero queria ver era o Santa Cruz com a estrutura de um verdadeiro grande clube. Mesmos o CT estando longe do ideal, João Caixero deixou o seu legado na história do Santa Cruz.

>> João Caixero: 72 anos de Santa Cruz

Eu tive o prazer de ser presenteado por Caixero com um presente que até hoje guardo com muito carinho. Em 2016, João Caixero lançou um livro que passou 22 anos escrevendo a história do Santa Cruz. Começou lá em 1994, escrevendo e guardando todos os registros possíveis do Mais Querido.

GUGA MATOS/ACERVO JC IMAGEM - João Caixero na sua "segunda casa": o CT Ninho das Cobras

O material guardado foi tão grande, que na verdade, Caixero lançou três livros, com 1.238 páginas ao todo e 2.003 imagens. A obra foi chamada de "Santa Cruz de Corpo e Alma" e lançada após o inédito título de 2015 da Copa do Nordeste.

Foram feitas mil cópias visando um faturamento de R$ 1 milhão para ser revertido no Centro de Treinamento Ninho das Cobras. E, gentilmente, João Caixero me presenteou com um exemplar da trilogia coral. Edição essa que ainda recebeu um autógrafo de dedicatória especial dele.

Descanse em paz, grande mestre João Caixero! Obrigado pela atenção e amizade de sempre.

Clique aqui e leia a íntegra da reportagem feita por mim sobre os 72 anos de dedicação e amor de João Caixero com o Santa Cruz.

Bastidores: nessa entrevista, ele me disse até que um "primo" meu da família Saboya chegou a salvar a mãe dele em uma cirugia. 

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