Instituto Pernambuco-Porto abre com proposta de fazer portugueses e brasileiros se conhecerem melhor

O edifício sede do IPPB é uma bela construção de 2.300 m², próximo das Faculdades de Ciências, Arquitetura, Letras, com assinatura de Janete Costa e Acácio Gil Borsoi
Fernando Castilho
Publicado em 28/07/2022 às 6:30
Sede do Instituo Pernambuco Porto, na ciade do Porto Portugal Foto: INSTITUTO PERNAMBUCO PORTO


Em 1994, dois empresários pernambucanos, mas com descendência portuguesa, decidiram propor uma ideia ao governo brasileiro, a partir do Recife. Tratava-se da criação de um instituto que fosse um fórum permanente de estudos e pesquisas, prioritariamente, sobre o Brasil e Portugal, e que chegasse a abrigar cientistas renomados, empresários, pesquisadores e acadêmicos dos dois países, além de intercâmbio entre universidades para pesquisas de interesse conjunto.

Depois de 28 anos, Zeferino Ferreira da Costa e Artur da Silva Valente, cujo negócio está associado à construção civil, estão realizando esse sonho na cidade do Porto, em Portugal, onde os dois têm fortes ligações. O governador Paulo Câmara, acompanhado de secretários, estará na inauguração.

O Instituto Pernambuco-Porto (IPPB) abre oficialmente nesta quinta-feira (28), numa solenidade que reúne como fundadores a Universidade do Porto, Câmara Municipal do Porto, Estado de Pernambuco, Prefeitura do Recife, Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e os dois empresários.

O lançamento da primeira pedra do Instituto Pernambuco-Porto ocorreu em 23 de junho de 1994, nas instalações do Círculo Universitário do Porto.

É a realização, agora, de forma material de uma reunião de ideias na qual estavam presentes Mário Soares, à época Presidente da República de Portugal; Marco Antônio Maciel, Vice-Presidente da República do Brasil; Joaquim Francisco, Governador de Pernambuco; Rodolfo Pinto da Luz, Secretário de Estado da Educação Superior do MEC; e Jarbas Vasconcelos, Prefeito da cidade do Recife.

O prédio e estrutura física do Instituto Pernambuco Porto custaram um investimento de aproximadamente 3,2 milhões de Euros (R$ 17,28 milhões). Para manter o Instituto Pernambuco Porto funcionando, são necessários 200 mil Euros por ano (1,080 milhão).

O acervo permanente, com obras de arte de vários artistas e artesãos pernambucanos e nordestinos, está em formação.

Para Zeferino, o IPPB é uma forma de retribuir todo o acolhimento que recebeu em Pernambuco. Ele entrega um equipamento, sem fins lucrativos, de fomento ao intercâmbio entre Brasil, especialmente Pernambuco, e Portugal, especialmente o Porto.

DIVULGAÇÃO - INSTITUTO PERNAMBUCO PORTO

 

ESPAÇO DE CONHECIMENTO

Esse espaço tem como objetivo fazer portugueses e brasileiros se conhecerem melhor”, analisa o empresário.

“Quando eu cheguei ao Brasil, a cultura, capacidade, o desenvolvimento, eram desconhecidos para mim. Poucos portugueses sabiam do potencial do Brasil, que sempre foi grande. E Portugal, mesmo sendo um país pequeno, tem grande patrimônio cultural. Eu entendi que isso precisava ser descortinado”, relembra.

Empresário de sucesso no ramo da construção civil imobiliária (Vale do Ave), ele próprio, com o amigo Artur Valente, perseguiu a ideia que hoje pode entregar ao público dos dois países, e mais especificamente do Porto e Pernambuco.

O edifício sede do IPPB é uma bela construção de 2.300m² num terreno de 7.800 m², na cidade do Porto, próximo das Faculdades de Ciências, Arquitetura, Letras. Modernas instalações com assinatura de Janete Costa (1932-2008) e Acácio Gil Borsoi (1924-2009). Seus filhos, Roberta e Marco Antônio Borsoi, deram continuidade ao projeto.

