INVESTIGAÇÃO

Morte de Lázaro não encerra investigações. Veja o que falta esclarecer

"Ele não é um lobo solitário. Tem uma quadrilha por trás", afirmou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) sobre o caso

Douglas Hacknen Julianna Valença
Douglas Hacknen
Julianna Valença
Publicado em 29/06/2021 às 14:43
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Divulgação/Polícia Civil
Lázaro Barbosa foi morto no dia 28 de junho em confronto com policiais da força-tarefa que fazia buscar por ele há 20 dias - FOTO: Divulgação/Polícia Civil
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A morte de Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos, após 20 dias de buscas, não marca o fim da investigação policial acerca dos crimes associados a ele. O ‘serial killer do DF’, como ficou conhecido, é investigado em aproximadamente oito inquéritos que envolvem latrocínios — roubo seguido de morte — e homicídios. Contudo, as autoridades acreditam que o criminoso pode não ter agido sozinho. “Ele não é um lobo solitário. Tem uma quadrilha por trás”, afirmou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

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Dentre as linhas de investigação que são exploradas pela polícia de Goiás (PCGO), estão a de crimes por encomenda, disputas de terras e especulação imobiliária. Segundo o secretário de Segurança Pública Rodney Miranda, Lázaro fazia parte de um esquema criminoso e que, possivelmente, atuava como jagunço e segurança, “um executor de ordens”.


Durante as buscas por Lázaro, o fazendeiro Elmi Caetano Evangelista, 74, e o caseiro de sua propriedade, Alain Reis de Santana, 32, foram presos na última quinta-feira (24) após os agentes perceberem que Lázaro estava na propriedade. Já detido, o caseiro confessou a ajuda ao foragido e deu detalhes do cotidiano na fazenda, em que, por ordem do patrão, dava suporte ao foragido por, pelo menos, 5 dias. “(Lázaro) é um psicopata, mas não cometia crimes só por causa da psicopatia. Agia para acobertar ou beneficiar alguém. Sabemos que, em alguns desses crimes, ele não agiu sozinho”, declarou o secretário de Segurança Pública.


Ainda segundo Rodney, Elmi Caetano é o possível chefe da quadrilha. “Ainda temos algumas pessoas para investigar e prender. Mas o principal, que seria o empresário (Elmi Caetano), um dos líderes da organização, (e Lázaro) não são mais problemas para esta comunidade. Encerramos mais uma etapa importantíssima, porque os chacareiros e a população vão restabelecer a normalidade. Mas ainda temos mais gente para buscar”, disse.

Outro fato que reforça a teoria é o fato de que após morto, na última segunda-feira (28), foi encontrado no bolso de Lázaro Barbosa a quantia de R$4.400 em dinheiro. Os agentes acreditam que o recurso seria utilizado para o homem sair do estado e que alguém o teria ajudado. Na mochila do criminoso, também foram encontrados remédios, alimentos instantâneos e bastante munição. Lázaro também estava com a barba feita e usava um casaco original da Polícia Militar do DF.

 

Linha do tempo dos crimes


2007

Preso em Barra Mendes, na Bahia, pelo crime de duplo homicídio, mas fugiu da prisão depois de 10 dias.

2009

Preso no DF pelos crimes de roubo, estupro e porte de arma.

2013

Laudo aponta características de personalidade como "agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade".

2014

Passa para o semiaberto e é beneficiado com trabalho externo.

2016

Foge da unidade prisional do regime semiaberto.

Março de 2018

Lázaro é recapturado.

Julho de 2018

Foge do Presídio de Águas Lindas de Goiás (GO).

2019

Justiça expediu novo mandado de prisão.

2021

26 de abril: Lázaro teria invadido uma casa no Sol Nascente.

17 de maio: fez uma família refém na mesma região.

9 de junho: teria cometido um triplo homicídio em uma chácara, no Incra 9, em Ceilândia (DF).

10 de junho: rendeu o proprietário de uma fazenda, a filha dele e o caseiro.

12 de junho: Polícia encontra corpo de vítima no Córrego da Cascalheira, localizado no meio da mata entre a BR-070 e a DF-180.

13 de junho: furtou um carro e o abandonou na BR-070, depois, ele continuou a fuga, pela mata.

14 de junho: Polícias do DF e de Goiás fizeram um cerco em 34 propriedades rurais da região e continuaram as buscas

15 de junho: fez três pessoas de reféns e atingiu policial no rosto com disparo de arma de fogo

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