Cenário econômico em Pernambuco, no Brasil e no Mundo, por Fernando Castilho

JC Negócios

Por Fernando Castilho
castilho@jc.com.br
Coluna JC Negócios

Brasileiros aceitam ser "laranja" numa boa. Serasa estima que 1,6 milhão emprestam nome até sem saber para quê

De acordo com estimativa do Banco Central (BC), os golpes no sistema financeiro brasileiro bateram a marca de R$ 2,5 bilhões de prejuízos em 2022

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Fernando Castilho

Publicado em 25/04/2023 às 17:11
Muitos brasileiros emprestam o nome sem saber sequer para o que será utilizado - aymane jdidi/Pixabay

Pense e responda rápido: Você emprestaria o seu CPF e conta bancária, para que outras pessoas registrem bens ou movimentem dinheiro sem serem identificadas? Concordaria em ceder seus dados com o objetivo de lavagem de dinheiro ou enriquecimento ilícito, que é considerado crime?

Tem gente que aceita. Isso é o que apontou um estudo inédito da Serasa Experian, que identificou que, atualmente, mais de 1,6 milhão de brasileiros podem ser considerados laranjas, porque aceitarem que fraudadores façam isso.

Importante: aceitar ser laranja é bem diferente, por exemplo, de emprestar o seu nome para fazer uma compra numa empresa porque sua esposa ou marido está negativado e não poder comprar a crédito naquele momento. E o uso de nome de terceiros para fraudar o sistema financeiro é crime.

O curioso é que centenas aceitam vender seus dados para que outras pessoas utilizem para fins ilícitos, como aquisição de bens ou empréstimos com intenção de não pagar ou abertura de contas bancárias para realizar lavagem de dinheiro. E o mais assustador ainda: esse é um movimento que está crescendo.

Um dos motivos para esse aumento na quantidade de perfis laranjas é a dificuldade de identificar essas pessoas, pois seu perfil se assemelha aos dos proprietários de contas legítimas ou, muitas vezes, são de usuários legítimos.

O estudo ainda apontou que de todas as contas laranjas, 70% são contas alugadas com consciência ou co-participação do titular. Bem diferente de uma pessoa ser vítima por ter seus dados roubados.

De acordo a estimativa do Banco Central (BC), os golpes no sistema financeiro brasileiro bateram a marca de R$ 2,5 bilhões de prejuízos em 2022. Em virtude desse alto valor, o BC sinalizou no mesmo ano que estuda responsabilizar bancos por transações fraudulentas envolvendo ‘contas laranjas’.

Criminosos têm se aproveitado do uso de dados de terceiros para dezenas de crimes. O mais comum é transformar uma conta laranja numa conta fantasma usada, por exemplo, para sacar dinheiro de ações criminosas como sequestro relâmpago, onde o sequestrado faz o depósito para uma conta de alguém que emprestou o nome num caixa eletrônico.

Na maioria dos casos, as pessoas mais sujeitas a sofrerem este tipo de golpe são pessoas sem históricos no mercado de crédito, trabalhadores informais, jovens negativados, idosos, pessoas com baixo nível de escolaridade e moradores de regiões com baixa infra-estrutura.

A Serasa elaborou até um tutorial sobre o que é ser um "laranja consciente", e quem é quem nesse negócio ilícito:

Laranja comprado

Fraudadores que aliciam pessoas, compram seus dados e os utilizam para fins ilícitos, como aquisição de bens ou empréstimos com intenção de não pagar ou abertura de contas bancárias para realizar lavagem de dinheiro.

Os fraudadores também usam dados vazados ou roubados para criar uma conta laranja, além de invadirem contas com objetivo de fraudes bancárias.

Laranja amigo

Pessoas emprestam seus dados para os fraudadores, muitas vezes sem nem saber como e para que serão utilizados.

Há casos em que a pessoa tem seus dados roubados para que um amigo ou familiar crie uma conta bancária e a movimente.

O indivíduo vende ou empresta seus dados para ser utilizado para finalidade de fraude e recebe benefícios em troca. Neste caso, há dois tipos de perfis: o doador de dados e o gestor de dados.

Parceiro do laranja

Em conjunto o laranja, participa da abertura de nova conta: empresta ou vende os dados para o fraudador criar uma conta. E com conta existente: o usuário aluga ou faz a gestão da conta.

Nesse crime, a movimentação financeira pode ser realizada pelo usuário ou pelo fraudador. Neste tipo de fraude, nem sempre o cliente da instituição financeira é a vítima, pois ele pode estar envolvido no crime.

A conta laranja também é utilizada para emitir cartões de crédito, fazer compras, solicitar empréstimos e para transferências de dinheiro de origem ilícita via Pix.

O laranja do PIX

O sucesso do PIX tem sido usado com um mecanismo de golpes de contas laranjas, pois facilita ao fraudador realizar múltiplas transferências de valores para diferentes instituições financeiras instantaneamente, o que torna difícil rastrear os montantes.

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