Oposição se reúne na 3ª para unificar discurso do impeachment

Parte dos oposicionistas defende que seja apresentado imediatamente o pedido, sob o argumento de ter recebido sinais do presidente da Câmara de que esse é o momento
Da Folhapress
Publicado em 21/08/2015 às 19:15
Parte dos oposicionistas defende que seja apresentado imediatamente o pedido, sob o argumento de ter recebido sinais do presidente da Câmara de que esse é o momento Foto: Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil


Em meio à turbulência política causada pela denúncia do Ministério Público Federal contra Eduardo Cunha (PMDB), os quatro principais partidos de oposição -PSDB, DEM, PPS, SD- devem se reunir nesta terça-feira (25) para tentar unificar o discurso relativo aos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Parte dos oposicionistas defende que seja apresentado imediatamente o pedido, sob o argumento de ter recebido sinais do presidente da Câmara de que esse é o momento.

Acuado, Cunha tem acusado o governo de patrocinar sua incriminação no esquema de corrupção da Petrobras. Em público, porém, afirma que não pretende misturar as coisas e promover retaliações contra quem quer que seja.

Outra parte da oposição, porém, que por enquanto é mais numerosa, quer aguardar os desdobramentos políticos e assegurar que há chance real de bancar o prosseguimento da tramitação do pedido. Eventual derrota nessa questão significaria um tiro pela culatra para os adversários de Dilma.

Divergências a parte, a intenção da oposição é passar a mensagem para o presidente da Câmara de que os parlamentares das legendas estão dispostos a encampar um pedido de afastamento da petista caso seja levado ao plenário da Casa Legislativa.

MANOBRA

Nos bastidores, há um script montado já há algumas semanas pelos principais aliados de Cunha. Segundo esse roteiro, o presidente da Câmara, a quem cabe monocraticamente essa decisão, rejeitaria dar prosseguimento ao pedido de impeachment.

Algum aliado, porém, recorreria dessa decisão ao plenário, que precisaria do voto de pelo menos 257 dos 513 deputados para reverter o despacho e dar seguimento ao caso.

O objetivo da manobra é livrar Cunha de assumir isoladamente o desgaste político com o governo e, consequentemente, dar um caráter coletivo à ação.

Se o plenário decidir dar sequência ao pedido, é montada uma comissão especial para analisar o tema. Dilma só é afastada caso o processo de impeachment seja formalmente aberto pelo plenário da Câmara, o que só ocorrerá pelo voto de pelo menos dois terços da Casa (342 de 513 deputados).

O governo tem maioria na Casa, no papel, mas essa base tem se mostrado bastante instável e rebelde neste ano.

GRANDEZA

Segundo relatos, Cunha indicou na quinta-feira (21), em conversas reservadas com lideranças da oposição, que poderia dar nas próximas semanas prosseguimento a essa iniciativa.

A ideia de realizar a reunião das oposições foi definida na última quarta-feira (19), dois dias depois do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter afirmado que a renúncia da presidente seria um ato de "grandeza".

Além de lideranças e dirigentes dos partidos de oposição, devem participar da reunião advogados e juristas, como Miguel Reale Júnior, que elaborou para o PSDB um parecer sobre o impeachment da presidente.

No encontro, além de analisarem o cenário político atual, será feita uma discussão sobre os atuais fundamentos jurídicos para um eventual pedido de afastamento da petista.

Com o discurso afinado, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, pretende se reunir com peemedebistas tanto na Câmara dos Deputados como no Senado Federal para discutir um eventual impedimento da presidente.

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