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Metrô do Recife: após governo recuar sobre 'privatização', metroviários tomam decisão sobre possibilidade de greve

O governador chegou a receber a direção do SindMetro no início da noite da quarta-feira (25), no Palácio do Campo das Princesas

Filipe Farias Roberta Soares
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Filipe Farias
Roberta Soares
Publicado em 26/05/2022 às 20:24 | Atualizado em 27/05/2022 às 11:33
Filipe Farias/ JC
Assemblei do metrô decidiu sobre greve - FOTO: Filipe Farias/ JC
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Após o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), afirmar que não dará continuidade ao processo de estadualização do metrô do Recife - para transferência da gestão e operação para a iniciativa privada -, os metroviários também baixaram a guarda e acabaram com o estado de greve.

A decisão de não seguir adiante e desistir da ideia de paralisar o metrô foi tomada pelos próprios metroviários, na noite desta quinta-feira (26), após a terceira assembleia convocada pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SindMetro).

Apesar da decisão da categoria, a votação foi bem dividida. Dos 105 metroviários presentes na reunião, 58 votaram favoráveis pela suspensão do estado de greve, enquanto que 47 votaram pela paralisação total das atividades.

Filipe Farias/ JC
Metroviários se reuniram em assembleia e decidiram pela suspensão do estado de greve - Filipe Farias/ JC
GUGA MATOS / JC IMAGEM
Metroviários se reuniram em assembleia e decidiram pela suspensão do estado de greve - GUGA MATOS / JC IMAGEM
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Metroviários se reuniram em assembleia e decidiram pela suspensão do estado de greve - GUGA MATOS / JC IMAGEM
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Metroviários se reuniram em assembleia e decidiram pela suspensão do estado de greve - GUGA MATOS / JC IMAGEM
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Metroviários se reuniram em assembleia e decidiram pela suspensão do estado de greve - GUGA MATOS / JC IMAGEM


"A gente teve uma conversa com o governador. E foi sobre recuo em relação à proposta a ser encaminhada ao governo federal. Como o governador recuou com a proposta, tiramos o indicativo de greve e suspendemos o estado de greve. O que tem hoje é categoria que volta aos seus postos de trabalho normalmente. agora vaso formalizar reuniões com o governo federal, na perspectiva de trazer verbas e discutir tarifa social para trair mais usuários", disse o presidente do sindicato, Luiz Soares.

Estiveram presentes na manifestação dos metroviários a co-deputada estadual Jô Cavalcanti (PSOL), além da pré-candidata à presidência Vera Lúcia (PSTU).

Havia uma expectativa de que os metroviários mantivessem o estado de greve como forma de pressionar o governo federal a enviar verbas de custeio e de investimentos, além da redução da tarifa de R$ 4,25 para um valor social de R$ 2.

O Metrô do Recife não tem verba de manutenção há pelo menos cinco anos, sobrevivendo com 30% dos recursos necessários só para a operação. Também não recebe verba para investimentos desde 2013. E ainda está perdendo passageiros por causa do aumento absurdo da tarifa.

O sistema está transportando entre 170 mil e 200 mil passageiros por dia atualmente. Antes, eram quase 400 mil/dia. As últimas aquisições do Metrô do Recife, em 2013, foram cinco máquinas especiais (que dão suporte à manutenção) e 15 trens. De lá para cá, mais nada e ainda um corte de 70% do orçamento anual de custeio (despesas básicas de operação). 

RECUO DO GOVERNO

O governador chegou a receber a direção do SindMetro no início da noite da quarta-feira (25), no Palácio do Campo das Princesas, sob mediação do presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, ex-secretário de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ) de Pernambuco.

Paulo Câmara afirmou que o Estado não tem interesse em administrar o metrô, mas que o faria para não ver o sistema ser destruído por completo. E que o diagnóstico ficou pronto, mas apenas como cobrança ao governo federal. O chefe de Estado também admitiu, inclusive, ter “errado” ao autorizar os estudos para a concessão pública sem o envolvimento dos metroviários. 

“Nosso objetivo é o funcionamento bem, não aceitamos a degradação do sistema feito pelo governo federal, que joga os usuários e a opinião pública contra o Estado de Pernambuco. O governo federal não conversa com a gente. Não temos interesse em administrar o metrô”, disse Paulo Câmara.

O Estado é personagem essencial no caso de o Metrô do Recife passar a ser uma concessão pública, estratégia estudada pelo governo federal desde o fim de 2019 para todos os sistemas da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Trensurb (de Porto Alegre). Por determinação legal, a estadualização do sistema precede a transferência para operadores privados. Ou seja, a gestão precisa sair das mãos do governo federal para o de Pernambuco para, depois, virar uma concessão pública.

VICE-GOVERNADORA

A vice-governadora Luciana Santos, que também participou da reunião dos metroviários com o governador Paulo Câmara e se posicionou contrário a privatização do metrô. "Nós somos contra a privatização (concessão) do metrô, que é um serviço essencial. O governo federal quer matar o serviço por inanição, é um absurdo. É um governo que não tem compromisso nem com a vida - vimos a forma como lidou com a covid -, muito menos com o transporte público", criticou.

A PROPOSTA DE CONCESSÃO

Pelo que já foi acordado, o governo de Pernambuco será o gestor do futuro contrato de concessão pública do Metrô do Recife, um pacote que representará o montante de R$ 8,4 bilhões em 30 anos. E, desse total, R$ 3,8 bilhões serão aportes financeiros públicos.

Segundo a Secretaria de Planejamento de Pernambuco, esse valor é necessário para reerguer o metrô e trazê-lo de volta aos padrões do passado, quando tinha intervalos de cinco a seis minutos nos horários de pico - hoje o metrô chega a intervalos de 17 minutos e 13 minutos nos ramais das linhas Centro e Sul, respectivamente.

Dos R$ 3,8 bilhões, R$ 3,1 bilhões serão mobilizados pelo governo federal e R$ 700 milhões pelo governo de Pernambuco. E mais: dos R$ 3,1 bilhões bancados pela União, R$ 1,4 bilhão serão recursos que ficarão guardados para serem utilizados pelo Estado ao longo do contrato de concessão pública.

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