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Etiene Medeiros destaca reconhecimento em Pernambuco

A pernambucana Etiene Medeiros teve seu nome integrado ao Hall da Fama do esporte estadual, no Espaço Pernambuco Imortal. Ela agradeceu o reconhecimento

Gabriela Máxima
Gabriela Máxima
Publicado em 28/08/2019 às 9:06
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Marlon Diego/Secretaria de Educação e Esportes/Divulgação
A pernambucana Etiene Medeiros teve seu nome integrado ao Hall da Fama do esporte estadual, no Espaço Pernambuco Imortal. Ela agradeceu o reconhecimento - FOTO: Marlon Diego/Secretaria de Educação e Esportes/Divulgação
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Bicampeã pan-americana, bicampeã mundial e finalista olímpica da natação brasileira, Etiene Medeiros entrou para o Hall da Fama do esporte pernambucano, no Espaço Pernambuco Imortal. Etiene é considerada a melhor nadadora do País na atualidade e se tornou a 21ª atleta a integrar a lista de destaques esportivos do Estado. Ela falou sobre o reconhecimento no Estado, sobre representatividade e referências no esporte.

RECONHECIMENTO

Fiquei feliz com a quantidade de atletas de referência que temos no Estado e o quanto a gente tem potência e força para estar entre os melhores do mundo. Eu me senti muito dentro desse processo quando eu cheguei (na Arena Pernambuco, para a cerimônia no hall da fama dos atletas). Me senti muito feliz e realizada de ver esse reconhecimento. Foi um momento muito especial porque eu não tinha feito nada parecido antes. Por mais que seja um momento material, você está fixando uma história. Esse é um tipo de reconhecimento. Então eu fiquei muito feliz e grata. Reconhecimento. Esta é a palavra. Ninguém gosta de ser uma chama esquecida. E o brasileiro tem essa cultura de esquecer o processo. Já foi, agora são as Olimpíadas. Se ela não ganhar ela é ruim. Se não for medalhista olímpica não é nada. É difícil. A cultura brasileira no esporte, na educação tem que mudar.

REPRESENTATIVIDADE

De uns anos para cá eu tenho escutado muito. “Você que representa. Você que vai fazer.” Isso de certo modo é um peso. Eu sei hoje. Falar que sou muito tranquila em relação a isso. Não. Isso é um processo que você tem que aceitar. É um processo que seu sonho está dentro disso. Para você ir em busca de coisas maiores você tem que trazer uma bagagem. Hoje eu sei o que Etiene Medeiros representa para o esporte, para a natação, para Pernambuco, para o Brasil e para o mundo. Hoje as pessoas querem saber o que visto, o que uso, qual a meia. O que escuto. “Ela é família, ela namora, ela não namora. Ela tem uma casa em (Fernando de) Noronha. O que ela faz tanto lá porque ela vive lá?” Hoje é muito legal porque traz esse tipo de proximidade com os mais novos, com os mais velhos, com os pais. Esse lado representativo não só por ser mulher, negra, nordestina. As pessoas precisam ler mais para falar sobre esse assunto.

REFERÊNCIAS

Eu tenho referências no esporte também. Chego em casa e dou uma volta no tempo. Adriana (Salazar) foi uma. Acabei de falar com Nikita, que foi e até hoje é uma pessoa referência na minha vida. Joanna (Maranhão). Quando comecei a treinar eu sabia o tipo de música que ela escutava porque eu me espelhei nela. Se eu escuto Caetano Veloso, Chico (Buarque), a galera sabe. O atleta não tem só o poder de ser campeão. De ser perdedor. Ele tem outros valores que são observados. De uma construção familiar, de uma construção de comunidade, de acessibilidade. São vários assuntos englobados. Eu sei do peso que represento. Foi uma trajetória muito tensa. Com altos e baixos, mas faz parte. Sou muito grata porque é uma vida. Por mais que seja curta, é uma vida. Minha vida hoje é a natação. Hoje eu tenho muitos sonhos, não só na piscina, mas fora também. E quero impactar muita gente.

FAMÍLIA

Em casa eu tenho uma referência muito boa, que são meu pai e minha mãe. As pessoas falam que sou muito “mãe e pai”'. Aquele papo cansado que ela vai para o Recife. Meus valores vieram deles. São minhas raízes. Eu sou entranhada. Foi a palavra da viagem. Eu sou entranhada com as minhas raízes. Eu vou a Fernando de Noronha para ficar na casa de uma amiga que estudei na faculdade, que é minha família. É uma família de trabalhadores, tem os mesmos valores que os meus. E a gente se identifica com esse tipo de pessoa e quer gerar transformação a partir disso. Lá em consigo andar descalça. O caminho que eu tenho, minha rotina é muito pesada. É muito sacrifício. Muito tudo.

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