Diante de senadores, Moro destaca reforço a grupo da PF que mira em políticos

Os dados foram apresentados pelo ministro em uma espécie de balanço das primeiras ações em sua gestão no ministério
Estadão Conteúdo
Publicado em 27/03/2019 às 13:24
Os dados foram apresentados pelo ministro em uma espécie de balanço das primeiras ações em sua gestão no ministério Foto: Foto: Marcelo Camargo/ABr


Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, o ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, destacou o aumento de 525% no número de policiais federais que investigam políticos e demais autoridades com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal. A ampliação foi de oito para 42 agentes que atuam no Serviço de Inquéritos Especiais da Polícia Federal, que investigam também senadores.

Moro também destacou o reforço das forças-tarefas e equipes policiais da Lava Jato em Curitiba, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Os dados foram apresentados pelo ministro em uma espécie de balanço das primeiras ações em sua gestão no ministério.

As delegacias da PF responsáveis pelo combate a corrupção nos quatro Estados tiveram incrementos que variam entre 83%, caso do Paraná, e 21%, caso de Brasília. O incremento em São Paulo foi de 25% e no Rio de Janeiro, 34%. O número médio de policiais nessas unidades passou a 48. Antes, eram 35.

Além disso, Moro destacou a duplicação na equipe do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de 31 para 64 pessoas "O Coaf estava um pouco negligenciado em gestões anteriores. A equipe passou de 31 para 64. Tudo por conta daquela gordura que conseguimos cortar com a unificação de dois ministérios (o da Justiça e o da Segurança Pública)", disse Moro. O comentário foi também uma defesa à junção das duas pastas - questionada por alguns parlamentares.

O Coaf foi responsável pelo relatório - revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo - que apontou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro estava presente na sessão, em que Moro disse não pretender "tornar o Coaf um órgão policial". "O Coaf é órgão de inteligência, e não de investigação. Não há plano de tornar o Coaf um órgão policial."

Projeto

Na audiência na CCJ, Sérgio Moro fez uma defesa do pacote de mudanças legislativas "anticrime" propostas pelo governo federal.  Respondendo a uma pergunta do senador Lasier Martins (PSD-RS), disse que seu projeto é mais abrangente do que o apresentado pela comissão de juristas presidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

O texto idealizado por Moraes tem sido considerado na Câmara dos Deputados a espinha dorsal no debate de atualização da legislação penal e dos processos penais, e não o do ministro Moro.

"O projeto de Moraes é um bom projeto. Tem alguns pontos comuns, mas qualquer comparação dos dois textos há de perceber que há algumas convergências, mas o meu projeto é um pouco mais amplo, com medidas diferentes", disse Moro.

O ministro enumerou: "prisão em segunda instância, a execução imediata da sentença do tribunal do júri, a escuta ambiental, os bancos de dados que estão sendo criados, a figura do whistleblower (informante do bem)". "É um projeto mais abrangente, mas o dele também é bom", disse Moro.

O ex-juiz da Lava Jato, no entanto, mostrou pragmatismo. "Não importa acordo com qual gato, importa que ele pegue o rato. Se a legislação for boa... Conversei com o ministro Alexandre e podemos resolver sem maiores dificuldades, mas os projetos são diferentes embora haja convergência", disse.

TAGS
Sérgio Moro anticrime senado
Veja também
últimas
Mais Lidas
Webstory