Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
castilho@jc.com.br
Coluna JC Negócios

Dia da cachaça: bebida de luxo, Vitoriosa da Pitú leva mais de cinco anos para ficar pronta

O Dia Nacional da Cachaça marca a a data em que a cachaça passou a ser oficialmente liberada para a fabricação no Brasil, em 13 de setembro de 1661, portanto, há exatos 360 anos

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Fernando Castilho

Publicado em 12/09/2021 às 10:00 | Atualizado em 12/09/2021 às 16:27
Cachaça Vitoriosa foi desenvolvida para comemorar o 75º aniversário da Pitú - DIVULGAÇÃO/PITÚ

No Dia Nacional da Cachaça, comemorado nesta segunda-feira, duas perguntas sempre veem ao debate: Afinal quando foi produzida a primeira “pinga” no Brasil? É verdade que a primeira cachaça foi produzida em Pernambuco?

Há controvérsias. A versão mais conhecida é a de que foi em Pernambuco, entre 1516 e 1526, quando um escravo que trabalhava num engenho em Igarassu, deixou armazenada a “cagaça” – um caldo esverdeado e escuro que se forma durante a fervura do caldo da cana.

O líquido fermentou naturalmente e, devido às mudanças de temperatura, evaporou e condensou, formando pequenos pingos de cachaça no teto do engenho, o que justifica o termo “pinga”. Assim teria surgido, segundo a versão mais popular, o nosso primeiro destilado.

Pode ser. Mas o fato é que ela deve mesmo ter surgido quando os portugueses trouxeram ao Brasil a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação.

Em 1502, por exemplo, as primeiras mudas de cana chegaram ao Brasil trazidas por Gonçalo Coelho. Em Pernambuco, entre 1516 e 1526 foi instalado o primeiro engenho de açúcar na feitoria de Itamaracá de onde o número de engenhos no Brasil se multiplicou rapidamente.

Entretanto, há registros de exportação de açúcar pernambucano para Lisboa já em 1526. Assim como há registros de que, em Porto Seguro (BA), em 1520 funcionou um engenho de açúcar. E, finalmente, no litoral de São Paulo (entre 1532 e 1534), existiu o engenho São Jorge dos Erasmos, empreendimento de quatro portugueses, entre eles Martim Afonso de Souza, o governador da província.

Os primeiros engenhos de cachaça de Pernambuco - REPRODUÇÃO

PRECUSSORA DA CAIPIRINHA

O que pouca gente sabe é que cachaça sempre foi uma bebida apreciada pela nobreza portuguesa. Por exemplo, sabe-se que a princesa Carlota Joaquina, a esposa de João VI, apreciava muita a nossa cachaça.

Na Torre do Tombo, em Lisboa, existem documentos apontando que eram consumidas muitas unidades de aguardente de cana-de-açucar por mês e que a maioria era destinada ao quarto e à cozinha de Carlota Joaquina.

Na verdade, a princesa gostava de tomar a cachaça misturada com sucos de frutas frescas, pois sofria demais com o calor brasileiro. Ela dizia que tinha necessidade de "hidratar o corpo". O que nos permite dizer que a princesa foi a precursora da caipirinha consolidada nacionalmente, dois séculos mais tarde, pela Pitú.

Desde o século XVIII que a cachaça está na mesa da família real braseira - REPRODUÇÃO

PITÚ SINONIMO DE PERNAMBUCO

De qualquer forma, cachaça virou sinônimo de Pernambuco e cachaça de Pernambuco virou sinônimo de Pitú. Até porque foi uma pernambucana, Maria das Vitorias (química industrial e uma das sócias da empresa), então presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça, que ajudou a que a cachaça fosse reconhecida como um destilado brasileiro a base de cana-de-açúcar. 

De fato, a Pitú deu uma importante contribuição para que a cachaça se tornasse um produto internacionalmente reconhecido como destilado brasileiro pela popularização da aguardente como a cachaça era conhecida.

E tudo isso graças à contibuição do Engarrafamento Pitú, fundado por Joel Cândido Carneiro (avô de Vitória), Severino Ferrer de Moraes e José Ferrer de Moraes em 1938.

