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Reajuste das passagens de ônibus do Grande Recife será, de fato, votado nesta sexta-feira (5)

Sendo assim, é praticamente certo que seja aprovada a proposta do governo de Pernambuco, que inclui reajuste de 8,7% e criação do Horário Social nos horários fora-pico, quando a tarifa será R$ 0,40 mais barata para quem utilizar o cartão VEM Comum

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 01/02/2021 às 18:21
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BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
A tentativa do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) de adiar a reunião não deu certo e o Estado manteve a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), colegiado que vota o aumento da tarifa - FOTO: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
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O aumento das passagens de ônibus da Região Metropolitana do Recife será, de fato, discutido na próxima sexta-feira (5/2). A tentativa do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) de adiar a reunião não deu certo e o Estado manteve a reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), colegiado que vota o aumento da tarifa. Sendo assim, é praticamente certo que seja aprovada a proposta do governo de Pernambuco, que inclui reajuste de 8,7% e criação do Horário Social nos horários fora-pico, quando a tarifa será R$ 0,40 mais barata para quem utilizar o cartão VEM Comum.

A informação foi repassada pelo governo de Pernambuco durante reunião com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e o MPPE. “A proposta do aumento foi mantida e será levada à reunião do CSTM no dia 5. Mas estarei presente para discutir alternativas: o possível adiamento do reajuste ou redução do percentual de aumento sugerido pelo governo”, explicou o promotor de Justiça de Transporte, André Felipe Menezes, que teve uma primeira reunião com o Estado na semana passada depois de ser provocado pela Frente de Luta Pelo Transporte Público (FLTP) e a Frente dos Usuários do Transporte Público da RMR.

ARTES JC
Aumento das passagens para 2021 - ARTES JC

O governo de Pernambuco vai apresentar a proposta de redução do valor das passagens nos horários fora do pico nos ônibus da RMR e aumentar em 8,7% o Anel A, que passaria de R$ 3,45 para R$ 3,75. A redução nos horários de menor movimento no sistema - das 9h às 11h e das 13h30 às 15h30 - seria de R$ 0,40 e estaria atrelada ao pagamento com o cartão VEM Comum - utilizado por 40% dos passageiros do sistema. No chamado horário social, o Anel A cairia de R$ 3,75 (sendo aprovado o reajuste de 8,7%) para R$ 3,35, e o Anel B, de R$ 5,10 (considerando o aumento proposto de 8,5%) para R$ 4,60.

Estamos fazendo um grande esforço para chegar aos 2 mil ônibus, o que significaria 81,3% da frota. Estamos monitorando a demanda, que chegou a cair ainda mais em janeiro numa comparação com dezembro. De toda forma, a volta às aulas significaria mais 180 mil estudantes, mas precisamos ver como esse movimento ficará porque muitas escolas seguem com a educação remota. Também nos comprometemos a ampliar a presença dos facilitadores de embarque em mais seis terminais integrados, além dos 12 onde já atuavam. E já ampliamos o policiamento nos TIs”,
André Melibeu, diretor de Operações do CTM


Nos demais horários do dia, o anel A passaria a custar R$ 3,75 e o anel B R$ 5,10, com percentuais de acréscimo de 8,7% e 8,5%, respectivamente. O Estado destaca que os índices são menores do que a inflação acumulada de 2019 e 2020, que foi de 9%. Vale lembrar que em 2018 e 2020 - anos de eleição - não houve revisão tarifária. O modelo do Horário Social é semelhante ao adotado recentemente em Curitiba (PR) e em Fortaleza (CE), chamado Tarifa e Hora Social, respectivamente. Os empresários de ônibus defendem um reajuste de 16%, que elevaria o Anel A para R$ 4.

BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM
O governo de Pernambuco garantiu ao TCE-PE que até o fim de fevereiro irá ampliar em mais de 80% a frota de ônibus em circulação na Região Metropolitana do Recife. Assim, o sistema passará a operar com dois mil ônibus - BRENDA ALCÂNTARA/JC IMAGEM

REFORÇO DA FROTA
O governo de Pernambuco garantiu ao TCE-PE que até o fim de fevereiro irá ampliar em mais de 80% a frota de ônibus em circulação na Região Metropolitana do Recife. Assim, o sistema passará a operar com dois mil ônibus. Até então, estava com 1.700 coletivos. Nesta segunda-feira (1/02), o primeiro reforço começou com mais 50 dos 255 veículos prometidos inicialmente, passando a atender parte das 130 linhas que mais têm apresentado problemas de superlotação. Um reforço de 50 veículos tinha sido feito na semana passada.

As garantias foram formalizadas ao TCE-PE, que abriu uma auditoria para acompanhar a situação do transporte público por ônibus no Grande Recife. Segundo o vice-presidente do tribunal, Ranilson Ramos - quem provocou as duas reuniões sobre o tema já realizadas com o Estado - outros 50 coletivos operam a partir do dia 8/2, e os 100 restantes até o fim de fevereiro. “A ideia é alcançar efetivamente dois mil ônibus no fim do mês. É isso que queremos inicialmente. Estamos com a retomada das aulas que, mesmo com o ensino híbrido (remoto e presencial), provoca um aumento de demanda e esse reforço precisa ser feito. São 180 mil alunos voltando às aulas e isso terá impacto no transporte, sem dúvida. Não sabemos quanto tempo essa pandemia vai demorar e, por isso, o transporte público tem que ser ampliado”, disse o conselheiro.

Na noite que antecedeu a primeira reunião com o TCE-PE, o governo de Pernambuco já tinha anunciado a ampliação prevista de 255 ônibus, destacando que ela vai custar mais R$ 10 milhões ao sistema, custo que será coberto como subsídio pelo Estado. Mas, pós TCE-PE, mais 50 coletivos serão lançados na frota, que até hoje estava operando com 70% da capacidade e 60% da demanda de passageiros. O secretário de Desenvolvimento Urbano de Pernambuco, Marcelo Bruto, e o secretário de Planejamento e Gestão, Alexandre Rebêlo, foram os garantidores do investimento.

ERIQUE MEDEIROS/VOZ DO LEITOR
Superlotação nos ônibus tem sido frequente nos horários de pico, mesmo na pandemia - ERIQUE MEDEIROS/VOZ DO LEITOR

Ranilson Ramos, no entanto, disse que, mesmo com o protocolo de ações que o governo de Pernambuco apresentou para melhorar o sistema de ônibus durante a pandemia de covid-19, o sentimento não é de satisfação. E que, por isso, a auditoria do órgão vai acompanhar a situação de perto. "Reconhecemos o esforço do governo do Estado, mas temos que avançar mais. A implantação do sistema de informação com o passageiro, por exemplo, é algo urgente. Estamos verificando esse ponto, assim como a questão da desorganização no embarque nos terminais integrados. A auditoria vai acompanhar tudo isso”, garantiu.

“Estamos fazendo um grande esforço para chegar aos 2 mil ônibus, o que significaria 81,3% da frota. Estamos monitorando a demanda, que chegou a cair ainda mais em janeiro numa comparação com dezembro. De toda forma, a volta às aulas significaria mais 180 mil estudantes, mas precisamos ver como esse movimento ficará porque muitas escolas seguem com a educação remota. Também nos comprometemos a ampliar a presença dos facilitadores de embarque em mais seis terminais integrados, além dos 12 onde já atuavam. E já ampliamos o policiamento nos TIs”, afirmou o diretor de Operações do Grande Recife Consórcio de Transporte (CTM), André Melibeu, que esteve na reunião com o TCE-PE e o MPPE.

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