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Mulheres cuidam mais da saúde bucal do que os homens, revela pesquisa

Dado reforça a importância do cuidado preventivo com a saúde bucal, que vai além da estética e influencia diretamente o bem-estar geral do corpo

Por Maria Letícia Menezes Publicado em 11/03/2025 às 9:56

Um levantamento realizado entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, identificou que as mulheres se mostraram mais assíduas nas consultas odontológicas do que os homens. Entre os entrevistados, 71% das mulheres informaram que compareceram ao dentista no último ano, contra 65% dos homens.

O estudo foi realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO) em parceria com o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e conduzido pela consultoria Key-Stone.

Frequência ideal de visitas ao dentista

Segundo a dentista Ieli Lima, especializada em cirurgia bucal e endodontia, a frequência das visitas ao dentista varia conforme o histórico de saúde bucal de cada paciente. Para pessoas saudáveis, a recomendação é que as consultas sejam feitas a cada seis meses, para manutenção da saúde bucal.

"Cada caso vai ser diferente e a gente precisa avaliar alguns fatores como, por exemplo, a saúde bucal daquele paciente, quais são os hábitos que ele tem e também se ele tem alguma doença já pré-estabelecida", explica Ieli Lima. 

O acompanhamento deve ser mais frequente para determinados grupos de risco:

  • Crianças;
  • Fumantes;
  • Alcoólatras;
  • Pacientes com problemas bucais.

Saúde bucal além da estética

Os pesquisadores do estudo que a reportagem cita inicialmente verificaram que a maior porcentagem de ida ao dentista entre as mulheres acontece por questões estéticas.

Paulo Henrique Fraccaro, CEO da associação responsável, acredita que o cenário está mudando. "Em breve, veremos os homens acompanhando esse movimento, já que a preocupação com a aparência e o bem-estar tem crescido entre eles”, comenta Fraccaro.

Contudo, Ieli Lima enfatiza que cuidar da boca impacta diretamente na qualidade de vida de todas as pessoas. "Entender que a boca vai além da estética é, principalmente, entender que se trata de saúde. E isso é uma preocupação que devemos ter, independentemente do gênero", orienta.

Os riscos da falta de acompanhamento

A falta de visitas regulares ao dentista pode ter sérias consequências para a saúde, tanto local quanto sistêmica. Entre os problemas mais comuns estão:

  • Cáries: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cárie dentária é uma das doenças mais prevalentes do mundo;
  • Gengivite: inflamação da gengiva que pode causar sangramento, dor e inchaço;
  • Câncer de boca: tumor maligno que afeta os lábios e toda a cavidade oral;
  • Periodontite:  uma doença inflamatória crónica que afeta os tecidos e ossos que sustentam os dentes.

Prevenção de doenças sistêmicas

Além de problemas diretamente relacionados à boca, a especialista alerta ainda que a falta de saúde bucal pode se relacionar com problemas cardíacos e complicações durante a gestação. Ieli cita a endocardite bacteriana, uma doença cardiovascular que pode ser provocada por bactérias presentes na boca.

Outro exemplo é a relação entre a saúde bucal e complicações na gravidez. "A cárie pode liberar substâncias na corrente sanguínea, que vão alterar a contração do útero e podem induzir um parto prematuro", destaca a dentista.

Assista ao episódio do Videocast Saúde e Bem-Estar, do JC, sobre saúde bucal na infância

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