SEGURANÇA

Após exoneração, ex-comandante da PM de Pernambuco é transferido para a reserva remunerada

Coronel Vanildo Maranhão deixou o cargo dias após ação violenta da PM contra manifestantes na área central do Recife

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 15/06/2021 às 19:26
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DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM
O coronel Vanildo Maranhão ingressou na Polícia Militar em 1989 - FOTO: DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM
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O coronel Vanildo Maranhão, ex-comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, foi transferido para a reserva remunerada. O ato, assinado pelo governador Paulo Câmara, foi publicado no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (15) - mas é retroativo ao dia 02 de junho. A aposentadoria de Vanildo ocorre logo após a exoneração dele motivada pela ação desastrosa da Polícia Militar contra manifestantes na área central do Recife, no dia 29 de maio. 

Vanildo Maranhão é peça fundamental para entender a ação violenta da PM. Isso porque, segundo documento interno da corporação, foi o coronel quem deu a ordem para que os policiais dispersassem os manifestantes que participavam do ato contra o governo Bolsonaro.

Desde o episódio lamentável, o coronel nunca deu uma declaração à sociedade sobre o assunto. Acabou exonerado dias depois pelo governador Paulo Câmara. Oficialmente, o próprio coronel teria pedido para deixar o comando geral da PM. Ele ingressou na corporação em 1989. 

Segundo o Portal da Transparência, acessível a todos, a última remuneração recebida pelo coronel, no mês de maio, foi de R$ 33.897,69. Já o salário-base foi de R$ 23.238.

No lugar de Vanildo Maranhão está o coronel José Roberto de Santana. 

Assim como Maranhão, o delegado federal Antônio de Pádua também foi exonerado do cargo de secretário de Defesa Social. Ambos faziam parte da cúpula da segurança pública de Pernambuco desde 2017. No lugar de Pádua está o também delegado federal Humberto Freire. 

INVESTIGAÇÕES

Nove procedimentos administrativos já foram instaurados pela Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) para investigar as condutas dos policiais militares envolvidos na ação desastrosa contra manifestantes que participavam de um ato crítico ao governo Bolsonaro, no dia 29 de maio, na área central do Recife. Não há prazo para conclusão das investigações, mas a SDS já afastou 16 PMs - sendo três oficiais e 13 praças.

Confira a lista das investigações que estão em andamento, segundo a pasta:

1. Possível desvio de conduta dos policiais na utilização de spray dispersante contra a vereadora Liana Cirne;

2. Apuração da responsabilidade de conduta quanto a possível utilização irregular de arma com munição de elastômero, na ocorrência em que Daniel Campelo foi atingido no olho;

3. Possível omissão de socorro à vítima Daniel Campelo, após ferimento decorrente de disparo de elastômero no olho;

4. Apuração da responsabilidade de conduta quanto a possível utilização irregular de arma com munição de elastômero, na ocorrência em Jonas Correia foi atingido no olho;

5. Apuração da responsabilidade de conduta quanto a possível utilização irregular de arma com munição de elastômero, na ocorrência em que foi atingido advogado Roberto Rocha Leandro;

6. Apuração da responsabilidade de conduta quanto a possível utilização irregular de arma com munição de elastômero em via pública nas proximidades do Parque 13 de Maio, bem como as circunstâncias e incongruências em relação à prisão de Douglas Gomes Sobral da Silva;

7. Apuração da responsabilidade de conduta quanto a possível utilização irregular de spray dispersante em manifestante na Av. Conde da Boa Vista;

8. Verificação da legalidade e observação das normas técnicas do efetivo do Batalhão de Choque durante a manifestação do dia 29 de maio;

9. Apuração de postagens em redes sociais da PMPE fazendo menções à ação do Batalhão de Choque no dia 29 de maio.

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