Mas em 2013, para fechar as comemorações dos seus 75 anos de vivências, emoções e muita história, a Pitú retirou dos seus depósitos o que havia de melhor em barris desconhecido do público. A cachaça Premium Vitoriosa, um bem guardado segredo de familia.

A Vitoriosa precisa de cinco anos de envelhecimento para ficar pronta. - Dayvison Nunes

CACHAÇA MAIS CARA QUE UISQUE

A Vitoriosa é o que de melhor se pode retirar de um destilado de cana-de-açúcar. Para ficar pronta ela é envelhecida por, no mínimo, cinco anos em barris de carvalho francês.

Após esse período, a cachaça é transferida para barris de carvalho americano, onde ocorre por mais um ano o aprimoramento da qualidade sensorial do produto através do refinamento e da harmonização de aromas e cor.

Uma cachaça com essas características, naturalmente, é uma bebida elegante e sofisticada e tem forma refinada. Por isso ela vem em edições limitadas para dar aos consumidores o gosto da reserva especial que as famílias Ferrer e Cândido Carneiro, discretamente, ofereciam a amigos ilustres e convidados que visitavam a Pitú.

E exatamente por isso é que a Vitoriosa - pela pequena quantidade de produção - é ideal para ser consumida em grandes comemorações, reuniões com amigos ou momentos de reflexão.

Ela acabou sendo uma bebida que era guardada em segredo, passou a ser bastante apreciada por um grupo seleto, até que levou a Pitú a cogitar a possibilidade de oferecê-la ao mercado.

A produção e o envelhecimento da Vitoriosa exigem um processo longo e detalhado. Para chegar ao nível de qualidade da bebida, tudo se inicia com a rigorosa escolha das cachaças que vão compor o blend.

Esse trabalho aguçado de mistura de cachaças é fundamental para que as reações químicas de oxigenação entre os componentes da madeira e da cachaça ocorram em condições ideais. Com tantos predicados, uma garrafa da Vitoriosa supera até os melhores uisques escocesses com mais de 12 anos. 

O preço da cada garrafa da Vitoriosa, portanto, é o resulado de um processo de envelhecimento  bem longo e com custos elevados. Isso demanda cuidados específicos para a garantia da qualidade do produto final. E paciência ate fechar esse ciclo.

Fabrica da Pitú em Vitória de Santo Antão. - Leo Motta/JC Imagem

INVESTIMENTO DE CINCO ANOS

Isso acaba fazendo que que as quantidades sejam muito limitadas. Por exemplo, o primeiro lote de 9 mil garrafas francesas com tampas de cortiça portuguesa, chegaram inicialmente apenas aos estados do Nordeste. O que acabou fazendo com que ela fosse considerada um produto conceito da marca pernambucana.

“Em termos de cachaça, ela é totalmente diferenciada e vem para mostrar as várias maneiras de se produzir e consumir esse tipo de bebida”, comenta Alexandre Férrer, diretor Comercial e de Marketing da Pitú.

A Vitoriosa é hoje uma das maisa premiadas cachaças do BRasil. "Para nós, isso é motivo de orgulho e um reconhecimento do trabalho de toda a equipe Pitú que, dia após dia, dedica-se com excelência, amor e respeito à nossa empresa, diz Ferrer para lembrar que não apenas a cachaça extra premium Vitoriosa, mas também outros produtos do nosso portifólio como a Pitú tradicional e a Gold, têm suas qualidades reconhecidas em concursos internacionais, entre os principais destilados do mundo. 

A Vitoriosa tem 39% de volume de teor alcoólico e é uma delícia aos paladares mais exigentes que apreciam uma bebida de alta qualidade além de poder ser consumida pura, em temperatura ambiente ou on the rock, pode ser harmonizada com diferentes comidas. De forma suave e agradável, funciona bem como aperitivo, acompanhamento de prato principal ou sobremesa, e até como digestivo.

Para ser considerada Premium, a cachaça precisa ser envelhecida em barril de madeira por pelo menos um ano. A Pitú tem dois produtos no seu portfólio que se encaixam nessa avaliação a Vitoriosa e a Pitú Gold, envelhecida em barris de carvalho americano por dois anos.

