Em entrevista a jornal, Dilma reafirma meta e diz que é preciso elevar receitas

Segundo Dilma, o rombo fiscal só será coberto com o corte de despesas e o aumento de impostos
Da Folhapress
Publicado em 10/09/2015 às 13:40
Segundo Dilma, o rombo fiscal só será coberto com o corte de despesas e o aumento de impostos Foto: Foto: Roberto Stuckert Filho PR


A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista ao jornal "Valor Econômico", publicada nesta quinta-feira (10), que vai perseguir a meta fiscal de superavit de 0,7% do PIB, apesar do deficit de 0,5% do PIB previsto na proposta orçamentária para 2016. Segundo Dilma, o rombo fiscal só será coberto com o corte de despesas e o aumento de impostos.

"Inequivocadamente, teremos de ter ampliação da receita", declarou.

"Mantemos a meta de 0,7% de superavit, agora temos uma deficit de 0,5% do PIB. Assim sendo, é preciso tomar medidas de contenção de despesa, sobretudo das obrigatórias. Mantidos os compromissos que assumimos no PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e olhando as demais, você não tem margem para cumprir 0,7%", disse.

A presidente afirmou que é o Executivo quem deve propor novos tributos e, apesar de não dar detalhes das propostas que o governo está avaliando enviar ao Congresso nas próximas semanas, diz preferir que sejam tributos com data para acabar fixada em lei.

Dilma defendeu ainda o envio ao Legislativo de propostas de mudanças legais para viabilizar o enxugamento das despesas obrigatórias.

"É a nossa responsabilidade dizer onde, quando e como [vamos cortar e aumentar receitas]. Muitas pessoas estão falando, o governo está avaliando. Não fecha sem aumento de receitas, a não ser que o pessoal queira ficar com o 0,5% do PIB de deficit", disse a presidente.

"Nós ainda vamos cortar, enxugar um pouco", completou, em referência à reforma administrativa anunciada pelo governo no mês passado. O Ministério do Planejamento diz que irá cortar pelo menos 10 dos 39 ministérios, mas nada foi efetivamente anunciado e Dilma também não deu detalhes do que irá fazer. Ressaltou apenas que quer manter o status de ministério do Banco Central.

Nos últimos dias, integrantes do governo têm falado sobre a possibilidade de aumento do Imposto de Renda das pessoas físicas, a criação de um imposto provisório e da elevação alíquotas de tributos, como a Cide, cobrado sobre combustíveis. Mas Dilma avaliou que o aumento da Cide não seria suficiente e traria um forte impacto inflacionário.

REBAIXAMENTO

Sobre o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência Standard & Poor's, que tirou o selo de bom pagador do país nesta quarta-feira (9), a presidente afirmou que não significa que o país "esteja em uma situação que não possa cumprir suas obrigações". "Pelo contrário, está pagando todos os seus contratos, como também temos uma clara estratégia econômica. Vamos continuar nesse caminho e retomar o crescimento do país", afirmou.

Ainda de acordo com a presidente, a retomada do crescimento será dada pela queda da inflação, recuperação das exportações e a volta dos investimentos que, consequentemente, impulsionarão o crédito e o consumo.

Para Dilma, parte "fundamental" do equilíbrio fiscal é o crescimento da economia e um dos fatores que vai ajudar nisso é a expansão das exportações beneficiadas pela recente forte desvalorização do real, que tem um efeito inflacionário negativo mas vai estimular algumas indústrias no país.

Dilma disse ao "Valor" que a parte do governo nessa retomada do crescimento está nos investimentos em infraestrutura e energia, razão pela qual estão sendo feitas várias concessões.

Entre os problemas de longo prazo que precisam ser enfrentados pelo Brasil para garantir a sustentabilidade do equilíbrio fiscal, Dilma disse que é preciso "fazer uma reforma da Previdência intergeracional", e que isso está sendo discutido em um fórum.

LEVY

A presidente minimizou os conflitos entre os ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento), que têm travado embates internos sobre a condução da política econômica, e disse que o ministro da Fazenda "não sai" do cargo.

"Joaquim tem minha confiança", declarou.

Segundo ela, as pessoas queriam que Levy resolvesse os problemas do país rapidamente, mas "ele está fazendo muito, trabalhando horrores, enfrentando uma série de dificuldades".

"O processo não é linear, tem idas e vindas. Você tem que ir ao Congresso e negociar".

PMDB

Por fim, a presidente fez um afago ao PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, e disse que o aliado "mais ajuda" do que atrapalha na governabilidade.

Nos bastidores, ministros petistas estão preocupados com os movimentos do vice, que tem se reunido com empresários e lideranças políticas e chegou a dizer que "é muito difícil" que Dilma aguente até o fim de seu mandato com índices de popularidade tão baixos.

Diante da crise política e econômica, além dos recordes de baixa popularidade -que admitiu incomodá-la-, Dilma rejeitou mais uma vez qualquer possibilidade de renúncia.

"Eu não saio daqui, não faço essa renúncia. Não devo nada, não fiz nada errado. Acho que a popularidade da gente é função de um processo".

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