Navio russo afunda em colisão no Mar Negro, mas tripulação é resgatada

Os serviços da Guarda Costeira turca mobilizaram embarcações no lugar do naufrágio
AFP
Publicado em 27/04/2017 às 14:29
Os serviços da Guarda Costeira turca mobilizaram embarcações no lugar do naufrágio Foto: Foto: AFP / Arquivos


Um navio espião da Marinha russa colidiu nesta quinta-feira (27) com outro barco perto do litoral da Turquia, no Mar Vermelho, e afundou, mas a tripulação conseguiu ser resgatada, informaram as agências de notícias russas e a Guarda Costeira turca.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, telefonou ao seu colega russo, Dimitri Medvedev, pouco depois para manifestar sua tristeza, informou a agência de notícias governamental Anadolu.

"Um navio dos serviços de informação da frota do Mar Negro, o 'Liman', sofreu uma brecha (no casco) provocada por uma colisão com outro navio, o 'Ashot-7'", 40 km a noroeste do Estreito de Bósforo, segundo um comunicado, que afirma ainda que a tripulação foi resgatada e está a salvo.

"Todos os membros da tripulação do navio de inteligência 'Liman' estão vivos, em bom estado de saúde e se preparam para ser transferidos de um barco de resgate turco a um navio russo", comunicou, por sua vez, o exército russo, citado pelas agências de notícias.

Os serviços da Guarda Costeira turca mobilizaram embarcações no lugar do naufrágio.

Segundo a imprensa turca, 78 pessoas se encontravam a bordo do navio de guerra russo, que colidiu com um barco de transporte de gado diante da cidade costeira de Kilyos, na entrada do Estreito de Bósforo.

O canal turco NTV reportou que o navio transportava gado e sofreu apenas pequenos danos, e acrescentou que poderá retomar sua viagem depois de uma inspeção.

A agência de notícias turca Dogan indicou que, no momento da colisão, a zona onde ocorreu o acidente estava tomada por uma espessa neblina, e por isso o ocorrido teria sido acidental.

No momento, não se sabe qual era a rota marítima do navio russo, especializado na coleta de informações.

O "Liman" é um navio de investigação científica que entrou em serviço em 1970 e foi acondicionado por Moscou como navio espião para recolher informações.

Em fevereiro, fontes militares indicaram à imprensa russa que o navio observaria os exercícios da Otan no Mar Negro.

Dezenas de navios militares russos passam todos os anos pelo Estreito de Bósforo, via de conexão entre o Mar Negro e o Mediterrâneo.

Este tráfego provoca a curiosidade de muitos habitantes de Istambul. Estas idas e vindas de barcos russos estão destinadas a abastecer as forças russas que apoiam na Síria o regime de Bashar al-Assad.

As relações entre Rússia e Turquia, que apoia a oposição síria, melhoraram nos últimos meses, após fortes tensões depois que as forças turcas derrubaram um avião russo perto da fronteira da Síria, no fim de 2015.

A Convenção de Montreux, assinada em 1936, autoriza a livre circulação através do Bósforo e de Dardanelos para navios de todos os países, salvo aqueles que se encontrem em guerra com a Turquia.

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