INOVAÇÃO

TJPE usará inteligência artificial para agilizar processos de execução fiscal no Recife

A equipe da Setic programou o sistema ELIS para que aprendesse a realizar a triagem inicial de processos ajuizados eletronicamente pela Prefeitura do Recife

JC Online
JC Online
Publicado em 20/11/2018 às 14:14
Foto: JC Imagem/Arquivo
A equipe da Setic programou o sistema “ELIS” para que aprendesse a realizar a triagem inicial de processos ajuizados eletronicamente pela Prefeitura do Recife - FOTO: Foto: JC Imagem/Arquivo
Leitura:

Depois de implantar o sistema de Processo Judicial eletrônico (PJe) para processos cíveis nas comarcas do Estado, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) dá mais um passo rumo à modernização com o emprego da inteligência artificial para conferir maior celeridade à tramitação processual, otimizando a utilização de recursos humanos e tecnológicos. Com essa intenção, a Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic) do Judiciário pernambucano desenvolveu um sistema de inteligência artificial, batizado com o nome “ELIS”, para analisar os processos de executivos fiscais do município do Recife.

Para o desembargador Adalberto de Oliveira Melo, presidente do Tribunal, o resultado obtido com o projeto piloto desenvolvido pela recém-criada Comissão para Aplicação de Soluções em Inteligência Artificial (CIA) do TJPE é uma marca da gestão. “Adotamos como lema de nossa gestão o slogan ‘Inovando para pacificar e unir’. Nosso objetivo é investir em pessoal e tecnologia, para que possamos obter melhores resultados, cumprindo nossa missão, que é atender de forma plena a sociedade”, declarou o presidente, revelando que em breve os avanços tecnológicos serão compartilhados com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Desenvolvimento

A equipe da Setic programou o sistema “ELIS”, durante o projeto piloto, para que aprendesse a realizar a triagem inicial de processos ajuizados eletronicamente pela Prefeitura do Recife a partir de ações judiciais selecionadas pelos servidores da Vara de Executivos Fiscais da Capital. A partir da base de conhecimento apresentada, o sistema de inteligência artificial aprendeu a classificar os processos de Executivos Fiscais ajuizados no PJe em relação a divergências cadastrais, competências diversas e eventuais prescrições. Numa etapa posterior, valendo-se de técnicas de automação, "ELIS" ainda é capaz de inserir as minutas no sistema e até mesmo assinar os despachos, acaso opte o magistrado.

"Estamos vivenciando a era da transformação digital, e o Judiciário está completamente inserido no atual contexto de disrupção que a tecnologia tem proporcionado a todos nós. O projeto ‘ELIS’ representa o início do uso da Inteligência Artificial pelo TJPE, impactando positivamente na celeridade dos processos de executivos fiscais e contribuindo para redução da taxa de congestionamento e aumento da recuperação do crédito público. A Comissão de Inteligência Artificial está de parabéns pela escolha da aplicação e pelo entusiasmo e comprometimento demonstrados durante este desenvolvimento. Importante destacar também que o projeto ‘ELIS’ foi realizado por servidores da ‘casa’, representando a contínua busca pela atualização dos conhecimentos acadêmicos e desenvolvimentos tecnológicos pelos servidores da Secretaria", explicou a secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação, Juliana Neiva.

No desenvolvimento da solução de inteligência artificial, trabalharam a própria secretária Juliana Neiva e os servidores Raphael José D´Castro e Hadautho Roberto Barros da Silva. Na área de automação, o projeto ficou sob a responsabilidade dos servidores Ariel Custódio e Lucas Freire. O nome do programa é uma homenagem a filha recém-nascida do servidor Hadautho Barros.

Na simulação realizada pela Setic em um ambiente de homologação, o sistema “ELIS” avaliou 5.247 processos e conseguiu classificar com precisão a competência das ações, divergências cadastrais, erros no cadastro de dívida ativa e casos de prescrição. “Desse total de ações judiciais distribuídas eletronicamente, 4.447 (84%) estavam aptas a continuar tramitando; 640 (12%) foram ajuizadas, mas estavam prescritas; 160 (3%) continham algum erro no cadastro de dívida ativa; 16 (0,3%) foram incorretamente distribuídas porque eram de competência estadual e 14 (0,3%) continham dados divergentes. Em três dias, “ELIS” foi capaz de fazer a triagem de mais de 5 mil processos”, descreveu o diretor de sistemas do Tribunal, Raphael José D´Castro, na apresentação do projeto.

Para o juiz José Faustino Macêdo, a adoção da inteligência artificial para a análise desses processos permitirá uma resposta mais rápida e segura à população. “Os servidores que anteriormente realizavam estas tarefas poderão ser realocados e atuar em atividades que exijam maior complexidade e conhecimento, como a minuta de decisões e sentenças. Há cerca de 375 mil processos de execução fiscal no Recife, com a expectativa de ajuizamento de mais 80 mil feitos neste ano. Além disso, aproximadamente 53% de todas as ações pendentes de julgamento no Tribunal são de execução fiscal. Precisamos agir com muita eficiência, otimizando a utilização de recursos humanos e tecnológicos, para reduzir esse acervo e prestar um serviço público célere e eficaz”, explicou o magistrado.

A Comissão para aplicação de soluções em Inteligência Artificial foi criada pela Presidência no dia 17 de agosto com a publicação da Portaria 33/2018 na Edição 148/2018 do Diário de Justiça Eletrônico (DJe). Participam do grupo os desembargadores Jones Figueirêdo e Silvio Neves Baptista Filho; os juízes Ana Luíza Wanderley de Mesquita Saraiva Câmara, José Faustino Macêdo de Souza Ferreira e Rafael Medeiros Antunes Ferreira; a secretaria de TIC, Juliana Neiva de Gouvêa Ribeiro, e os servidores da Setic, Raphael José D´Castro e Hadautho Roberto Barros da Silva.

Últimas notícias