O Edifício Ulysses Pernambucano, no Derby, área central do Recife, nasceu como Escola de Aprendizes Artífices, foi sede da antiga Escola Técnica Federal e hoje é conhecido como Cinema da Fundação. Fechado para obra de restauração desde janeiro de 2016, o prédio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) será reaberto no fim de 2017 com nova missão: resgatar aquele trecho do bairro como ponto de encontro dos moradores da cidade.
“Depois de restaurado, o edifício será a âncora de um polo cultural que pretendemos fortalecer no Derby”, declara a urbanista Vitória Andrade, coordenadora da empresa Cardus Arquitetura, responsável pelo projeto. “O bairro, no passado, era um local de festa e lazer. Hoje funciona como lugar de passagem e de conexão viária, além ser um deserto nos fins de semana”, destaca. É esse perfil que ela espera modificar.
A mudança começa com a reocupação dos espaços internos do prédio, uma construção art déco de 1930 que recebeu acréscimos na década de 1950. A biblioteca, antes localizada no segundo pavimento, vai descer para o térreo. No mesmo piso ficarão a livraria, a galeria de arte Vicente do Rego Monteiro, o estúdio de cinema, as ilhas de edição de filmes e a sala de oficinas e atividades culturais destinadas a crianças, no prédio da Fundaj.
Com a nova organização, os serviços voltados ao público ficam mais visíveis, acrescenta Vitória Andrade, para confirmar o papel da Fundação Joaquim Nabuco de fomentador de cultura. A biblioteca, por exemplo, também será um espaço para difusão do acervo da Fundaj, com exposições regulares. “Queremos abrir as portas da fundação para a cidade. O prédio não oferece apenas cinema”, declara Vitória Andrade.
O projeto de recuperação do edifício da Fundaj, diz a arquiteta, resgata a história do imóvel e também do bairro. A antiga Escola de Aprendizes Artífices volta a fazer parte da vida da cidade para receber os produtores e consumidores de cultura, artífices do século 21, observa Vitória Andrade. “Uma obra de restauração tem essa função: fazer a ponte entre passado e futuro.”
O passado estará à vista do público nas pinturas artísticas das paredes da sala do cinema e nas colunas marmorizadas de cor verde escura no hall de entrada, descobertas durante a obra e que deverão ser restauradas. “Esse trabalho ainda não foi executado, mas é importante no resgate do prédio”, ressalta a urbanista. Ela também propõe a integração do edifício com o Colégio da Polícia Militar e com a sede do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-PE).
“Salas da antiga escola de artífices são ocupadas pelo colégio, o terreno é um só e a integração iria favorecer os alunos”, defende. A ideia seria recuar a porta do colégio e conectá-lo à Fundaj pelo corredor do prédio. “O corredor assumiria as vezes de rua, seria a rua da galeria Vicente do Rego Monteiro e da biblioteca e levaria à escola da polícia.”
O Cinema da Fundação, modernizado, permanece no primeiro andar com a porta de saída na lateral do prédio, margeando o Rio Capibaribe. No mesmo piso será aberta uma sala menor, para exibição de filmes e debates sobre a produção cinematográfica. O último pavimento abrigará a Escola de Governo e Políticas Públicas da Fundaj, com cursos de pós-graduação na área de educação. Também está previsto um mirante para o Capibaribe, na beira do rio. “É mais um estímulo para a circulação na rua.”