SISTEMA BRT

Estações vandalizadas do BRT pernambucano começam a ser recuperadas

A reforma de 25 das 46 estações em operação nos dois corredores metropolitanos (Norte-Sul e Leste-Oeste) terá início a partir da segunda-feira (16/11)

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 10/11/2020 às 8:00
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Os equipamentos foram praticamente destruídos internamente entre junho e julho de 2020, apesar de estarem sob proteção da Polícia Militar de Pernambuco, via convênio firmado com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Seduh) - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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A destruição das estações do Sistema BRT da Região Metropolitana do Recife - ainda mais vandalizado durante a pandemia da covid-19 - vai ter um alívio a partir da próxima semana. Segundo o governo de Pernambuco, a recuperação de 25 das 46 estações em operação nos dois corredores metropolitanos (Norte-Sul e Leste-Oeste) terá início a partir da segunda-feira (16/11). Os equipamentos foram praticamente destruídos internamente entre junho e julho, apesar de estarem sob proteção da Polícia Militar de Pernambuco, via convênio firmado com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Seduh).

Desde então, o serviço deixou de operar com as características do sistema BRT em um dos corredores - o Norte-Sul, que liga o Recife ao município de Igarassu, no Norte da RMR, e é o mais afetado pelo vandalismo. É tanto que 19 das 25 estações que serão recuperadas são do Norte-Sul, enquanto apenas seis fazem parte do Corredor Leste-Oeste, que liga a capital pernambucana ao município de Camaragibe, também na RMR. Esse corredor tem um traçado mais urbano e, por isso, sofre com menos vandalismo. O Norte-Sul está operando com veículos comuns e poucos BRTs, que quando rodam também têm uma operação convencional: com catracas e embarque pelo lado direito nos pontos de parada.

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O governo de Pernambuco confirmou o fim do pagamento pelos empresários, mas garantiu que o convênio não foi suspenso, apesar de ter havido redução do policiamento - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Segundo informações do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), gestor do sistema de transporte por ônibus da RMR, o trabalho de reforma das estações será realizado em várias frentes. Na segunda (16), a reforma começará nas estações Guararapes, Araripina e Nossa Senhora do Carmo, localizadas no Centro do Recife. A previsão é de que os serviços de recuperação durem entre três e quatro dias para cada equipamento. O CTM diz que todas as 25 estações deverão estar prontas no prazo aproximado de 30 dias e que, a medida que os trabalhos forem sendo finalizados, a operação vai sendo retomada. O investimento será de R$ 1,2 milhão.

“Nosso objetivo é fazer um trabalho rápido para deixar as estações aptas ao funcionamento em breve. Onde for possível manter o piso, por exemplo, ele será mantido. Onde não der, devido ao estrago, iremos fazer um pavimento simples. Posteriormente, no pacote de ações de requalificação que estamos licitando, é que iremos alterar o modelo das estações como já fizemos em algumas delas. Substituiremos o modelo das cobertas e o tipo do piso, por exemplo”, explicou o coordenador de Engenharia e Manutenção do CTM, Paulo Beltrão.

Estações que serão recuperadas no Norte-Sul
Araripina
Nossa Senhora do Carmo
Tacaruna
Treze de Maio
IEP
Riachuelo
Maurício de Nassau
Istmo do Recife
Forte do Brum
Santa Casa de Misericórdia
Praça da República
Kennedy
Mathias de Albuquerque
Bultrins
Jupirá
São Salvador do Mundo
Hospital Central
José de Alencar
Cruz de Rebouças

Thiago Lucas/ Artes JC
O prejuízo em números - BRT - Thiago Lucas/ Artes JC

Estações que serão recuperadas no Corredor Leste-Oeste:
Guararapes
Abolição
Benfica
Forte do Arraial
Engenho Poeta
Barreiras

MAIS REQUALIFICAÇÃO
Além da recuperação das estações vandalizadas, o CTM também vai investir R$ 5,3 milhões na requalificação de 20 estações do Sistema BRT e R$ 2,2 milhões na manutenção de 13 terminais integrados de ônibus. As estações serão adequadas ao modelo adotado em 2019 nas unidades Istmo do Recife e Tacaruna - esta última destruída na sequência, durante a pandemia.

No lugar do piso em alumínio, o projeto prevê a substituição por um pavimento em concreto, eliminando os furtos do material. As coberturas também mudam para evitar a destruição por veículos altos que trafegam próximo às unidades porque em alguns trechos não há corredor segregado para os BRTs. Além dessas duas principais mudanças no piso e no estilo da coberta, as intervenções incluem a reposição de corrimão, pintura, sinalização, troca de cerâmica e serviços na rede elétrica. A licitação está em andamento.

SEGURANÇA
Paulo Beltrão garante que, após os investimentos, as estações de BRT serão bem guardadas pela Polícia Militar, evitando novas depredações como as ocorridas durante o isolamento provocado pelo coronavírus. “O convênio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com a PM está sendo monitorado semanalmente e passou por ajustes. Ao mesmo tempo, a reabertura das estações, com o movimento dos passageiros, naturalmente traz segurança aos equipamentos”, disse.

As estações requalificadas são:

Corredor Norte- Sul:
Maurício de Nassau
Nossa Senhora do Carmo
Praça da República
Riachuelo
Treze Maio
IEP
Araripina
Santa Casa de Misericórdia
Tacaruna
Kennedy
Mathias de Albuquerque
Bultrins
Jupirá
José de Alencar

FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Corredor de BRT Leste-Oeste - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Corredor Leste- Oeste:
Barreiras
Engenho Poeta
Forte do Arraial
Benfica
Abolição
Guararapes

TIs que terão manutenção:
Abreu e Lima
Cabo
Caxangá
Getúlio Vargas
Igarassu
CDU
Macaxeira
PE-15
Pelópidas Silveira
Rio Doce
Santa Rita (não é integrado)
Xambá

Quem utiliza o Sistema BRT lamenta a destruição das estações e a consequente desativação parcial do serviço, como está acontecendo no Corredor Norte-Sul. “É lamentável que tenhamos chegado a esse ponto, de ver as estações ficarem desse jeito. É muito ruim porque, pelo menos no caso do Norte-Sul, deixamos de usar o BRT, que é um veículo mais confortável. Espero que o poder público ajeite e depois cuide para não acontecer de novo”, afirmou a diarista Maria Aparecida Andrade, que todos os dias usa o Corredor Norte-Sul para sair de Paulista e chegar ao Centro do Recife.

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A destruição das estações é ainda mais grave porque acontece no momento em que o governo de Pernambuco inicia o processo de concessão pública dos equipamentos. O Estado também vai recuperá-las gastando R$ 1,2 milhão - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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R$ 377 mil eram bancados pelo Estado, R$ 100 mil pelo Conorte e R$ 50 mil pela Mobibrasil - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Estações do BRT foram totalmente destruídas durante a pandemia. Governo já gastou quase R$ 10 milhões para recuperá-las - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Situação de abandono dos BRTs de Recife - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Os equipamentos passarão a ser operados, reformados, modernizados e administrados por empresas particulares que tenham expertise na área - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Corredor de BRT Leste-Oeste - FOTO:FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Thiago Lucas/ Artes JC
O prejuízo em números - BRT - FOTO:Thiago Lucas/ Artes JC

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