Marco Antônio Borsoi diz que a arquitetura é única, e quem entra lá com certeza percebe isso. "Não colocamos tantos móveis, deixamos tudo muito livre, muito fluido".

O prédio, aliás, dialoga muito com o exterior. "Está muito permeado, não tem limite entre interno e externo", explica Roberta Borsoi.

Pode-se dizer que é expressão tipológica da Arquitetura Brasileira, com suas formas simples e puras, que, aliás, eram marcas de Janete e Gil Borsoi.

Germana Soares, gestora do Instituto Pernambuco-Porto, afirma que o propósito do IPPB é ser um local onde os brasileiros possam ter contato com suas raízes, sua nacionalidade, através da sua cultura. E uma ferramenta para que os portugueses conheçam mais sobre o Brasil.

E a proposta é essa mesmo: trabalhar em todas as esferas e fazer o possível para que ele seja um local para receber eventos como exposições, congressos, feiras de negócios, apresentações culturais, entre outros.

ESPAÇO DE DUAS CULTURAS

E, nesta quinta-feira (28), ele já abre com a exposição “Uma viagem pelo artesanato de Pernambuco - do litoral ao sertão”, desenvolvida pela designer Carla Gama e por Roberta Borsoi.

A mostra traz fotografias de Fred Jordão e peças de mestres artesãos pernambucanos vivos e em atividade, entre os quais J. Borges, Neguinha, Nicola, e Maria de Ana, filha de Ana das Carrancas, para criar uma narrativa na qual o público irá fazer uma viagem por Pernambuco através da arte, conhecendo a diversidade do artesanato e de sua cultura. Ao todo, serão 74 fotografias e mais de 100 peças. O Maestro Spok foi convidado para fazer uma apresentação na solenidade.

Também abriga outra exposição, “Danças Brasileiras Populares de Carnaval”, de Abelardo da Hora, produzida nos anos 1960. O projeto executivo, curadoria, pesquisa histórica e expografia são assinados por Daniel da Hora. A produção executiva e expografia no Brasil são de Luciana Oliveira e, em Portugal, de Germana Soares.

São, ao todo, 17 (dezessete) desenhos, entre coloridos e preto e branco. Nela, frevo, maracatu, caboclinho, samba e bumba-meu-boi aparecem de forma exuberante e com riqueza de detalhes; sempre apresentados no traço inconfundível do mestre. Um grande destaque é dado ao Maracatu, que aparece em seis dos 17 desenhos.

ESPAÇO DE EMPREENDEDORISMO

 

DIVULGAÇÃO - iNSTALAÇÕES DO INSTITUTO PERNAMBUCO PORTO

Uma das linhas de atuação da IPPB tem a ver com sua conexão com as universidades participantes. Um desse projetos é o “Casa das Culturas de Língua Portuguesa”, desenvolvido pela Universidade do Porto.

O projeto está dentro da proposta de incentivar o progresso e a valorização dos povos de Pernambuco e do Brasil – e, por extensão, dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através da estreita cooperação com Portugal.

Este programa, coordenado pelo professor João Veloso - pró-reitor para a promoção da língua portuguesa - e pela professora Maria de Lurdes Fernandes - vice-reitora para as Relações Internacionais da Universidade do Porto - tem a missão de fomentar a compreensão e divulgação das literaturas e das culturas de língua portuguesa, abrindo-se a todas as comunidades da CPLP.

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O IPPB também quer ter um foco de internacionalização das empresas, ampliando sua presença na Economia como tema central para o seu crescimento e desenvolvimento, criação de emprego, riqueza e coesão social.

A proposta é ser também um espaço de conexão e promoção das micro, pequenas, médias e grandes empresas brasileiras que tenham como propósito desenvolver qualquer atividade comercial em Portugal e no continente Europeu.

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