EMBATES

Prefeituráveis do Recife, João Campos e Mendonça Filho antecipam debate de 2020

Os políticos divergiram sobre as investigações para apurar as responsabilidades sobre as manchas de óleo que apareceram no Nordeste

Angela Fernanda Belfort
Angela Fernanda Belfort
Publicado em 05/11/2019 às 9:11
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Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Guga Matos/Acervo JC Imagem
Os políticos divergiram sobre as investigações para apurar as responsabilidades sobre as manchas de óleo que apareceram no Nordeste - FOTO: Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Guga Matos/Acervo JC Imagem
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A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do vazamento do óleo iniciou o embate entre os dois grupos políticos que vão disputar a Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) no ano que vem. Na oposição, o ex-governador Mendonça Filho (DEM) criticou a iniciativa do deputado federal João Campos (PSB) em pedir a instalação de uma CPI para apurar as responsabilidades sobre o crime ambiental, argumentando que isso pode prejudicar o turismo em Pernambuco e classificou a iniciativa como “infantilidade” e consequência “da inexperiência” do socialista como parlamentar. João, por sua vez, considerou “um equívoco” achar que a CPI é o fato que vai expor o Nordeste para o Brasil.

Em visita ao Recife, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse que deve decidir nesta terça-feira (5), depois de escutar os líderes dos partidos, se a CPI será instalada ou não. “Eu nunca decido nada sozinho”, argumentou Maia.
Para o presidente da Câmara, “a CPI tem outras questões que devem ser avaliadas. O trade de turismo é uma parte e tem dúvidas se esse é o melhor instrumento, se não vai ficar gerando notícias negativas. Outros acham que não. O assunto já está colocado e é melhor que a Câmara participe e ajude”.

Cotado para ser candidato a prefeito do Recife pelo bloco de oposição, Mendonça não economizou nas críticas ao provável candidato da Frente Popular. “A intenção dele (João) certamente foi de ajudar, mas hoje se porventura essa CPI for criada ela terá uma única grande consequência: atrapalhar o turismo do Nordeste, em especialmente Pernambuco. Então, se ele quiser gerar desemprego, criar um ambiente de dificuldade para a rede hoteleira, ele avance com essa CPI”, disse o ex-ministro da Educação.
Segundo ele, a CPI “vai ser um palco” para alguns deputados ficarem falando coisas que muitas vezes não têm a condição e o preparo técnico para comentar, o que pode contribuir para divulgar nacionalmente “uma mídia contrária ao turismo do Nordeste”.

'Tiro no pé'

Mendonça, inclusive, disse ter sido procurado por atores do trade turístico de Porto de Galinhas assustados com a propaganda negativa, “superdimensionando a questão dos vazamentos do óleo, dizendo que tem caído as reservas dos hotéis”. “Já falei com o presidente Rodrigo Maia dizendo que essa CPI é um tiro no pé”.

Do outro lado, João Campos disse ter conversado com o trade não só de Pernambuco, mas do Brasil inteiro, e que todos concordam que “se trata do maior desastre ambiental da história do País. “Acho relevante a preocupação do trade porque a gente tem que ter a garantia de que terá o pleno funcionamento durante a alta estação. Ninguém é contra o turismo”, afirmou.
João Campos conseguiu a assinatura de 267 parlamentares de 25 partidos para pedir a CPI, que só é instaurada, quando é subscrita por, no mínimo, 171 parlamentares. “O presidente Rodrigo Maia tem escutado muito a gente. Ele tem se mostrado uma pessoa extremamente sensível com as causas do País”, garantiu.

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