Mulheres de opositores venezuelanos pedem apoio de senadores brasileiros

A filha e a mulher de Ledezma afirmam esperar que o governo e o Congresso brasileiro atuem diplomaticamente a favor dos presos
Folhapress
Publicado em 06/05/2015 às 21:11
A filha e a mulher de Ledezma afirmam esperar que o governo e o Congresso brasileiro atuem diplomaticamente a favor dos presos Foto: Foto: Carlos Barrios/ABI


Familiares do ex-prefeito de Caracas Antônio Ledezma pediram nesta quarta-feira (6) o apoio de senadores brasileiros aos líderes da oposição presos na Venezuela por suposta conspiração contra o governo de Nicolás Maduro.

A filha e a mulher de Ledezma afirmam esperar que o governo e o Congresso brasileiro atuem diplomaticamente a favor dos presos.

"Esperamos apoio. Que todos saibam o que estamos vivendo com presos políticos, estudantes torturados. Esperamos muito desse governo, porque a presidente [Dilma Rouseff] sofreu muito na ditadura, torturas, sabe muito sobre o que vivemos", disse a filha de Ledezma, Mitzy Ledezma.

A filha do ex-prefeito visitou o senador José Serra (PSDB-SP) acompanhada da mãe, Mitzy Capriles.

Em fevereiro deste ano, no exercício de seu mandato como prefeito de Caracas, Ledezma foi preso por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional.

Além de Mitzy, Lilian Tintori, mulher do líder do partido Vontade Popular, Leopoldo López, também está no Brasil para reuniões políticas em defesa do marido -que também está preso.

A mulher de Ledezma disse que seu marido era a segunda maior autoridade civil do país, atrás apenas de Maduro, e foi preso sem nenhuma explicação por homens do serviço de inteligência do governo venezuelano.

"Em 19 de fevereiro deste ano, 120 homens do serviço de inteligência o levaram de seu trabalho. Quando perguntou se havia um papel sobre o porquê de estar sendo preso, apenas disseram: vá preso e ponto. Ele havia sido eleito com quase 750 mil votos, em uma eleição popular, e isso não foi respeitado", protestou.

Mitzy criticou o governo Maduro ao afirmar que a liberdade de expressão está "estrangulada" na Venezuela, assim como outros direitos, como a liberdade para líderes oposicionistas.

"Respeitamos profundamente o pensar diferente. Queremos respeitar a maneira de pensar de todos, mas também queremos que nós, como opositores, sejamos respeitados."

O senador Serra disse que o governo da Venezuela está desrespeitando uma das regras do Mercosul ao "quebrar a democracia no país", por isso o Itamaraty e o Palácio do Planalto devem pedir explicações a Maduro.

O tucano defende o envio de uma comissão de senadores brasileiros a Caracas para acompanhar a situação dos presos.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), autorizou a ida dos congressistas, mas a viagem ainda não foi marcada.

"Pedi ao Renan que operacionalizasse a visita de uma comissão de senadores a Caracas para verificar in loco qual é a a situação, entrevistar os presos e as suas famílias subsidiar o governo brasileiro para que tome uma posição que já deveria ter tomado, que é o repúdio à quebra do jogo democrático por um membro do Mercosul", afirmou o senador.

Serra disse acreditar que o regime de Maduro vá ser encerrado em curto prazo na Venezuela diante da crise na economia do país.

Além do encontro com o senador tucano, as familiares de Ledezma vão se encontrar com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP) e com parlamentares da oposição.

Nesta quinta-feira (7), as mulheres dos presos vão participar de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Ontem, em São Paulo, Mitzy e Lilian se encontraram com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Ledezma recebeu alta depois de passar por cirurgia, no final de abril, e se recupera no regime de prisão domiciliar.

Líder do partido Vontade Popular, Leopoldo López está preso há pouco mais de um ano acusado de incentivar os violentos protestos estudantis de 2014.

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