Para quem se acostumou a presença da Pitú ao longo dos anos com presença na mídia o ano todo pode parecer estranho que a empresa invista tanta tecnologia para produzir uma cachaça Premium de onde por ano são entregues em lotes de apenas 4 mil garrafas.

Além da Vitoriosa, a Pitú produz a cachaça Pitú Gold. - Leo Motta/JC Imagem

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MERCADO DE CACHAÇA

De fato, a Pitú que todos conhecem e consomem é uma aguardente de cana pura, transparente, de sabor marcante e teor alcoólico de 40% acondicionado em garrafas retornáveis de 600 ml, garrafas de 965 ml e latas de alumínio com 350 ml, 473 ml, 710 ml. A Pitú produz ainda a bebida mista de cachaça com limão – Pitu Limão, a bebida alcoólica mista à base de noz de cola.

Mas uma boa cachaça começa no campos. As destilarias parceiras da Pitú têm investido em tecnologias de produção, que vão desde a escolha minuciosa da muda da cana-de-açúcar até a produção final.

Alexandre Ferrer diz que exatamente por isso é que a Pitú se tornou uma bebida versátil, que agrada aos mais diferentes públicos, seja para seu consumo puro ou em drinks, como a caipirinha.

Cachaça Vitoriosa o produto Premium da Pitú com varias premiações internacionais. - Dayvison Nunes

INDICAÇAO GEOGRÁFICA DA CACHAÇA

Cachaça é um vocábulo de origem e uso exclusivamente brasileiros. Oficialmente e por decreto (nº 4.062, de 21 de dezembro de 2001), as expressões "cachaça" e "cachaça do Brasil" são suas como indicações geográficas.

Um outro decreto (O Decreto nº 6.871, de 4 de junho de 2009) define a cachaça assim: bebida típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de trinta e oito a quarenta e oito por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro ( 6g/L de açúcar). Ou seja: Cachaça tem nome, sobre nome e até certidão de nascimento.

O Brasil produz, aproximadamente, 1,4 bilhões de litros de cachaça por ano. O maior produtor de cachaça no Brasil industrial é o estado de São Paulo, seguido de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraíba. Por sua vez, Minas e Rio lideram a produção de cachaça artesanal.

Mas o Dia Nacional da Cachaça, comemorado nesta segunda-feira, foi escolhido em homenagem a data em que a cachaça passou a ser oficialmente liberada para a fabricação e venda no Brasil, em 13 de setembro de 1661, portanto ha exatos 360 anos.

Esta legalização, no entanto, só foi possível após uma revolta popular contra as imposições da Coroa portuguesa, conhecida como "Revolta da Cachaça", ocorrida no Rio de Janeiro.

Até então, a Coroa portuguesa impedia a produção da cachaça no país, pois o seu objetivo era substituir esta bebida pela bagaceira, uma aguardente típica de Portugal.

A Pitú foi pioneira no lançamento de cachaça envasada em latas de aluminio. - Dayvison Nunes

A FAMILIA DA CACHAÇA

Com nome sobrenome e tudo mais cachaça tem família, segundo o Anuário Brasileiro da Cachaça. A família da cachaça é assim distribuída:

CACHAÇA ADOÇADA: a cachaça que contiver açúcares em quantidade superior a seis gramas por litro e inferior a trinta gramas por litro será denominada de cachaça adoçada

CACHAÇA ENVELHECIDA: será denominada de cachaça envelhecida a bebida que contiver, no mínimo, cinquenta por cento de aguardente de cana envelhecida por período não inferior a um ano.

CACHAÇA PREMIUM: é a CACHAÇA que contém 100% (cem por cento) de Cachaça ou Aguardente de
Cana envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos)
litros, por um período não inferior a 1 (um) ano.

CACHAÇA EXTRA PREMIUM: é a CACHAÇA PREMIUM envelhecida por um período não inferior a 3 (três) anos.

Cachaça uma bebida brasleira. - DIVULGAÇÃO

 

 

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