Mulher queimada viva pelo ex-companheiro é enterrada em Abreu e Lima

Mirela dos Santos Oliveira deixa dois filhos, um menino de quatro anos e uma menina de sete
Anderson Nascimento
Publicado em 24/11/2017 às 19:01
Mirela dos Santos Oliveira deixa dois filhos, um menino de quatro anos e uma menina de sete Foto: Foto: Anderson Nascimento/SJCC


Foi enterrada na tarde desta sexta-feira (24) a mulher que teve o corpo incendiado pelo ex-companheiro, em Abreu e Lima, Região Metropolitana do Recife. Mirela dos Santos Oliveira, de 26 anos, morreu nessa quinta-feira (23), no Hospital da Restauração (HR), vítima de uma parada respiratória. Ela estava internada desde o dia 8 deste mês. Mirela deixa dois filhos, um menino de quatro anos e uma menina de sete.

Sob forte comoção, parentes e amigos de Mirela compareceram ao cemitério para se despedir da jovem que foi velada com caixão fechado. Muitos vestiram branco, em forma de manifestação e para cobrar justiça. Um parente da vítima, que preferiu não ser identificado, cobrou mais empenho da polícia para prender o suspeito do crime. "Gostaria muito que a delegada Gleide Ângelo ficasse com a investigação deste caso ou alguém que resolva e não deixe esse crime impune", cobrou o familiar.

De acordo com familiares, Mirela estava separada do suspeito, identificado como Vado Moura, há cerca de um mês. Porém, o homem não aceitava o fim do relacionamento e teria cometido o crime usando gasolina, na frente do próprio filho de quatro anos. Ainda de acordo com parentes, Mirela se jogou em pelo menos duas caixas d'água para tentar apagar o fogo do seu corpo, mas as chamas não acabavam.

Dias após o crime, o suspeito chegou a ir até a casa dos pais de Mirela para buscar seu filho, porém, os familiares da criança não permitiram que ele levasse o garoto. Desde então, o homem não foi mais visto na região e não há notícias sobre seu paradeiro.

Outra vítima do suspeito

Uma ex-companheira de Vado Moura, que também preferiu não se identificar, compareceu ao enterro de Mirela. A mulher contou que viveu com o suspeito durante sete anos e que começou a sofrer agressões verbais e físicas do homem nos dois últimos anos de convivência. Em setembro de 2010 ela conseguiu romper relações com Vado, mas ele não aceitava a separação. E de acordo com a mulher, o homem tentou mata-lá em março de 2011. Ele foi até o trabalho dela e desferiu cinco golpes de faca na ex-companheira, que foi socorrida por colegas de trabalho.

"Meu sentimento primeiro é de revolta porque a gente vê que Justiça poderia ter feito algo para que não chegasse a ocorrer esse crime. E tristeza porque é uma família que foi destruída, filhos vão ficar sem mãe. Quero que a Justiça seja feita na sua medida certa", expressou a mulher.

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